Como algo simples como lavar as mãos mudou a história da humanidade

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O quadro Semmelweis—Defensor da Maternidade, de Robert Thorn, apresenta Semmelweis na sala de parto de um hospital.

Moro numa casa com três homens, então, claro que se a TV não está ligada nos canais esportivos, está nos de documentários. Desde pequenos os meninos (hoje com 10 e 13 anos) são companheiros do pai em canais que falam de aventuras ao ar livre, saúde e história, o que nos cria oportunidades de conversas interessantes e também nos faz suar a camisa para respondermos adequadamente às questões nos minicientistas.

Na semana passada meu filho se interessou por uma série que mostrava a realidade dos hospitais de Londres na virada do século passado. Curiosamente foi quando meus avós nasceram (em 1899 e 1904), o que nos fez criar um link imediato com o assunto. Aproveitei para estudarmos o tema e foi uma surpresa rever com ele os avanços que uma simples mudança no cotidiano dos hospitais trouxe para a saúde da humanidade toda: lavar as mãos.

Meu filho nem acreditava no que líamos ou víamos na internet, mas a verdade é que, mesmo com o avanço do conhecimento do corpo humano e das doenças, levou muito tempo até que a prática médica real avançasse e os tratamentos médicos ao redor do mundo passassem a mesclar higiene com dieta, exercícios físicos e estilo de vida. Por muitos séculos o ato de lavar as mãos foi um ritual mais religioso ou ligado à etiqueta social do que de fato uma prática relacionada à higiene. Assustador, não? A história nos conta que a importância desse ato para o controle de doenças só foi compreendida em 1847, quando o médico austríaco Ignaz Semmelweis (1818-65) percebeu que a alta incidência de febre e doenças entre as mulheres que haviam acabado de dar à luz em hospitais tinha relação com as mãos sujas dos médicos que realizavam o parto, que atendiam outros pacientes e até realizavam autópsias sem lavar as mãos entre os atendimentos! Quando ele instituiu normas rigorosas para a limpeza das mãos, a taxa de mortalidade caiu vertiginosamente, mas nem mesmo Semmelweis entendia o motivo disso e algumas décadas se passaram até que se descobriu que muitas doenças são causadas por germes.

Décadas depois, em meio à revolução industrial, as epidemias de febre tifóide, disenteria e febre amarela (comuns na época, quando a mortalidade infantil era extremamente alta), William Hesketh Lever criou uma fórmula de um sabonete que pudesse combater os germes e fosse acessível a todos, principalmente aos mais pobres, criando em 1894 a marca Lifebuoy (que significa “salva-vidas”) como um sabonete desinfetante (o primeiro do mundo com ácido carbólico, o fenol, um ingrediente revolucionário descoberto na década de 1860).

No Brasil do século XX esta ideia ainda demorou para ganhar força e ainda hoje muitas crianças sofrem por falta exatamente disso. A Pastoral da Criança atua em comunidades (poucos sabem, mas com apoio do sabonete salva-vidas) e tem orientado pais e crianças sobre a importância das mãos limpas na escola, na hora da alimentação e em outros momentos de uma infância saudável. Em países em desenvolvimento, como Bangladesh, ainda há movimentos importantes ligados à educação e alimentação infantil que relembra este hábito simples que pode salvar vidas, como podemos ver na imagem abaixo, update do World Food Programme, da ONU.

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Aproveitei esta imagem de estudantes asiáticos para mostrar aos meus filhos como atitudes cotidianas simples não só mudaram a história da humanidade, mas continuam tendo enorme significado em todo o mundo.  Quando eles crescem (como os meus meninos, de 10 e 13 anos) e começam a ganhar muita independência, é hora de relembrar o valor de cuidados assim, que representam o que aprendemos de bom na infância e que nos garantirá uma vida segura e saudável para sempre.

Ao relembrar ao filho que chega sozinho da aula, “lavou sua mão?”, estamos ensinando a relaxar ao chegar em casa, a deixar fora as pressões do cotidiano, numa atitude que hoje cuida da sua saúde física, amanhã será um cuidado para a saúde mental.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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