Manual para o uso não sexista da linguagem: o que bem se diz, bem se entende!

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Quando meus meninos eram pequenos notei que eles estavam falando “obrigada”, repetindo meu jeito de falar com os outros. Assim, adotei por alguns anos a versão masculina do agradecimento, falando “obrigado”. Agora, como mãe de uma menina que está aprendendo a falar, me pego falando uma mistura, por vezes obrigadO, outras obrigadA.

Na verdade, tudo seria mais fácil se a gente não criasse gênero para coisas corriqueiras, não é mesmo?

Por que estar grato tem que ser no feminino ou no masculino?

Teremos como alterar esta forma como manifestamos sentimentos, reproduzimos ideias ou expressamos opinião?

Creio que sim!

Ainda no primário eu discutia com a professora da segunda série porque queria falar as palavras em comum de dois. Talvez seja por este lado rebelde, meio feminista, que escolhi uma profissão que não tem gênero e cujo substantivo na verdade é sempre terminado em “A”, como se fosse “no feminino”: jornalista.

E esta discussão, assim como aquela que tirou do vocabulário de bom tom expressões preconceituosas – como judiar (que remete aos sofrimentos dos judeus), “a coisa ficou preta” (que remete ao sofrimento dos negros) e etc – chegou ao mundo acadêmico com resultados práticos.

O Governo do Rio Grande do Sul divulga um “Manual para o Uso Não Sexista da Linguagem” com o objetivo de proporcionar tratamento equitativo entre mulheres, homens e transgêneros.

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A ideia é disseminar a utilização da linguagem sem generalizações por meio de um manual produzido em parceria pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Comunicação, Casa Civil, Repem-Lac e o grupo de trabalho instituído através do decreto nº 49.995, de 27 de dezembro de 2012.

A linguagem e as escolhas semânticas muitas vezes são maneiras indiretas de expressar uma opinião. A língua portuguesa como a conhecemos hoje foi construída e consolidada numa época em que as mulheres não podiam sequer sonhar com a igualdade de direitos, que dirá reivindicá-la na prática.

Por isso, algumas regras – como por exemplo o uso do masculino como gênero universal – acabaram por tornar-se comuns e, durante muito tempo, não foram questionadas. Hoje, com o avanço da luta pelos direitos das mulheres e do esclarecimento crescente acerca das questões de gênero, a revisão de alguns hábitos e costumes torna-se urgente.

O acesso ao material é gratuito e o download pode ser feito pelo link. Vamos repensar nossa linguagem?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.