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Todo mundo já ouviu falar do Kama Sutra. Pode até (será?) nunca ter olhado o livro, mas o nome já chegou ao seu ouvido em algum momento.

Kamasutram (Sânscrito: कामसूत्र) é um antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, amplamente considerado o trabalho definitivo sobre amor na literatura sânscrita. A primeira menção ao Kama Sutra acontece em algum momento entre os séculos I e IV d.C. e o texto foi escrito em sânscrito, a língua literária da Índia antiga,  pelo filósofo Vatsyayana, como um breve resumo dos vários trabalhos anteriores que pertencia a uma tradição conhecida genericamente como Kama Shatra.

Dito isso, chego a uma entrevista que li relacionando o livro antigo ao feminismo. Isso mesmo, uma cientista afirma que naquela sociedade que até hoje a gente considera retrógrada e opressora, com sistemas de castas e uma composição familiar que privilegia os homens, surgiu um livro que defendia os direitos das mulheres. Aliás, um direito que eles consideram inalienável, que é da busca pela felicidade e da satisfação.

E, afinal, quem já leu o Kama Sutra vai admitir que o texto indiano não descarta as necessidades sexuais femininas. Seguindo esta linha, a americana Wendy Doniger, especialista em estudos indianos na Universidade de Chicago e tradutora de uma das versões recentes do livro, defende que a obra pode ter sido “mal entendida” e vai muito além de posições sexuais.

Em seu livro “The mare’s trap: nature and culture in the Kamasutra”, recém-publicado na Índia e ainda sem tradução para o português, a autora lembra que a primeira tradução para o inglês foi feita por Sir Richard Burton, em 1883, e, como ele era conhecido por ser interessado em literatura erótica árabe, bem como indiana, talvez por isso possa ter lançado o livro com um olhar totalmente voltado para o sexo.

Ok, também não é um livro filosófico. Mas a estudiosa afirma que pode ser classificado como um texto de antropologia e sociologia, pois o Kama Sutra examina o mundo social de uma antiga cidade indiana, documentando seus costumes e valores. E, mais importante, ela defende que, para além do entendimento convencional do Kama Sutra como sendo um livro apenas sobre posições prováveis e improváveis na cama, o livro tem um texto “sofisticado” e “corajoso”, que pressupõe um tipo de liberdade sexual para as mulheres que ainda hoje causa controvérsia em sociedades conservadoras.

Me surpreendi quando ela afirmou que no livro há orientações claras como:

  • as mulheres casadas devem ter a responsabilidade financeira primária na casa
  • as mulheres podem deixar os maridos que não as tratam bem
  • o prazer das mulheres é uma parte essencial do ato sexual
  • o sexo não deve ser limitado à produção de bebês

E uma coisa que eu não sabia, mas olha, é justo hei? No dharma (os deveres morais e as responsabilidades de um hindu) da fertilidade, estabelecido em um antigo texto hindu, o Manusmriti, há uma afirmação de que o homem tem o dever de ter relações sexuais com sua mulher durante o período fértil dela.

Lembra o “Mas vós frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela” do Gênesis Judaico-Cristão, mas com um “direito” da mulher inserido aí, nas entrelinhas. 😉 

Parece que não tem nada a ver, mas acho que tem. O vídeo no qual Hanna Yusuf fala que meu hijab não tem nada a ver com opressão nos mostra também outro lado de culturas que a gente está longe de compreender porque não vivemos, não conhecemos de fato e que, por isso mesmo, não devemos julgar levianamente.

(aqui com legendas em português)

Posted by Não Me Kahlo on Quarta, 2 de setembro de 2015

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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