Relembrando Cantos Populares do Brasil: a Missão de Mário de Andrade no #diademacunaima

Quem me avisou foi Claudio Soares (@pontolit) no grupo de livros digitais: a data de hoje marca a passagem dos 65 anos da morte do escritor Mário de Andrade. Para marcar a data e relembrar sua obra, @pontolit criou a hashtag #diademacunaima sob a qual pode-se enviar mensagens, citações, vídeos, comentários sobre a obra de Mário e sua e influência na cultura brasileira. Eu lembrei de um post que publiquei em 19/01/2008 sobre uma exposição que visitamos no CCSP e que estava publicado num blog que já saiu do ar, o Mostra Plural. Republico-o abaixo como registro de minha homenagem no #diademacunaima:

Quando mudei de Curitiba para São Paulo há três anos o fiz consciente das oportunidades culturais que passaríamos a ter. Não digo que minha cidade não o tenha, considero Curitiba uma boa cidade em todos os sentidos, mas nenhuma cidade brasileira se compara esta metrópole. Acrescente-se aqui que adoro metrópoles, nasci para a urbanidade e antes de Sampa encarei os paradoxos das grandes cidades em Tóquio.

No primeiro final de semana que saímos fomos ao Ibirapuera e ao Morumbi e passamos pela 23 de março. O Centro Cultural São Paulo chamou atenção das crianças de imediato e se tornou uma referência cultural para nós tão logo descobrimos a facilidade de se chegar lá de metrô (maravilha as opções culturais serem acessíveis por transporte coletivo seguro, não?) pela linha norte-sul, pois fica na estação Vergueiro.

Além de excelentes apresentações, como a peça teatral O Menino e O Burrinho, baseado no doce livro de poesias de Cecília Meirelles Ou Isto Ou Aquilo, o espaço para xadrez e para lazer nos jardins, o bom café-restaurante e a canja que temos com os ensaios de apresentações musicais, o CCSP encantou a família toda em 2007 com a exposição Cantos Populares do Brasil: a Missão de Mário de Andrade.

Foi engraçada a reação das atendentes da exposição quando entramos lá com as crianças, então com 4 e 6 anos. Cochichavam e eu imaginei que fossem reclamar do entusiasmo com as figuras em tamanho real (engraçado como as pessoas eram menores, eu até me senti grande – risos) e com os cd players que permitem a apreciação das gravações feitas por Mário de Andrade na Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938. Os aparelhos antigos também chamaram atenção deles e permitiram aos pais relembrar as vitrolas e apetrechos dos avós e contar um pouco da nossa história. Os visitantes podem apreciar um vasto material com textos e músicas, da caixa de CD’s intitulada Mário de Andrade – Missão de Pesquisas Folclóricas, editada pela Prefeitura Municipal de São Paulo, em parceria com o SESC. A exposição está compilada em livros + CDs publicados pelo SESC com o simpático título A Música Popular Brasileira na Vitrola de Mario de Andrade.
O material foi coletado por Mário durante a missão realizada em 1938 pelo Norte e Nordeste brasileiros para registrar as manifestações folclóricas, especialmente dança e música. Na volta, trouxeram instrumentos musicais, peças utilitárias, reproduções de desenhos, gravações musicais e filmes, enfim, o material que hoje está sob a guarda do CCSP. Lembrou-me muito a viagem de Heitor Villa Lobos pelo Brasil que resultou em cantigas populares imortalizadas por pais para seus filhos e que eu também cantei para os meus, graças ao CD Villa Lobos para Crianças.
Curiosidade: a mostra também foi visitada e reportada em Long-Lost Trove of Music
Connects Brazil to Its Roots pelo correspondente do Jornal New York Times, Larry Rohter, que apresentou ao público norte-americano um pouco deste importante acervo, ainda desconhecido de muitos moradores de São Paulo.
Fica aqui minha dica cultural para esta Sexta Insana, lembrando que na próxima sexta, dia 25/01, é aniversário de 454 anos da cidade de São Paulo e muitos eventos culturais estão agitando a cidade durante todo o mês, homenagenado a diversidade cultural que existe aqui. Considero esta coleção de músicas folclóricas há muito tempo perdida e que podemos “encontrar” nesta exposição um retrato, antigo mas ainda muito real, do Brasil que se reune a
qui, na maior cidade brasileira.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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