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Nesta semana falei de migrantes e do que nos faz ser de um lugar ou outro. Hoje trago mais uma das frutas do meu especial com uma migrante que é tão nossa que achamos que nasceu aqui, mas veio do Oriente.

A manga, o fruto da mangueira (Mangifera indica L.), parece ter nascido nas nossa ruas e quintais, mas é nativa do sul e do sudeste asiáticos, desde o leste da Índia até as Filipinas. Ficou muito “nossa” porque foi trazida pelos portugueses e se deu bem no Brasil, como em Angola, em Moçambique e outros países tropicais. Foi introduzida na Califórnia (na cidade de Santa Barbara) nos anos de 1880.

O nome da fruta vem da palavra do idioma malaiala manga e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala. Fui pesquisar, óbvio, pois eu nunca tinha ouvido falar deste local e descobri que é um dos 28 estados da Índia e fica lá no sul (portanto onde é mais calor) naquele país.

🙂

A manga não é de lá, como é a fruta nacional da Índia, onde há mais de 100 variedades, e está em canções do século IV em poemas escritos em sânscrito e nas lendárias viagens do conquistador Alexandre, o Grande (século III aC).

Conversas de cozinha:

Dizem que a manga é a fruta fresca mais consumida em todo o mundo!

O fruto costuma mesmo ser consumido in natura, mas também pode ser processado para fazer em doces, geleias, sucos e chutneys.

O que é isso, Sam?

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Chutney é um molhinho agridoce, picante (forte ou suave), ou ainda uma mistura dos dois, originário da Índia. Fica bom com carnes (tipo carne de porco), peixes (tipo salmão) e até com hambúrguer, para quem é do tipo gourmet! O de manga é o mais comum – olhem “mango chutney” na internet! – mas pode ser feito com outras bases, como abacaxi e maçã. Os temperos utilizados na preparação incluem quase sempre açúcar mascavo, sal, alho, cebola, mel, vinagre, gengibre e canela, com coentro e cominho.

Ah, lembrou daquela porçãozinha de maçã cozida que servem no Outback? Isso mesmo!

Se você é do tipo early adopter e quer deixar uma surpresinha na mesa das festas de fim de ano, pode apostar num chutney de manga que cai bem com aves assadas. E agrada aos vegetarianos, porque fica uma delícia com vegetais como beringela empanada (sem o molho e queijo, sabem?) e como petisco com pães do tipo árabe, indiano ou mesmo com tortilhas (tipo Doritos).

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No Brasil não se faz isso, mas em outros países, consome-se as folhas cozidas ou até em salada, cruas mesmo. Eu nunca provei, mas fiquei curiosa!

Bebidas alcoólicas de manga, como vinhos e licores, são comuns na Índia e na Austrália.

A manga é um dos grandes produtos de exportação do Brasil, mas isso pode estar em risco. 

As exportações para a União Europeia (UE), que alcançaram US$ 138 milhões em 2016, podem estar com os dias contados no mercado comum europeu a partir de 21 de janeiro de 2018 porque a UE aplicará limites mais restritivos ao comércio de alimentos que utilizam Tiabendazol, um produto químico pós-colheita que visa proteger a fruta contra doenças causadas por fungos, reduzindo o nível de descarte. E infelizmente esse produto está presente nas nossas mangas.

#puxavida A manga brasileira, cujas exportações para a União Europeia (UE) alcançaram US$ 138 milhões no ano passado, pode ser impedida de entrar no mercado comum europeu a partir de 21 de janeiro do ano que vem. Em pouco mais de um mês, a UE aplicará limites mais restritivos ao comércio de alimentos que utilizam #Tiabendazol, um produto químico pós-colheita que visa proteger a fruta contra doenças causadas por fungos, reduzindo o nível de descarte. A medida atingirá a manga produzida no Brasil e também no Peru, assim como a batata doce da Carolina do Norte (EUA). Para países exportadores, a normativa europeia contraria o Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC). O acordo permite que um país aplique restrições, mas desde que tenham base científica. A UE é acusada de estabelecer limites máximos de defensivos ainda mais restritivos ao comércio. Os europeus alegam que seus padrões mais rígidos se apoiam em estudos científicos da Autoridade Europeia de Sanidade de Alimentos (EFSA). Além disso, afirmam que forneceram informações sobre proteção alternativa para reduzir o uso de Tiabendazol nas mangas. Ocorre que obter o registro de novos produtos é um processo longo. No Brasil, isso passa pela Anvisa, Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, disse o Adido Agrícola do Brasil em Genebra, Luis Henrique Barbosa da Silva. A questão sobre os níveis de resíduos de agrotóxicos em alimentos fez os Estados Unidos articularem uma declaração ministerial paralela junto com o Mercosul e outros exportadores na conferência da OMC. No documento, defendem que para produzir mais alimentos de forma mais segura e sustentável, os agricultores precisam ter acesso a tecnologias disponíveis à produção. E que isso está sendo “crescentemente minado” por barreiras sem justificativa científica suficiente, com impacto na produção e no comércio. A declaração conclama os membros da OMC a reforçarem o SPS para assegurar base científica nesse campo. #estamosdeolho #agrotoxicos #manga #agentenaoquersocomida #avidaquer @avidaquer por @samegui

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Mas a fruta continua maravilhosa, querem ver?

Pra quem gosta de dados nutricionais:

Uma manga fresca contém cerca de 15% de açúcar, até 1% de proteína e quantidades significativas de vitaminas, minerais e antioxidantes, podendo conter vitamina A, B e C. Graças à alta quantidade de ferro que contém, a manga é indicada para tratamentos de anemia e é benéfica para as mulheres grávidas e na fase da menstruação.

Pessoas que sofrem de cãimbras, stress e problemas cardíacos, podem se beneficiar das altas concentrações de potássio e magnésio existentes que também auxiliam àqueles que sofrem de acidose. As mangas também suavizam o intestino, tornando mais fácil a digestão. 

Na Índia, acredita-se que as mangas estancam hemorragia, fortalecem o coração e trazem benefícios ao cérebro. É também utilizada em afecções pulmonares (bronquite asmática, bronquite catarral e tosse), Gengivas inflamadas (gengivites, feridas na boca e no canto dos lábios). Úlcera de decúbito (escaras), úlceras varicosas.

Saiba mais no querido Um pé de quê?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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