Bullying Escolar: perguntas e respostas

Mentes perigosas nas escolas, como identificar e combater o preconceito, a violência e a covardia entra alunos (livro de Ana Beatriz Barbosa Silva, editora Fontanar)

Faz tempo que não trago este assunto à tona no blog, mas ao saber que nesta terça um debate trataria do tema sob o ponto de vista escolar e virtual, considerei que valia a pena tratar dele e aproveitar para publicar meu review de um livro que li há alguns meses e me pareceu um bom começo para pais e professores pensarem sobre este fenômeno.

É ponto pacífico que o bullying, em especial o escolar, sempre existiu, mas ele tem uma nova arma que é o espaço virtual e, pior, o espaço das novas mídias. Criar comunidades de quem ama ou odeia um colega ou professor é uma brincadeira que começou no (finado) Orkut e que tem consequências complicadas quando transportada para outros espaços, como o Facebook.

Conversei há algum tempo com um colega jornalista que me contava que o sobrinho foi vítima de bullying num grupo do Facebook e que, por conta das regras do espaço, ninguém (nem mesmo a família, a escola, o próprio “criador” da comunidade) consegue apagar. O motivo? Os grupos são comunidades com vida própria e eles só podem ser apagados quando todos os participantes sairem. E o criador da comunidade tentou fazer a “brincadeira” com um perfil fake do qual ele não lembra mais a senha. Resultado: embora a escola e os pais dos alunos tenham se unido para resolver a situação, até que o menino consiga entrar no perfil fake e sair da comunidade, ela continua lá, viva, mostrando a todos sua intolerância à diferença, sua indelicadeza com o próximo, sua dificuldade de conviver com os colegas.

Pensamos que o bullying é uma brincadeira de criança, mas na verdade é o reflexo dos valores e dos comportamentos que nós todos, como sociedade (e a família é o primeiro núcleo social, lembram-se?), incutimos nestas crianças ao longo de suas vidas. Se somos intolerantes ou se não os ensinamos a serem tolerantes, o exemplo e a omissão são suficientes para que eles ajam sem pensar, por impulso, repelindo o diferente e atacando quem lhe incomoda. E neste caso, tanto o agredido quanto o agressor precisam de nossa atenção para que possam se desenvolver e se tornarem boas pessoas, íntegras, justas e capazes de construir colaborativamente um espaço social melhor.

Espero que esta visão seja a tônica da conversa que o público poderá ter com Cleo Fante, coautora do livro Bullying Escolar: perguntas e respostas, em evento que promete tratar dos riscos e ameaças na Web, realizado hoje às 19h na Saraiva MegaStore do Shopping Morumbi, com apoio da McAfee. O evento é gratuito e basta confirmar presença neste e-mail.

A pedagoga e pesquisadora Cleo Fante orientará os participantes sobre como se comportar perante o bullying escolar e o ciberbullying, abordando também o crescente número de crianças vítimas de propostas sexuais pela Web, de jovens que sofrem intimidação virtual, de pais que veem seus dados pessoais e confidenciais expostos na Internet e em redes sociais, de pedófilos que atuam por meio de sites de relacionamento, entre outros temas.

Pioneira nos estudos sobre bullying escolar e ciberbullying no Brasil, a pedagoga atua como consultora educacional, docente e coordenadora de cursos de capacitação e pós-graduação sobre o tema. É autora do programa antibullying Educar para a paz e autora também da obra Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz.

E o Manual Antibullying?

"Manual Antibullying para alunos, pais e professores, de Gustavo Teixeira - foto do flickr de @samegui
"Manual Antibullying para alunos, pais e professores, de Gustavo Teixeira - foto do flickr de @samegui"

Li o livro há alguns meses e gostei muito da publicação da Editora Best Seller que traz informações realmente práticas, objetivas e exemplos palpáveis de casos de bullying brasileiros (raro, pois a princípio os cases que víamos eram estrangeiros) e sem parecer uma colcha de retalhos nos dá, em capítulos separados, guias para nos colocarmos no lugar dos pais, dos educadores, dos agredidos e dos agressores. O livro enxuto me parece “caber melhor” no orçamento e na agenda do professor médio brasileiro, tanto quanto a forma prática como o autor coloca boxes com resumos dos capítulos facilita a fixação e o repasse das ideias. Não descarto a leitura de obras mais densas (como Bullying, Mentes perigosas nas escolas, da médica Ana Beatriz Barbosa da Silva, Editora Fontanar) para quem está vivendo a situação de forma extremada e que é fundamental para todos os diretores e orientadores de escolas do Brasil, mas me arriscaria a dizer que o Manual Antibullying poderia ser um bom começo para o professor se iniciar na teoria deste tema que ele já vive na prática.

P.S. Aqui tem uma série de posts sobre o tema, inclusive os dois que explicam porque eu tenho tanta ligação pessoal com o assunto: Como vencemos o bullying na escola e Violência nas escolas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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