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Urashima Taro era um pescador japonês que um dia salvou uma tartaruga que estava sendo maltratada na praia por alguns rapazes. Tarō a salvou dos meninos e retornou-a ao mar.

No dia seguinte, uma tartaruga enorme se aproximou dele e lhe disse que a pequena tartaruga que ele salvara era na verdade a filha do Imperador do Mar, que gostaria de vê-lo e agradecer-lhe. Ela permitiu que ele subisse em suas costas e, através de magia, fez surgir brânquias em Taro para que ele pudesse respirar debaixo d’água. Assim pôde levá-lo a uma viagem para conhecer o fundo do mar e o palácio do rei-dragão, Ryūgū-jō (竜宮城 ou 龍宮城). Lá o pescador se encontrou com o imperador e com a sua filha, a pequena tartaruga, que agora estava transformada em uma bonita princesa.

Ilustração de Urashima Tarō feita por Edmund Dulac.

Taro ficou no palácio como hóspede de honra e muitas festas foram feitas em sua homenagem. Assim foram se passando os dias. Embora feliz nas águas marinhas, Urashima começou a sentir saudades de sua terra natal e de seus parentes, e pediu para voltar. Ao partir, recebeu da princesa uma arca de presente, com a promessa de que só a abrisse quando ficasse bem velho e de cabelos brancos.

Ao chegar em sua cidade não a reconheceu, pois estava tudo muito mudado. Ele não conseguiu reconhecer nenhuma das pessoas da vila, os lugares já não eram mais os mesmos.

Começou a perguntar se ninguém conhecia um pescador chamado Urashima Tarō. Algumas pessoas disseram que tinham ouvido falar de alguém com esse nome, que havia desaparecido no mar muitos anos atrás. Taro acabou descobrindo que haviam se passado trezentos anos desde o dia em que havia decidido ir ao fundo do mar.

Tomado de grande tristeza, foi para a beira do mar na esperança de reencontrar a tartaruga, mas desesperou-se porque esta demorava e acabou abrindo a caixa que a princesa lhe havia oferecido. De dentro dela saiu uma nuvem de fumaça branca, que o envolveu. De repente, seu corpo tornou-se velho e enrugado, nasceu-lhe uma longa barba branca e suas costas curvaram-se com o peso de tantos anos. E do mar veio a voz doce e triste da princesa: “Eu lhe disse para não abrir a caixa. Nela estavam todos os seus anos …” A caixa continha a “eterna juventude” de Urashima Taro e o pescador, sem reconhecer seu valor, deixou-a ir-se para sempre.

 

Trago essa lenda japonesa neste Dia das Mães para homenagear minha Batian. Matsudo, mãe de meu pai, nasceu num 10 de maio de 1902, em Niigata, Japão.  Ela era exímia contadora de histórias, que sempre acompanhavam um teatro mágico com suas mãos e musicas japonesas ligadas ao conto que ela ia traduzindo aos poucos para os netos. Lembro dela, já perto dos 80 anos, cantando animada para nós, sentada no chão da sala como uma criança em meio aos netos.  
Tento repetir algumas dessas coisas como mãe e espero ter a chance de viver isso um dia como avó e bisavó!

🙂 

  
Se você gostou da história, recomendo um livro infantil muito delicado que reconta a lenda. Urashima Taro, de Ana Lúcia Brandão com ilustrações lindas de Guilherme Vianna, é da Editora Paulinas. 

  

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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