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Rota em ação. Notícia de 2013. 📷Danilo Verpa

Há 11 anos, quando mudei para São Paulo, li o livro Rota 66 – A História Da Polícia Que Mata – Caco Barcellos. Eu tinha lido Abusado – O Dono do Morro Santa Marta, livro que ele lançara em 2003, e achei que Caco seria uma referência boa para eu entender parte do que ouvia nas conversas com moradores da nova cidade.

Gosto do modelo de reportagem investigativa do jornalista, que anos depois lançou o projeto “Profissão: Repórter” e eu tinha muita curiosidade sobre o Comando Vermelho. O livro trata da a entrada deles na favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, e da formação de uma geração de traficantes.

(Para quem não sabe ou não lembra, o Comando Vermelho surgiu quando, na Ditadura Militar, juntaram presos políticos e bandidos comuns nos presídios cariocas. Há um filme sobre isso)

Lembrei dos livros de Caco porque estou com um semelhante na minha estante virtual, uma das próximas leituras no meu E-Reader: 

Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação

Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação   Ao longo de 16 artigos, Bernardo Kucinski faz um convite e uma provocação  ao debate público sobre o tema e traz propostas para reverter o quadro.

Ao longo de 16 artigos, Bernardo Kucinski faz um convite e uma provocação  ao debate público sobre o tema e traz propostas para reverter o quadro.

A publicação faz parte da coleção Tinta Vermelha, da Boitempo Editorial, editora que me era desconhecida, mas que completou 20 anos de atividade em 2015, em parceria com o portal Carta Maior a coletânea Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação, de . É o quarto volume da coleção Tinta Vermelha. 

E para quem se interessou, deixo também detalhes do livro que citei antes:
Vencedor do prêmio Jabuti de 1993, ‘Rota 66 – A história da polícia que mata’ é uma rigorosa investigação sobre o trabalho da Polícia Militar de São Paulo entre as décadas de 1970 e 1990

Rota 66 - Sabem aquela história de que morte de pobre não dá notícia? Pois de certa forma a premissa é essa.

Rota 66 – Sabem aquela história de que morte de pobre não dá notícia? Pois de certa forma a premissa é essa. 📷 Acervo pessoal.

Partindo da morte de um grupo de jovens de classe média de São Paulo por uma ação de uma unidade das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), uma unidade especializada da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Caco Barcellos cria um elo entre essa investigação e tantos outros assassinatos sem explicação realizados pela polícia.

A Rota era tida na periferia como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio, um esquadrão da morte responsável pela morte de milhares de pessoas. A maioria delas inocente!
A Rota era tida na periferia como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio, um esquadrão da morte responsável pela morte de milhares de pessoas. A maioria delas inocente!

(Sim, é aquela polícia sobre a qual o descarado do Paulo Maluf se ufanava nos programas eleitorais dizendo “na minha época era diferente, tinha Rota na rua”!)
O livro parte das origens da criação de um sistema mortal de extermínio, demonstra seus métodos, desvenda sua consciência. Caco denuncia seus métodos de atuação e mostra como o sistema incentiva esse tipo de ação. Resultado de um rigoroso processo de investigação jornalística, este livro emblemático assume proporções de uma grave denúncia social. Armado de dados incontestáveis que surgiram de um trabalho de pesquisa de cinco anos, Barcellos desmonta as engrenagens da Rota e o perfil de seus principais matadores.

É um livro essencial para quem quer repensar o país, pois nos mostra o que não queremos nunca mais!


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