Mulher de fases (ou quem levou o livro da Maitê Proença)

No sábado, ao chegar ao Newscamp, fui recebida com comentários de que minha aparência não era mais de mais mãe e sim de executiva. E muita gente só puxou papo mãe comigo por conta do Desabafo de Mãe. Aí lembrei -e como não – dos estereótipos que se formam e dos mil preconceitos que rondam as pobres das mulheres que escolhem ser mais de uma coisa na vida. 🙁 Eu sempre fui jornalista, antes de ser mãe, sempre fui militante das causas que acredito, não sou politicamente correta (embora busque ser ética), sou consumista quando dá na telha (já disse que é meu lado B) e uma espartana quando acho bom sê-lo, sou meio irmã mais velha em tempo integral (Helton e Kaká que o digam), admito que vejo TV (a cabo) e nunca cometi orkuticídio e, mesmo não falando palavrão e nem gostando de cigarro, gosto de ir no bar e tomar chope black da Brahma com amigos. Lembram-se daquela música que dizia Complicada e perfeitinha? Mais ou menos naquela confusão… Bom, não era sobre mim nem sobre o Newscamp. Cumpro aqui um compromisso meu que já está atrasado: contar o ganhador do livro da Maitê Proença. Demorei mais do que tinha prometido, quis primeiro terminar a leitura do meu exemplar. Não li de sopetão como o Max, mas saboreei as aventuras femininas dela.

livro-maite-proenca-9.jpgMaitê se mostrou uma caixa de surpresas e eu fiquei honrada por saber que partilhamos o mesmo signo e assustada por notar a mesma espontaneidade e improviso em mim. Digo isto porque, como ela conta no livro, muita coisa boa e ruim adveio do seu jeito prático e meio “não estou nem aí” de levar a vida. Um exemplo foi o primeiro contrato que ela fechou com a Globo, no qual chegou querendo ser protagonista de novela das oito e de cuja reunião saiu com um contrato melhor do que o do Francisco Cuoco (na época, 1979, um galã global). Ela conta que sua negociação rendeu um contrato de 5 anos no qual foi mal-tratada e viveu no ostracismo dentro da emissora, duvidando até da sua capacidade de ser atriz – e ela só se achou na famosa Dona Beija, na TV Manchete.
Em outros momentos, suas reflexões sobre a atualidade (como quando fala da China) guardam muita profundidade, mas são apresentadas com leveza, como nas discussões do Saia Justa, sem o peso de quem é catedrático no assunto, mas com a tranquilidade de um papo com uma amiga. Aliás, no mesmo estilo estão as várias lembranças de viagem dela. Quando ouvi Irene Ravache comentar no lançamento do livro (ela esteve lá interpretando trechos do livro enquanto Maitê autografava) que se surpreendeu porque amiga tinha viajado muito, não imaginei que fosse tanto! São incríveis tanto a experiência como mochileira dela, quanto a cultura que ela teve na sua formação familiar. E deve ser por isso mesmo que ela consegue conservar aquela aura de que não sabe de nada, deixando o que verdadeiramente tem de bom para as pessoas que conseguem ver sem preconceito. Li o livro assim e recomendo. 🙂
Mirian Bottan, que estava comigo na noite de autógrafos, também comentou sobre o livro no post Revendo conceitos.

Enfim, deixa eu contar quem vai receber o livro autografado em casa: Maurício José Ferreira da Silva. Lendo o livro fui lembrando dos comentários e fui optando por oferecer o livro para ele, porque não tinha preconceitos, pelo contrário, idolatra a Maitê e por certo que para ele o livro autografado terá um valor imenso. Outra razão é que, nesta confusão de falarem mal do orkut e das comunidades de lá, o cara é moderador de uma comunidade da Maitê Proença. Aliás, falei do orkut pro Julio Dario Borges e o Gil Giardelli (lembra Kaká?) no Newscamp, porque o conceito que se tem de usuário de orkut é uma farsa. As pessoas estão lá porque querem privacidade nos foruns, pela rapidez do retorno das “conversas” de scrap e de forum e pela chance de encontrar pessoas que gostam de coisas parecidas.

P.S. Como estamos vivendo uma caça às bruxas, é bom deixar claro: a promoção não fui publieditorial. A Editora mandou dois exemplares de presente para alguns blogueiros, através de uma agência de publicidade, e só. Mas adorei e como eventualmente recebo livros de outras editoras, estou planejando outras promoções aqui. 🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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