cultura web / empreendedorismo

“Para @pollyanaferrari, o uso das redes sociais vem impactando não só na sociedade em si, mas também na Democracia que se tranformando junto da web. Segundo a pesquisadora, o desenvolvimento das novas tecnologias de informação permitem o surgimento de uma Democracia Social de forma espontânea. @Hermida complementa dizendo que as novas tecnologias da informação e da comunicação (NTIC’s) permitem que os cidadãos comuns exerçam funcçoes antes concentradas nas mãos dos grandes meios. “Mídia participativas e colaborativas reduzem as estruturas hierárquicas entre proprietários, produtores e a audiência da mídia tradicional”, defende em seu blog.”
Eloy Vieira

Na semana passada o @eloy_vieira me convidou para comentar um post dele sobre jornalismo e crowdsourcing. O nome é estranho – e se não sabe exatamente o que é pelo nome, certamente você sabe o que é crowdsourcing pela prática: definido como “um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias”, na nossa prática brasileira é o trabalho (voluntário ou contratado) para divulgar notícias nas redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter, mas notadamente mais frequente em sites especializados como Ueba, Digg, Rec6, Gafanhoto, Gostei!, Ocioso).

Há quem critique dizendo que o crowdsourcing é o “novo lugar da mão-de-obra barata”, mas eu acredito mais na linha de pensamento de que são “pessoas usando seus momentos ociosos para criar conteúdo, resolver problemas e até mesmo para pesquisa e desenvolvimento”.

O fato inquestionável é que se bem usado o crowdsourcing pode gerar ideias novas, reduzir o tempo de investigação e de desenvolvimento dos projetos, diminuir nos custos e, acima de tudo, criar espaço para criar uma relação direta com os leitores. E se usado sem cuidado, pode trazer resultados absurdos ou simplesmente não trazer resultado algum fora um link fora do seu site ou blog.

Gosto da visão de Tapscott e Antony D. Williams em Wikinomics de que as novas “armas de colaboração em massa”, que têm um custo reduzido (citando temas como ligações Voip, software livre e eu insiro cloud computing) e permitem que milhares de indivíduos e pequenos produtores criem em conjunto produtos, ganhem mercado e agradem seus clientes, coisas que até pouco tempo só as grandes empresas conseguiam. As pessoas agora partilham conhecimentos e recursos que lhes permitem criar uma vasta gama de bens e serviços que qualquer um pode usar e modificar.

E voltando ao texto do Eloy, achei interessente as propostas dele com 3 maneiras de aproveitar o crowdsourcing:

  • Observação: Consiste basicamente na coleta de dados a partir de discussões em fóruns ou outras plataformas sobre aspectos polêmicos ou cotidianos e, depois, agregá-los à notícia. Esta prática é comumente adotada pela BBC e, no Brasil, o Estadão costuma fazê-la muito frequentemente no Facebook e às vezes no Twitter.
  • Manchetes: A redação pede que seu público envie fotos, vídeos ou depoimentos sobre acontecimentos importantes como desastres naturais, por exemplo, em que o repórter não pode cobrir. O primeiro exemplo desta prática foi em 2004 com a Tsunami na Ásia e no Brasil o caso do G1 e até da TV Globo em relação às chuvas no Rio foram emblemáticos.
  • Investigação: Trabalho nada novo para os redatores e pauteiros. Procurar informações através de seus leitores e cruzá-las entre si além de estabelecer paralelos com estatísticas e documentos oficiais sempre foi prática comum nas redações, a diferença é justamente que isso é feito junto com o leitor, ou seja, o material de análise estará disponível tanto para o jornalista como para o público. O The Guardian do Reino Unido já fez isso enquanto investigava despesas de parlamentares britânicos.

Segundo o texto, apesar de “ainda visto com certo ceticismo por muitos veículos, o crowdsourcing pode ser uma ferramenta poderosa quando vemos que quase metades das notícias online são compartilhadas nas mídias sociais, pois, além de enriquecer o conteúdo jornalístico, o internauta naturalmente compartilhará a notícia que ajudou a construir. Para Mariana Grzesiuk, jornalista e autora do artigo “Jornalismo Cidadão na Internet“, o internauta já pode ser considerado um repórter e passa produzir notícias, o que implica diretamente no conceito de Esfera Pública.”

Concordo plenamente com sua afirmação de que pessoas do mundo inteiro se mobilizam por uma causa maior sem nenhuma coordenação ou mediação – o #outubrorosa no qual estou envolvida há dois anos tem estas características-, mas quanto ao jornalismo de indexação, ele funciona melhor na produção de conteúdo focado na web (no uso consciente das ferramentas para boa indexação nos mecanismos de busca do google e eventualmente nos espaços de crowdsourcing) e ainda muito mal na observação e investigação por parte dos colegas.

O que vejo no jornalismo que acompanha as redes sociais ainda é um uso frequente do espaço para buscar pautas de nicho (o que é bom, mas não pode ser focado só na busca visto que o usuário de redes sociais quer relacionamento) e na repercussão de temas consagrados em espaços como Orkut e Twitter. Seguindo esta tendência pode-se pensar que o jornalismo definha, não é mesmo? Há que se pensar na web 2.0 como alternativa para ampliar o debate sobre os temas, mas não como a grande substituta para o trabalho de investigação e de compilação de informações que é o grande resultado das boas reportagens.

Ser jornalista não é conseguir a melhor fonte e repetir ipsis literis o que lhe foi dito de forma inédita ou inovadora. É saber o que perguntar, onde replicar e, especialmente, como mesclar estas novidades à cultura que nós, como individuos ou sociedade, já absorvemos no contexto de nossas histórias.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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