cidadania / entretenimento

“Sem nenhuma ligação política ou religiosa, Gaston Gallimard só tinha uma ambição: reunir, sob sua grife os maiores escritores”
Michel Winock, historiador, resumindo a motivação do fundador da editora que completa 100 anos em 2011

Se eu estivesse em Paris daqui a algumas semanas visitaria a editora Gallimard (Les Editions Gallimard) já na rua que, a partir de 15/06, passará a ter o nome do fundador de um dos símbolos da universalidade do espírito literário francês.

Conheci a editora dos tempos do curso de francês, através das publicações da Folio, de livros de bolso, e de clássicos que li por força minha professora do idioma, Ariete Scheremeta. Como Ariete (uma professora em vias de se aposentar quando me deu aulas, de 1990-92) e eu, várias gerações devem parte de sua cultura à editora que completa 100 anos de funcionamento ininterrupto e soube se reinventar para se manter em funcionamento e agradar a gregos e troianos.

“Costuma-se dizer, nos meios editoriais, que o sucesso da Gallimard se deve, sobretudo, ao fato de que a editora foi criada sem apego a linhas ideológicas, e sempre aberta aos diferentes estilos e movimentos literários, como o surrealismo e o existencialismo, sem levantar a bandeira de nenhum tipo de causa”, relembra Daniela Fernandes em artigo recente sobre o centário da editora.

Quer ver como a maioria de nós teve influência da editora? Na imagem conta a lista dos mais vendidos da Gallimard em 2010 e o primeiro é O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry), seguido de duas obras de Albert Camus (O Estrangeiro e A Peste) e algumas de Jean-Paul Sartre e Ernest Hemingway.

E é do número 5 da (atual) rue Sébastien-Bottin que eu me despeço dos posts oficiais desta semana em Paris. Um lugar simbólico, nos arredores do Museu d’Orsay, e que representa muito do que a cidade significou sempre para mim, uma fonte de cultura que não é erudita ou excessivamente culta, mas aberta para mesclar o velho e o novo, a reunir em si elementos para convidar a um pensamento que tem começo, mas não fim, sobre o propósito de nossa presença e existência humana no mundo que compartilhamos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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