Pesquisa mostra que 65% das crianças carregam coliformes fecais nas mãos – e os adultos seguem a mesma tendência

“Há uma lacuna entre o que a maioria das mães brasileiras acredita, faz, garante que seu filho faça e pensa que o outro faz: 84% das entrevistadas concordam que todos deveriam lavar as mãos com sabonete antes de comer, embora 76% digam o fazer de fato e apenas 36% achem que os brasileiros têm este hábito. Apesar de a grande maioria, 84% delas, afirmar lavar suas próprias mãos com sabonete após ir ao banheiro, apenas 25% responderam que asseguram que seus filhos lavem as mãos com sabonete após ir ao banheiro.”

 

Em julho estive no Simpósio “Mãos Limpas, Famílias Saudáveis”, que discutiu os aspectos científicos e sociais dos hábitos de higiene no Brasil. Longe de ser apenas mais um evento, o encontro foi uma oportunidade impar para saber mais sobre os hábitos de higiene em nosso país (tanto do cidadão comum quanto dos profissionais de saúde) e de ouvir especialistas de renome internacional falarem sobre uma questão íntima e fundamental da nossa educação: o hábito de lavar as mãos.

Compartilharam sua expertise conosco no simpósio Dr. Robert Aunger (Palestrante Sênior em Saúde Pública Evolutiva da Faculdade de Higiene & Medicina Tropical de Londres), Dra. Myrian Sidibe (Gerente Global de Missão Social de Lifebuoy), Dr. Artur Timerman (Infectologista do Hospital Albert Einstein) e Clóvis Adalberto Boufleur (Gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança). Foi um privilégio e, como disse a apresentadora do evento, Cynthia Howlett, fiquei assustada com as consequências das mãos lavadas sem cuidado.

Seus filhos (e vocês, pais) lavam as mãos direito? A pergunta é delicada, entra na intimidade das famílias, mas precisa ser respondida por cada um de nós com honestidade. O Ibope Inteligência conversou com muitas mães no Brasil e levantou dados alarmantes:

  • Apesar da maioria das mães (84%) dizerem lavar as mãos com sabonete após ir ao banheiro, 65% das crianças apresentam coliformes fecais em suas mãos. Entre as bactérias encontradas estão Enterococcus e Escherichia Coli, relacionadas a doenças gastrointestinais. Esse percentual é maior em crianças de classes sociais mais baixas – coliformes fecais foram encontrados nas mãos de 77% das crianças da classe D; 71%, da classe C e 53%, da classe AB.
  • Ainda que 87% das mães brasileiras afirmem saber que lavar as mãos com sabonete reduz a chance de doenças, 1/3 não acha que este seja um ato de boas maneiras;
  • 1/3 das entrevistadas afirma não considerar importante lavar as mãos com sabonete depois de limpar as fezes do filho;
  • Apenas 1/3 das mães acredita que seus filhos lavam as mãos com sabonete na escola;
  • 40% revelaram que seus filhos lavam as mãos até três vezes ao dia apenas. A OMS recomenda lavar as mãos com sabão em no mínimo cinco ocasiões diárias – banho, após ir ao banheiro, antes do café da manhã, do almoço e do jantar. Em uma rotina comum, isso representa lavar as mãos com sabão mais de dez vezes ao dia;
  • 72% das mães brasileiras concordam que é fácil ensinar às crianças o hábito de sempre lavar as mãos com água e sabonete. Porém, para a maioria, 57% das pesquisadas, é cansativo ter que relembrar aos filhos esta necessidade;
  • Lavar as mãos com sabonete antes de se alimentar é um hábito reconhecido como importante, mas com menor peso nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, na área rural e nas classes D e E;
  • Entrevistadas das classes D e E foram as que reconheceram com maior intensidade a importância de lavar as mãos após utilizar o banheiro, mas são as que, na prática, menos o fazem.

Para a pesquisa “Hábitos de Lavagem de Mãos no Brasil” – que tinha como objetivo mapear os hábitos e atitudes de mães brasileiras em relação aos hábitos de lavar as mãos e suas atitudes em relação à higiene de seus filhos – foram ouvidas 277 mulheres de todas as classes sociais (A B, C e DE) e regiões do país, todas as mães de crianças entre 4 e 12 anos.

Na segunda pesquisa foram às ruas para analisar, por meio da análise do suor das mãos de crianças a presença de bactérias que podem causar doenças e sintomas como diarreia e vômitos. O resultado surpreendeu: 65% das crianças tinham coliformes fecais nas mãos. Esse percentual é maior em crianças de classes sociais mais baixas – coliformes fecais foram encontrados nas mãos de 77% das crianças da classe D; 71%, da classe C e 53%, da classe AB.

Segundo contou Dr. Robert Aunger, especialista em Saúde Pública da Faculdade de Higiene & Medicina Tropical de Londres:

Transportamos em nossas mãos milhões de micróbios, em sua grande maioria, inofensivos. Entretanto, outros podem causar doenças como o resfriado comum, gripe, diarreia, hepatite e alguns tipos de meningite. A falta de hábito de lavar as mãos ou a lavagem não adequada pode possibilitar a disseminação de germes, transmitindo-os a outras pessoas pelo toque direto ou de objetos, a contaminação própria pelo toque nos olhos, no nariz, na boca ou um ferimento”.

E o que podemos fazer para evitar isso? A prevenção é fundamental no combate a germes e bactérias. A segunda percepção é de que precisamos discutir o problema e encarar como algo a mudar na nossa rotina.

“A falta de hábito de lavar as mãos com sabonete é um problema mundial, seja em países ricos ou pobres, há sempre uma grande parcela da população que não o encara como uma rotina saudável. Para se ter uma ideia, pesquisas realizadas em Londres identificaram que 28% dos adultos e 16% das crianças tinham bactérias fecais nas mãos”.

E como resolver isso? Lavando as mãos, ora! E, no caso das crianças que ainda não incorporaram bem a metodologia da lavação, melhor é optar por um bactericida mesmo. Ganhamos alguns exemplares do sabonete no dia do evento e temos testado e gostado. Bom, prático, não resseca as mãos tampouco é frágil (sabem, daqueles sabonetes com creme que acabaram derretendo na pia) e tem um perfume muito agradável.

Em tempo, sobre o evento: os meninos, Enzo e Giorgio, foram as únicas crianças presentes no MuBE e voltaram impressionados com as informações e com a chance de ver ao vivo a apresentadora favorita da vovó Itamara, Ana Maria Braga (Madrinha do evento e da campanha no Brasil) . Adoraram o jantar elegante e se tornaram fãs incondicionais de Marina De La Riva, que fez show após o evento científico.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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