Café Sem Palavras, Hand Talk e LIBRAS

deficiencia-auditiva

Você sabia que mais de 9,7 milhões têm deficiência auditiva no Brasil?

Mas só em 2002, por meio da sanção da Lei n° 10.436, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como oficial no país.

São consideradas pessoas com deficiência auditiva aquelas com perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais. E a acessibilidade para surdos ainda é um desafio. Essa parcela da população ainda enfrenta dificuldades para conseguir realizar atividades cotidianas.

A questão ultrapassa fronteiras.

A surdez pode ser tanto adquirida quanto hereditária. Infecções contraídas durante a gestação, além de remédios e drogas podem provocar má-formações no sistema auditivo do bebê. Além disso, infecções e traumatismos cranianos também podem levar crianças à desenvolverem a surdez. Na idade adulta, acidentes de trânsito e de trabalho podem desencadear o quadro.

A assessoria da Ford me mandou um vídeo que mostra um exemplo de inclusão deste grupo na Alemanha, terra dos meus ancestrais por parte de mãe. Estima-se que em 2025 cerca de 90 milhões de pessoas na Europa terão algum tipo de deficiência auditiva.

cafe-ohne-worte

Pensando neste grupo, os alunos da Universidade de Cologne, na Alemanha, criaram o Café Ohne Worte (Café Sem Palavras, em tradução livre), um projeto de comunicação sem barreiras no qual os clientes foram incentivados a fazer os pedidos em linguagem de sinais para os garçons e garçonetes, criando um ambiente inclusivo onde esses clientes pudessem se colocar no lugar das pessoas com perda auditiva.

Esse projeto é um dos vencedores do Ford College Community Challenge 2017, um programa da Ford que subsidia programas de liderença de alunos voltados para a construção de comunidades sustentáveis – e, claro, um dos objetivos é gerar empatia. Este vídeo conta um pouco mais sobre essa iniciativa:

Vocês já pensaram como os deficientes auditivos se ajustam ao mercado de trabalho? Desde que conheci o projeto Hand Talk, um dos presentes que o Social Good Brasil me deu em 2015, tenho acompanhado as novidades tecnológicas que realmente inserem socialmente e profissionalmente muita gente boa! Na época era uma startup, hoje é o maior tradutor do mundo para Língua de Sinais.

O vídeo abaixo mostra um caso, mas são muitos e lindos.

O que aprendi com o Ronaldo e a Carolina, do Hand Talk, foi que é possível inserir essa nova linguagem em vários setores da sociedade. Um exemplo? Acessibilidade Cultural! Veja este e-book gratuito que orienta sobre isso!

gente-que-conversa-em-libras-hand-talk

Imaginem uma criança surda podendo participar de uma contração de histórias num museu! No Hand Talk descobri que um projeto chamado Leituras na Roda para Surdos, uma oficina cultural de capacitação e promoção da leitura para o surdo e o intérprete de LIBRAS,  fez um crowdfunding de uma oficina para surdos!

Ou uma pessoa frequentando um culto religioso? Na comunidade que eu frequento, a IBAB, há uma primeira fila preferencial para deficientes auditivos e intérpretes de Libras trabalham incessantemente para transmitir tanto a mensagem quanto os louvores. Se você nunca “ouviu” uma música interpretada, pare e veja o vídeo. É emocionante ver como o intérprete passa a emoção.

E se você quer saber um pouco mais, deixo uma dica que na verdade eu preciso transformar em post: a série Switched at Birth, que neste ano está na sua última temporada. Além do óbvio tema – trocadas no nascimento, nome da série em inglês – a série aborda, em profundidade e sem clichês ou esteriótipos, a temática da surdez.

A história é sobre duas meninas que foram trocadas na maternidade, separando-se de suas famílias biológicas e que acabam se vendo morando juntas aos 16 anos. A série tem um pouco de drama, comédia e romance.

 

Bay Kennish (Vanessa Marano) é uma artista e luta para ser reconhecida pelos pais de criação; Kathryn Kennish (Lea Thompson) uma dona-de-casa que não gosta de ficar mal falada pelos vizinhos esnobes, e John Kennish (D. W. Moffet) um jogador de beisebol aposentado. Bay tem um irmão, Toby (Lucas Grabeel), que é músico. O sucesso na carreira de John é o que o faz ter muito dinheiro, deixando a família Kennish morando na vizinhança rica da cidade.

Daphne Vasquez (Katie Leclerc) é surda (devido à meningite, doença que teve quando criança), e estuda em um colégio especial para surdos, mas ela consegue se comunicar com as pessoas ouvintes desde que tenha contato visual, para que ela possa fazer leitura labial. Ela mora na vizinhança hispânica da cidade com a mãe Regina (Constance Marie), uma cabeleireira orgulhosa que já teve problemas com álcool, e sua avó. Apesar de certas divergências, as famílias vão tentando se acertar e conviver, para que as mães conheçam as filhas biológicas.

É uma adorável novelinha! Graças a ela, minha filhinha sabe que se fala com as mãos e desde pouco mais de 1 aninho imita sinais, numa empatia que todo mundo merecia ter!

Eu assisto na Netflix, mas passa também na Sony. E já estou chorando de saudade a cada update deles!

 

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.