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“Cometer um assassinato com a finalidade de se autopreservar pode ser considerado moral? É possível que algo tão simples quanto uma música dê início a uma revolução? A filosofia pode ajudar Katniss a escolher entre Peeta e Gale? Tocando em temas profundos, como lealdade e moralidade, Jogos Vorazes e a filosofia nos ajuda a analisar uma das mais famosas distopias de nosso tempo.”

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Não li o livro, mas já notei que as questões levantadas por George A. Dunn e Nicholas Michaud em Jogos Vorazes e A Filosofia – Uma Crítica da Traição Pura (no Brasil publicado pela editora Best Seller), cairam como uma luva para mim. Acompanho o “fenômeno Jogos Vorazes” com meu filho e sempre penso nos desafios morais e éticos que a trama nos traz. Adolescentes ou adultos (tanto faz), todos que acompanham a série se vêem forçados a se colocar no lugar dos protagonistas e de rever muitos conceitos.

Achei o livro muito interessante e me lembrou outra obra, cujo lançamento acompanhei numa Flip com a presença do autor e que nos convidava a pensar em muitos filmes populares sob a luz da filosofia.

Ganhei Cinefilô de presente da editora Zahar com um convite para ouvir o autor, Ollivier Pourriol em Paraty. Foi uma experiência ouvi-lo falar com pausas para ver trechos dos filmes sobre os quais fala no livro, ensinando filosofia através de enredos de filmes cultuados no mundo inteiro. Fora um eventual culto à beleza e ao corpo, além de muitas reflexões sobre a violência gratuita e métodos extremados para solucionar situações limites, mesmo eu não relacionaria Bruce Willis com filosofia – e olha que sou fã declarada dele desde A Gata e O Rato!

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Mas Pourriol acredita que a sala escura do cinema permite a rara fusão entre imaginação e racionalidade e provou isso numa sessão de cinema na Flip, usando filmes de Keanu Reeves, Brad Pitt, Tom Cruise, Bruce Willis e Christopher Lambert. Segundo sua visão, “O Clube da Luta leva a um saboroso debate sobre a liberdade; Colateral é pretexto para salientar noções de método; O sexto sentido remete às fronteiras entre consciência e percepção.”

Emprestei o livro para meus sogros, numa provocação para verem os filmes e se divertirem elocubrando. Meu sogro é filósofo por formação, com formação clássica que inclui compreensão de grego e latim (e ele ainda fala, lê e escreve em inglês, francês e italiano, sabendo um pouco de russo!). Para ele, além de desculpa para ver os filmes, Cinefilô foi inspirador para voltar às obras filosóficas e aos pensadores citados no livro – coisa que eu também tentei, mas não consegui fazer.

Se apropriando dos pensadores clássicos ou não, revendo os filmes ou não, compreendo livros como estes dois que cito no post como uma chance de repensar nossa sociedade, os caminhos que os seres humanos tomam e o que nos faz protagonistas ou coadjuvantes, mocinhos ou vilões, personagens ou narradores.

Esta reflexão é natural, mas, por meio de personagens da cultura pop, com seus dilemas contemporâneos, questões tradicionalmente consideradas “difíceis” chegam até o leitor de forma compreensível, envolvente e sem banalizações. A filosofia se torna finalmente um conhecimento ao alcance de todos.

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Se você gosta do tema e seu inglês é bom, vale ver a lista de 50 melhores podcasts e de filosofia e buscar referências interessantes neste formato que parece tão novo no Brasil, mas é bem aproveitado por professores em outros países. Um deles é de David Kyle Johnson, professor no King’s College da Pennsylvania e pesquisador nesta área, buscando alternativas para usar a cultura popular como mote para explicar e ilustrar ideias e argumentos filosóficos. Ele escreveu artigos nesta linha citando de South Park ao Hobbit, Doctor Who e Quentin Tarantino ao Natal. Ele tem outros livros nesta área (os títulos Heroes e Inception, por enquanto apenas em inglês). Vale ler (também em inglês), o texto ele sobre a adaptação da trilogia Jogos Vorazes para o cinema. 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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