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A fotomontagem é do Lulu, aplicativo de relacionamentos para Android e iOS, está chamando a atenção na rede. Com conexão com o Facebook, o app é exclusivo para as mulheres avaliarem os rapazes do seu círculo de amizades.
O imbroglio é que o aplicativo para mulheres avaliarem homens (o Lulu) foi a desculpa para os homens criarem um no qual vão avaliar as mulheres (o Tubby).
Neste post tem uma visão do caso.

“A gente precisa ver”, diz uma intervenção nos muros de São Paulo. Mas nós estamos tão ocupados taxando as pessoas, que esquecemos do básico: o outro não se limita ao que a gente acha, na verdade, nós é que nos limitamos a medida que o julgamos. Explico: a nossa opinião não define quem é o que, mas deixa claro quem nós somos e como enxergamos o mundo. Ou melhor, como optamos por não enxergar e apenas limitar nossas relações a primeiras ou últimas impressões, sem perceber que boa parte do que achamos sobre o outro tem mais a ver com as nossas próprias “lentes”.

Quando o Lulu surgiu aterrorizando os homens, confesso, achei engraçada a reação deles. Por estar acostumada – não sem certo desconforto – a ser “avaliada” desde sempre, por estranhos e intímos, vi com certo desdém as reclamações masculinas. Mas uma coisa no aplicativo me deixou preocupada: a ideia de que podemos avaliar o outro como uma coisa, imutável e limitada a tags. “Ah, mas isso sempre existiu nas rodas de amigos”, sim e não. Ao ouvir pessoalmente a avaliação de uma amiga sobre uma pessoa com quem ela está saindo, por exemplo, eu automaticamente pondero quem e como ela é com o outro. Porque é óbvio que o relato dela, assim como da relação que eles têm, é uma construção coletiva e não individual. O outro não é o que ela acha sozinho, mas sim, em sua presença e nas interações que eles têm. No anonimato de um aplicativo, isso é completamente ignorado e várias distorções são alimentadas. Jogo no outro a responsabilidade pelo o que eu acho dele, de forma covarde e infantil.

tubby avalia mulheres

No Tubby esse conceito ganha traços ainda mais egoísta e rasos. Apesar de não ter sido lançado, o que se diz sobre o aplicativo é que nele homens avaliarão o desempenho sexual das mulheres e seus atrativos corporais. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que ninguém é bom de cama sozinho, que em uma relação sexual a dois (três, quatro…), uma pessoal não é mais ou menos responsável pela satisfação do outro e que há vários fatores externos que podem influenciar no “resultrado final”. A menos que você esteja começando sua vida sexual agora, já deve ter notado isso. Assim como já deve ter notado que a intimidade dá mais liberdade na cama e fora dela. E que isso é uma delícia, mas só acontece quando há confiança entre os envolvidos. Como, então, avaliar o desempenho do outro, sem que isso reflita também a sua performance? “Ah, mas no sexo oral dá”. Será mesmo? Mais ou menos higiene influenciam. Mais ou menos pressão e expectativa também. A sua ereção, rapaz, e o tempo que você demora para gozar, veja só, podem piorar ou melhorar a experiência… São tantas as variáveis que é preciso ser muito inexperiente ou imaturo para achar que é “culpa” do outro o sexo ter sido bom ou ruim.

Quanto às avaliações físicas, que acontecem o tempo todo contra as mulheres e, às vezes, contra os homens, também refletem muito mais as preferências de quem faz, do que as “qualidades e defeitos” de quem é avaliado. O conceito de beleza é tão relativo e pessoal, que acaba não significando nada quando é utilizado de forma anônima. E, digo mais, se aproveitar do anonimato para descontar no outro suas frustações por ele(a) não ter sido o que você esperava, é uma forma muito baixa de não assumir sua própria responsabilidade pelo que sente e pelas escolhas que faz. A outra pessoa não invadiu a sua vida, lembra?

Você que a trouxe para dentro, mesmo sem vê-la. Talvez seja esse o erro.

[Nota da editora] Para quem quer conhecer o Lulu, clique aqui:
Para quem quer fugir do Tubby, cuidado: especialistas dizem que o descadastro do Tubby, app que ‘avalia mulheres’, pode expor ainda mais.

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@talitaribeiro

Apaixonada por palavras e viagens, gestora em formação, jornalista não praticante, esposa, amiga, prima-irmã, filha, neta, futura tia e mãe.

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