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Primeiro dia do mês, segundo mês do ano e você começa a pensar no que não conseguiu cumprir e no que quer realizar até o final de dezembro? Nesta toada, bateu uma leve depressão? Tenho uma sugestão: além de melhorar a dieta, cuidar do sono e sair da inércia do sedentarismo (coisas básicas para se sentir bem!), volte a ler livros. Não é papo de mãe. Ler faz bem, proporciona aos leitores inúmeros benefícios intangíveis e agora tem comprovação científica.

Investigadores da Universidade de Roma 3, em Itália, realizaram um trabalho com cerca de 1.100 pessoas para encontrar a resposta para duas questões:

Quem lê livros é mais feliz do que quem não lê?

A leitura melhora o nosso bem-estar?

Depois publicaram os resultados no artigo “The Happiness of Reading“, comprovando que os leitores são mais felizes e encaram a vida de forma mais positiva que os não leitores.

De forma bastante empírica, baseada apenas na minha observação e experiência de vida, eu já diria que quem lê tem mais perspectiva de mundo. Não só entende melhor o mundo à sua volta, como encontra alternativas, saídas, possibilidades. Isso por si só já traz mais felicidade – ou encontra um jeito de sair da infelicidade!

Mas os pesquisadores fizeram um estudo com metodologia.

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A pesquisa é dividida em tópicos e o primeiro deles aponta que quem lê é mais feliz do que quem não lê. Para chegar a tal conclusão, utilizaram uma escala proposta pelo sociólogo holandês Ruut Veenhoven, que mensura o grau de felicidade das pessoas entre 1 e 10. Os leitores tiveram uma pontuação 7,44, enquanto os não leitores, 7,21, diferença tida como significativa pelos pesquisadores. Talvez você não se lembre do nome de Veenhoven, mas certamente já ouviu falar do quoeficiente de felicidade interna bruta. Veenhoven utilizou uma escala de 1 a 10 para medir o grau de satisfação da população em 68 países – apesar de manter uma postura científica, ele reconhece que não é possível tratar a condição com tanta objetividade – e foi assim que o mundo ficou sabendo que o Butão, um pequeno país budista, localizado entre a China e a Índia, existia e que criou um índice chamado de Felicidade Nacional Bruta (FNB), para se contrapor ao já conhecido Produto Interno Bruto (PIB). Ele leva em conta fatores como o desenvolvimento sócio-econômico duradouro e equilibrado, a preservação do meio ambiente, a conservação e promoção da cultura e a competência governamental.  

felicidade interna bruta

Como uma outra forma de mensurar a felicidade, também usaram a escala de Cantril – conhecida como a de Bem-Estar Subjetivo -, na qual os leitores ficaram com 7,12 e os não leitores, 6,29, numa métrica igual a de Veenhoven.

Segundo a pesquisadora Claudia Hofheinz Giacomoni, da Universidade Federal de Santa Maria, o bem-estar subjetivo (BES), é uma área que “cobre estudos que têm utilizado as mais diversas nomeações, tais como: felicidade, satis- fação, estado de espírito e afeto positivo, além de também ser considerada a avaliação subjetiva da qualida- de de vida. Refere-se ao que as pessoas pensam e como elas se sentem sobre suas vidas. Perspectivas atuais definem o bem-estar subjetivo como uma ampla categoria de fenômenos que inclui as respostas emocionais das pessoas, domínios de satisfação e os julgamentos globais de satisfação de vida.” E a pesquisa italiana trazia outra escala: a de Diener & Biswas, que vai de 6 a 30, e é frequentemente usada para medir a satisfação da vida como um todo. Com essa, os pesquisadores italianos puderam analisar a diferença na maneira que leitores e não leitores vivenciam sensações positivas e negativas. Quem lê tem uma percepção maior de emoções como felicidade e contentamento (21,69 X 20,93), enquanto quem não lê sente mais sensações como tristeza e fúria (17,47 X 16,48). Mesmo sem escalas, eles também constataram que os leitores são pessoas mais satisfeitas com a forma como usam o seu tempo livre, que a leitura é o que há de mais importante nas horas de ócio e que, no entanto, ler é apenas a quarta atividade que mais realizam enquanto não estão trabalhando, ficando atrás de praticar esportes, ouvir música e ir a eventos culturais como exposições, teatro ou cinema.

Bookcity evento literario em milao italia

Não foi à toa, claro. A pesquisa foi encomendada ao Cesar / Roma 3 University pelo grupo editorial GeMS (Gruppo Editoriale Mauri Spagnol , o terceiro maior da Itália) que, para comemorar seus dez anos de funcionamento, quis apresentar dados no Bookcity, um evento literário em Milão. E trata-se de uma amostra da população italiana. Só não vale exagerar!

 

 
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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