Limites e respeito em família

Nos mais de dois anos em que fui articulista no Mãe com filhos recebemos muitas perguntas sobre limites dos filhos, com pais que se dizem perdidos diante da cansativa tarefa de colocar limites no cotidiano dos filhos. Afirmações como “não me obedece a não ser por ameaça” ou “já cheguei bater nela, por de castigo, mas ela so piora” são uma demonstração que de a pessoa chegou ao seu limite. Como pais nós também temos direitos, também chegamos ao limite e cansamos de tanto repetir as mesmas ordens, sugestões, orientações sem sermos ouvidos.

Ainda tenho momentos assim com meus filhos, mas sofri mesmo quando eles estavam na “pior idade”, ou seja, a fase do reizinho, entre 2 e 4 anos. Gosto muito de ler e foi nos livros que achei soluções para nossa convivência. O livro que me ajudou muito a compreender a importância de estabelecer, manter e respeitar os limites, tanto deles quanto meus, foi Limites sem Trauma, da filósofa, mestre em Educação e professora da UFRJ Tânia Zagury (que tem um site com conteúdo muito bom aqui ). Inclusive, acabo de indicar para minha irmã, que está começando a sofrer com a manha do meu sobrinho, de pouco mais de um ano.

Tânia Zagury foi a pioneira em tratar dos limites na educação dos filhos, exatamente quando todos os profissionais da área defendiam a liberdade total para as crianças, com o propósito de não traumatizá-las.Precisamos de um pouco de história para compreender: até os anos 1960 a educação se baseava na repressão e no autoritarismo dos pais, linha que foi substituída por uma tendência à liberalização que acabou conduzindo à falta de limites. Pesquisando os resultados desta mudança nas famílias brasileiras, Tânia alertava no livro “Sem padecer no paraíso “, em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos (resultado de uma pesquisa feita em 1989 com 160 pais) acerca das conseqüências sociais da liberdade excessiva que estava sendo dada às crianças. Os pais que foram reprimidos como filhos, continuaram a ser reprimidos como pais e a liberdade se confundiu com falta de autoridade. A autora também deixa um apelo nas suas entrevistas sobre o tema, afirmando que “a coisa mais importante é redirecionar os pais para o seu verdadeiro papel, o de educadores.”

Se você está vivendo esta situação, lembre-se de que tanto você quanto seu companheiro e seu(s) filho(s) têm direitos e deveres na família e que uma condição para viverem em harmonia é respeitarem uns aos outros. Ensinar nossos filhos a respeitar as regras da boa convivência em família e tentar atender às necessidades de cada um é um dos maiores legados que deixaremos a eles como cidadãos. E com uma boa conversa, atitude firme (de quem não volta atrás porque tem certeza de estar certo) e amor vocês conseguirão passar por esta fase sem precisar cair na tentação de experimentar tapinhas ou castigos físicos para se fazer respeitar.

P.S.Um truque que eu uso quando fico em dúdiva sobre isso é me perguntar como eu reagiria se estudasse ou trabalhasse com uma pessoa como meu filho. Na hora eu percebo se o ensinamento é necessário ou não para ele ser feliz e realizado no futuro.

[Texto originalmente publicado no Mãe com filhos em 11/03/2009]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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