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Não tenho seus olhos azuis, a pele clara e o cabelo puxando pro ruivo. Mas com muita honra carrego o sobrenome (Hoffmann) e sou herdeira da profissão do meu avô materno Juca Hoffmann.

Sua independência, a decisão de fazer mais por todos e o amor pela família também me parecem ser vocação natural que eu e meus primos compartilhamos.

De um jeito resumido, mas bem semelhante à história real que vivenciados em família, um artigo do jornal Diário dos Campos traça um perfil do meu avô.

No Jardim Los Angeles tem uma rua com o nome de um ex-prefeito, deputado e homem de imprensa que ficou marcado na história de Ponta Grossa. Seu nome de batismo era José, mas todos o conheciam como Juca Hoffmann.

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Juca nasceu em Ponta Grossa em 1904. Era filho de um comerciante de origem russo-alemã. Teve formação em colégios católicos como o Santana, o São Luiz e a Escola Coração de Jesus em São Paulo. Como jornalista era autodidata. Por três décadas dirigiu o jornal Diário dos Campos, que ele fez de tribuna, engajado em questões sociais e políticas. Era obcecado pela crítica, sem receio de expor suas opiniões. Por isso era popular entre as pessoas mais simples da comunidade e temido pelos inimigos pessoais. Juca Hoffmann começou sua carreira política como vereador em 1947 . Três anos depois foi eleito deputado estadual. Em 1955 assumiu a prefeitura de Ponta Grossa e em 1959 voltou à Assembleia Legislativa. Nessa época foi assessor de imprensa do governo Paulo Pimentel. Em 1962 ganhou mais um mandato à frente da prefeitura de Ponta Grossa. Como prefeito, Juca preocupou-se em remodelar a cidade. As ruas principais eram calçadas com poliedro, tinham canteiros com árvores separando as pistas e trânsito já congestionado. Durante sua administração foram remodeladas as principais praças da cidade e construída a Pça. Getúlio Vargas, que ganhou um jardim zoológico. Por muito tempo ela foi chamada de “Pça. dos Bichos”. Durante seu governo, Ponta Grossa ganhou as faculdades de Filosofia Ciências e Letras, Direito, Odontologia e Farmácia e Bioquímica. Eram os primeiros cursos da futura Universidade Estadual.

Em 1964 os militares assumem o governo federal e invadem todos os setores da vida pública, com perseguições e prisões arbitrárias. Um grupo deles se instalou na prefeitura de Ponta Grossa, interrogando diretores e chefes de departamento. Juca foi obrigado a assinar sua renúncia em 1966. Para justificar seu ato, sem levantar suspeitas, os militares o obrigaram a se candidatar novamente a deputado. Juca nem fez campanha. Tinha desistido da política. Nos seus últimos anos trabalhou na Rede Ferroviária Federal. Com medo dos militares, os amigos se afastaram. Juca nunca juntou riqueza. A herança que recebeu do pai foi gasta em investimentos na política e no jornalismo. Vencido pela depressão e sentindo-se exilado em sua própria cidade, Juca Hoffmann morreu de infarto em 1969. Amigos da família ajudaram a pagar o funeral.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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