Job sharing para evitar Life sharing!

Para quem já trabalhou ou atua em área que exige troca de turnos, não há novidade. Mas muita gente se surpreende quando ouve do que alguns chamam de nova faceta da economia colaborativa: o job sharing.
Para quem já trabalhou ou atua em área que exige troca de turnos, não há novidade. Mas muita gente se surpreende quando ouve do que alguns chamam de nova faceta da economia colaborativa: o job sharing.

Eu, honestamente, nem acho inovador. É “só” humano, pois efetivamente a gente não dá conta de tudo que foi colocado nos ombros dos “adultos bem sucedidos e altamente realizados” no final do século XX. Em algum momento essa conta não ia fechar!

Se você concentra tudo do trabalho em si, terá que “share” (compartilhar) outra parte da vida porque é humanamente impossível fazer tudo. Então ou compartilha o trabalho ou se descobrirá dividindo a maternidade (com a babá, com a escola..,), o relacionamento (com quem tenha tempo de dar a atenção que um ser humano necessita) e até sua própria saúde vai pedindo arrego!

E creio que é a minha geração (pré-Millennials) que está dizendo não é dando um basta à muita bobagem que se popularizou e se convencionou nos anos 1980-90, como fazer academia, buscar o top da carreira, sonhar em trabalhar em elefantes brancos gigantescos, ser magro às custas de dietas famélicas, terceirizar os filhos, não ter tempo para amar, guardar os sonhos de viagem para aposentadoria e, até mesmo, para alguns como eu, se aposentar – ideia que nunca passou pela minha cabeça!

(Aliás, não foi exatamente essa mudança que fizemos nos casamentos? A paternidade ativa não é justamente o compartilhamento de funções?)

Creio que buscamos flexibilidade.

Flexibilidade.  [Do lat. flexibilitate.]. Qualidade de flexível.  2. Elasticidade, destreza, agilidade, flexão, flexura: flexibilidade corporal.  3. Facilidade de ser manejado; maleabilidade.  4. Aptidão para variadas coisas ou aplicações: flexibilidade de espírito.  5. Docilidade, brandura.  6. Disponibilidade de espírito; compreensão, complacência.

No artigo que li, dizia-se que não há registros deste formato no Brasil. Mas eu achei algumas discussões jurídicas, datadas de 2007 e 2010, que já tratavam do tema citando a flexibilização dos contratos de trabalho. 

“A flexibilização fundamenta-se ideologicamente na economia de mercado e na saúde financeira da empresa, justificando-se para que uma empresa saudável gere empregos. É também fundamento da flexibilização a grande massa de excluídos do mercado formal que, com a flexibilização, passaria a integrar o “mercado oficial” do trabalho e teria, portanto, mais dignidade. Todos esses argumentos assentam-se na teoria do neoliberalismo.” (GONÇALVES, 2007, p. 115)

Na época, argumentava-se que a redução do número de horas por trabalhador aumenta a demanda por novos trabalhadores. Este argumento era então reconhecido na literatura especializada internacional como work sharing.

Lembrou da redução da jornada? É isso mesmo. A expectativa é de que a redução de jornada permitiria que o mesmo trabalho pudesse ser executado por mais pessoas (todas trabalhando menos horas), o que resultaria, portanto, em mais empregos. 

Essa realidade não se confirmou, mas parece que as pessoas gostaram de ter tempo para viver fora do trabalho.

O fato é que, em 2016, o job sharing tem conquistado adeptos em alguns países, onde o trabalhador exige uma flexibilidade cada vez maior para poder conciliar o emprego com outros aspectos da sua vida ou com outros trabalhos. E as empresas que oferecem isso estão cada vez mais convencidas de como é benéfico contar com duas cabeças pelo preço de uma. 

Juízes, professores universitários, políticos, jornalistas e até clérigos anglicanos são algumas das profissões que se atreveram a aderir ao job sharing em países como Suíça, Reino Unido, Alemanha e Austrália são países onde compartilhar o trabalho se tornou uma fórmula relativamente frequente. 

Funciona assim: duas pessoas dividem entre si a carga horária de um mesmo posto de trabalho, em dias ou turnos consecutivos. 

Explicando melhor, podemos dividir em:

  • job pairing – quando a divisão do trabalho se dá pelos próprios trabalhadores, respondendo todos em conjunto;
  •  job splitting – quando os vários trabalhadores repartem um único posto de trabalho, respondendo cada um por sua quota.

Não há dados oficiais sobre esta fórmula de trabalho, já que nas estatísticas eles podem aparecer como empregos em meio período. 

Mas há estimativas, como as de um estudo da Robert Half, grande multinacional de recursos humanos, segundo o qual 25% das empresas europeias oferecem vagas compartilhadas. O percentual varia segundo os países. No Reino Unido, chega a 48% das empresas; na Alemanha, 15%; na Holanda e na Bélgica, 23%; e na Áustria, 19%. O estudo, que colheu informações de 1.200 empresas de diversos países da Europa, saiu em dezembro de 2014. Desde então, as plataformas de trabalho compartilhado proliferaram.

Você dividiria até os bônus do seu trabalho para se liberar de alguns ônus e ter tempo para aproveitar a vida?

Você dividiria até os bônus do seu trabalho para se liberar de alguns ônus e ter tempo para aproveitar a vida?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.