Juntos somos ótimos

Clarinha, interpretada por Joana Mocarzel, portadora de Síndrome de Down, e Francisco, personagem de Gabriel Kaufman, seu irmão na trama.
Clarinha, interpretada por Joana Mocarzel, portadora de Síndrome de Down, e Francisco, personagem de Gabriel Kaufman, seu irmão na trama.

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O livro de leitura da classe do meu filho mais velho no mês passado tratava da inclusão. Juntos Somos Ótimos, de Franz-joseph Huyaning e Verena Ballhaus (Editora Scipione), retratava uma sala de aula inclusiva daquelas de novela do Manoel Carlos. Cito-o a propósito porque um dos personagens era portador da síndrome de Down, assim como a Clarinha, personagem de uma das novelas ambientadas naquele Leblon dos sonhos de novela das oito.

Infelizmente os bairros, mesmo o Leblon, não são assim tão gentis com as pessoas diferentes e nem todas as escolas aceitam e atendem bem alunos de inclusão. Na escola dos meus filhos não há um sequer com dificuldade de locomoção (pudera, a escola tem vários andares só escadas para transpô-los), tampouco alunos com dificuldade de aprendizado. Mas conviver com o diferente não é fácil.
juntos somos otimos livros de inclusao social na escola

Como a personagem Sabrina que no livro acostumou-se a ajudar a cadeirante Bianca a ir ao banheiro no recreio, na escola antiga meu filho já foi a dupla de uma colega com diagnóstico grave de hiperatividade. Confesso que quando a mãe me contou, em meio a agradecimentos pela ajuda dele, eu fiquei num misto de orgulho dele (por ajudar tanto e ainda ser bom aluno) e de indignação com a escola que “se livrou” de um problema usando meu filho como assistente da regente da classe.

Ainda assim, eu repetiria várias vezes a experiência porque foi muito boa para a construção do caráter do meu filho. E deve ter sido importante para a colega. É importantíssimo que a capacidade de absorver o “diferente” e conviver de fato com ele – não só aceitar, fingir que não vê ou não criticar – é uma das habilidades que precisamos ensinar aos nossos filhos e que poderá ser até um dos diferenciais para eles no mercado de trabalho, na vida em familia, enfim, lhes dará capacidade de enriquecer no mais importante dos capitais: o humano.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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