relacionamentos / sustentabilidade

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Tive uma grande surpresa ao receber, com a edição semanal da revista Época, uma edição de luxo que trazia uma boa discussão sobre a necessidade do luxo sob os olhos da antropologia e psicologia social.

Nos tempos atuais, de repensar as necessidades e valores, buscando um consumo consciente, toda edição que se volta ao luxo, não importa em qual veiculo de comunicação, me causa estranheza e com esta não foi diferente. Mas, a curiosidade é maior e admito que sou “viciada” em revistas, daí minha espichada de olho ter me levado à entrevista com Eduardo Giannetti da Fonseca (economista, PhD pela Universidade de Cambridge e escritor, autor de A ilusão da alma e Felicidade), na qual ele disserta livremente sobre o luxo como uma busca ligada às emoções humanas arcaicas.

“Uma das aspirações mais arraigadas do ser humano é conquistar um lugar de honra na mente de seus semelhantes”
Malebranche, filósofo francês do século XVII

Impossível não concordar com ele quando define o luxo como algo vinculado à restrição. Quando os objetos ou informações se tornam comuns, acessíveis, deixam de ser luxo. Daí a de idéia de “luxo para todos” ser uma grande utopia:

“Se for para todos, deixa de ser luxo, e logo surgirá um nova geração de bens para poucos. (…) Os economistas inventaram uma categoria útil para designar o fenômeno. Trata-se do “bem posicional“: o valor dele está ligado ao fato de que você tem e os outros não. “

Para pensar não é mesmo?

Quer um exemplo? Veja a Victorial Ballon Black na foto abaixo. Ela é uma das novas-velhas bikes de luxo que tiram suspiros de muita gente. Ela e os outros modelos importados chegaram ao mercado brasileiro com preços entre 3 e 6 mil reais.

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Em outros momentos da entrevista o escritor comenta também a felicidade (“Os pobres e os ricos podem sentir-se mais felizes com o aumento de renda” [do que a classe média para quem] … As necessidades já estão atendidas e se a renda aumentar não trará mudanças significativas no bem-estar“) e a ostentação (“O desejo de exibir posses ou talentos faz parte da condição humana“).

E um alerta para quem leu tudo isso e pensou: “ainda bem que eu não ostento!“.

“O mecanismo [da ostentação] é tão sutil que não ostentar pode ser uma forma mais avançada de ostentação. Não dá para escapar assim tão fácil.”

😉

P.S. O economista, que não tem carro e leva uma vida de “luxo despojado e simplicidade“, escreveu, em 1980, o livro “Energia, Proálcool e transportes”, no qual defendia transporte coletivo e uma teoria econômica mais voltada à natureza.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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