Mãetsubishi e Painasonic

“Living is easy with eyes closed.”

Esta frase da música Strawberry Fields Forever dos Beatles me veio à mente na viagem de avião que fiz em 2009 – nossas primeiras férias sem as crianças – e que me sucitou várias reflexões ao deixa-los sob os cuidados da minha mãe (que gentilmente viajou de Curitiba para assumir o comando da casa nestes dias de ausência), especialmente a de que uma das minhas maiores preocupações que sinto é de estar fora e tudo sair do controle.

Mas tudo o quê?

Para cada família – ou mãe – o controle é diferente. Mas no meu caso a preocupação é com os horários e o possível excesso deles em atividades “sedentárias e passivas”, como ver TV e jogar no computador. Ver TV demais me lembra o filme Farenheit 451 e o “controle social” que nos cega que a vida televisiva nos traz.

Como assim? Ora, saimos de nossa cultura, de nossa realidade, às vezes até de nossos valores quando passamos a vivenciar a vida do outro que está lá na tela. E nem sempre (raramente) isso é bom para as crianças que ainda estão vivenciando sua formação de caráter. Viver fica fácil e simples na teoria com as facilidades dos programas de TV, mas não podemos fechar os olhos para a realidade que nos cerca e vivenciarmos passivamente um mundo de sonhos. Nesta reflexão, lembrei do livro de Marcelo Pires, Liga e desliga, que curiosamente era tema da coluna de Sonia Racy na revista de bordo, TAM nas nuvens. Vocês conhecerem a história?

“Mãetsubishi e Painasonic estavam muito preocupados porque o filho TV asestava muito ligado ao seu menino, no qual assistia cenas de violência impróprias para suas 14 polegadas e por causa do menino não brincava nem conversava como antes com suas amigas televisões. Ficava lá, de olhos vidrados no menino, desprezando os apelos da Mãetsubishi que implorava várias vezes ao dia: “desliga este menino!”. Painasonic repetia a ladainha quando chegava em casa do trabalho, desligando o menino, mas TV chorava em chuviscos e convencia o pai a religar o menino. Um dia, o menino quebrou e a história teve um final feliz. TV voltou para seus brinquedos suas amigas televisões.”

Esta história lembra a rotina da sua família? Não se sinta só.

Segundo estudo publicado na revista americana Pediatrics, entre os 5 e 11 anos as crianças gastam em média 2 horas assistindo televisão por dia. Dos 13 aos 15 anos esta média pula para três horas por dia. De acordo com um levantamento da ONU, 93% das crianças do mundo têm acesso à televisão e passam pelo menos 50% mais tempo ligada no aparelho do que em qualquer outra atividade não-escolar. Numa época em que as telas se alternam – vê-se TV ou joga-se na TV, mas também no computador e no celular – este tempo, creio, tende a aumentar. Os resultados mostram que estas crianças expostas a muita TV podem ter problemas cognitivos e um superavit de atenção.

Ficou preocupado? Pois é fácil resolver esta questão. Limite os horários (meus filhos, por exemplo, não podem ver mais do que um filme longa metragem ou dois programas infantis de meia hora sem pausa) e crie condições, nem que precise “ensinar” seus filhos, para que as crianças tenham momentos de brincar desestruturado, tanto com brinquedos quanto com atividades físicas.

😉

P.S. Este post foi originalmente publicado no Mãe com filhos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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