Liga da Canela Preta

Ontem assisti no Esporte Espetacular uma matéria de Tino Marcos sobre uma liga que é uma prova de resistência brasileira, válida até para pensarmos na postura que nosso país deve adotar quanto a questões combatidas como as cotas raciais. O jornalista contou que em meados da década de 1920 os negros eram impedidos de atuar nos clubes do Rio Grande do Sul  e que, para jogar, eles fundam um torneio próprio só com jogadores da raça negra.

Para quem não lembra, os negros gaúchos são fora do padrão. Por que eu falo isso? Primeiro porque conheço pessoalmente um dos líderes do movimento racial lá, um grande amigo da família do Gui. Segundo porque o Gui mesmo sempre me fala como eles foram para nós, na época da Guerra do Paraguai, o que os Buffalo Soldiers foram nos EUA na Guerra da Secessão. Como o Brasil colônia não tinha fazendas de café, minas de ouro nem canaviais no sul do Brasil -região que ficou em litígio, como sabem, naquela luta sobre a qual tem livros incríveis do Erico Verissimo – não tinha mão de obra negra escrava por lá. Mas eles chegaram com força e ficaram como homens livres na época da Guerra do Paraguai, pois receberam a promessa de liberdade caso lutassem – e sobrevivessem.

Foi sob este ponto de vista que eu vi a matéria ontem. E ficamos Gui e eu conversando sobre o futebol brasileiro no século XX, que ficou marcado pelo maior jogador de todos os tempos, Pelé, um negro, mas começou com histórias como a Liga da Canela Preta. No meu estado uma história racista determinou o apelido de um dos times da capital. As más línguas dizem que os jogadores (e hoje os torcedores) do Coritiba são chamados de Coxa Branca porque o time, fundado por alemães, não aceitava jogadores “de cor” por muitas décadas. Mas ahistória oficial dá conta de que

“O apelido nasceu em 1941. Foi na decisão do campeonato paranaense daquele ano, na primeira vez que a dupla AtleTiba disputou uma final.
O mundo vivia Segunda Grande Guerra Mundial e o cartola Jofre Cabral e Silva decidiu agitar o clássico, com uma provocação: “Quem for brasileiro deve torcer pelo Atlético“. 
O Coritiba tem até um alemão no elenco, o Breyer, aquele COXA BRANCA” – teria vociferado o dirigente atleticano. Hans Hergon Breyer, teve sua carreira abreviada no futebol por causa por causa do rótulo que lhe impuseram. Torcedores do Atlético o chamavam de quinta coluna e coxa-branca.”

De uma forma ou de outra, o time ficou marcado como o que valorizada os que tinham a pele alva – e sobre esta vontade de branquear o Brasil começando pelo Paraná eu já falei quando contei que os japoneses não foram autorizados a migrar para lá (chegaram ao estado somente depois, já como proprietário de terras, mais baratas que as paulistas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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