Maitê e os preconceitos femininos

collage.jpgUm dos temas mais freqüentes na minha escrita é o mundo feminino. O que pouca gente sabe é que penso nele como uma força para exorcizar fantasmas que me perseguem e eles estão no preconceito que tenho com as mulheres. Peraí, não precisa unsubscribe my feed! Leia tudo primeiro. 😀 O jornalismo e o mundo feminino me irritam freqüentemente porque abusam da piedade e do sofrimento alheios para se manterem vivos e, para mim, isto (trocadilho infame) é a morte. É ser urubu, procurar sempre a carniça.

Hoje estava lendo uma entrevista que a Folha Online publicou com Maitê Proença sob o pretexto de comentar o lançamento do livro “Uma Vida Inventada” (Editora Agir/Ediouro, 2008, 224 páginas, preço médio R$ 30,00). Como é possível ler lá, a coisa resvalou no que eu mais abomino: a exploração do sofrimento alheio, das mazelas humanas, a desqualificação da mulher por seus atributos. Maitê, no meu imaginário eternamente aquela Dona Beija linda se banhando nua na cachoeira (se os marmanjos fantasiaram com ela, acredite que as meninas igualmente se imaginavam a própria que era linda antes desta moda de silicone e lipoescultura!), foi vítima daquele preconceito medonho que as pessoas bonitas sofrem: de não poder ser inteligente. (Nesta hora entendo porque Bruna Lombardi saiu do Brasil e Brad Pitt insiste em se “enfeiar” no cinema.)

Confesso que eu sempre simpatizei com a figura dela, os olhos e voz que riem com o telespectador, com sua reação espontânea e com a sinceridade que transparece. Por isso ela é uma das figuras que me seguram ao ver o Saia Justa e os mesmos motivos me fazem saber, de antemão, que vou gostar da mistura de ficção com autobiografia que está no livro que ela lança nesta semana. Sei porque estou sendo levada pelo meu preconceito – neste caso positivo – e minha simpatia com gente que parece gente.

Maitê parece. E deve ser. A história dela, com direito a tudo que as mulheres vivem (casar, descasar, ter filho, abortar, ser filha e mãe para seus pais, ter sucesso e fracasso, sofrer elogios e críticas, ver-se exposta sem ter autorizado nada) é real. Creio que uns poucos mortais vivem uma vida completamente livre de passagens no estilo Nelson Rodrigues. Suas histórias, como as de Luís Fernando Veríssimo, são ótimas porque são verdadeiras. Contam histórias humanas, risíveis ou não, mas que encontram eco dentro de cada um de nós.

Eu posso não ter passado por nada disto. Mas vivi de tudo um pouco, como ela. Uma amiga, que foi criada como minha irmã, abortou aos 16. Eu era bem mais nova que ela, mas fui a pessoa que esteve ao seu lado nesta hora, quando ela tentou suicídio por conta da depressão pós-aborto e “pé-na-bunda” do namorado, quando engravidou de novo e quando sua mãe morreu. Saber das histórias parecidas, mesmo que não com as minhas, mas com a minha vida (amigos são parte da nossa vida), no livro da Maitê me fez apreciar ainda mais ela. Tenho a mesma empatia por Irene Ravache, que hoje brindará o público da Livraria da Vila com sua “presença afetuosa”. Li uma entrevista com ela certa vez e sua história de vida, de mulher de teatro quando isso era muito feio e não dava status nenhum, de mãe de um dependente de drogas, de filha e amiga, me fez apreciar ainda mais sua figura. Conhecer o outro é bom, não porque nos faz ter piedade ou explica as fotos da Caras, mas nos traz a chance de enxergar vida sob outro foco, viver outra pessoa, aceitar outra realidade.

umavidainventada_215.jpgEnfim, como meus amigos virtuais Gustavo Gitti, no Não Dois Não Um, e Max Reinart, não no Pequeno Inventário de Impropriedades nem No Ghetto, mas no Nossa Via, no melhor estilo de cada um (veja, dois homens, mas com abordagem bem distinta!), eu recebi dois exemplares do livro. Quer dizer, vou receber hoje em mãos, no lançamento, porque a greve dos correios atrapalhou uma pouco as coisas. Um dos livros vou ler e o outro eu também vou sortear para um leitor do blog.

Para concorrer você só precisa fazer um comentário interessante aqui sobre este texto ou sobre os preconceitos que afetam o mundo feminino ou das celebridades. Fácil, né? Eu estou esperando ansiosa para ler seus comentários, suas histórias, simpatia ou antipatia pelo tema. Na segunda-feira eu divulgarei quem levou o exemplar autografado! 😉

Se você for de Sampa, passa lá na Livraria da Vila, a gente pode tomar um café e conversar! 🙂

Serviço:

  • Uma história inventada, de Maitê Proença
  • Livraria da Vila
  • data: quarta-feira, 2 de abril, às 19h
  • leitura com participação afetiva de Irene Ravache
  • rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo
  • fone: (11) 381405811
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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