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wakarimasen

Meu japonês me permite traduzir a imagem acima: “Sumimasen, wakarimasen”. “Desculpe, não entendi” :(

Morei lá no Japão dois anos e quase não usei a liíngua japonesa de verdade. Quando digo isso pouca gente acredita!

Para quem é “brasileiro puro”, é estranho imaginar que no Japão os brasileiros falem uma língua mista e que os japoneses achem que falam inglês! Mas ambos coexistem muito bem nestes 25 anos de Movimento Dekassegui, assim como o jeito de falar “da corônia” durou quase um século aqui no Brasil. E agora por lá já existe um  “wasei portugarugo”.

Brasileiros que moram no Japão raramente falariam este “sumimasen, wakarimasen” (desculpe, não entendi). O jeito coloquial da nova colônia estrangeira que se forma lá e na qual eu vivi por dois anos é dizer “wakaranai”, um jeito “simplório de dizer não entendo.

E essa colônia tem muitas características próprias.

Alessandra Barbieri escreveu um texto com pitadas bem divertidas sobre esta realidade. Em O fantasma da comunicação no Japão: do “wasei eigo” ao melô do “nihongo wakaranai”, ela conta do receio que sentiu quando soube que se mudaria para lá.

Como eu iria me comunicar num país de língua tão diferente, em todos os níveis? Nenhuma similaridade com a minha língua materna, nenhum traço familiar que pudesse me salvar numa fila de supermercado ou no atendimento de emergência de um hospital.

Todo mundo que fala um pouco de inglês pensa que vai resolver a falta de conhecimento do japonês com a língua “universal”. E todo mundo ouve o conselho que ela ouviu:

“para tudo diga “nihongo wakaranai” (“eu não sei japonês”)”

O conselho é certeiro, melhor do que confiar no japonês porque afinal, “no Japão até o inglês passa por um filtro próprio”.

Aqui a influência ocidental, principalmente de língua inglesa, criou um vocabulário adaptado, chamado de “Wasei Eigo”, que vem a ser o “Inglês made in Japan” ou “Japanese English (Japanizu Ingurishu)”. Esse fato peculiar, desconhecido pela grande maioria dos estrangeiros que chega ao Japão, torna a comunicação em inglês tão difícil quanto em nihongo (quem sabe até mais!) e acaba gerando situações engraçadas, quando não constrangedoras.

nihongo wakaranai

P.S. Tá, o Jackie Chan é chinês, mas a imagem é engraçado!

Quer entender? Veja esse minivocabulário do “wasei eigo”:

  • Apaato – Apartment – Apartament
  • Sunakku – Snack – Lanche
  • Faito – Fight – Luta
  • Haafu – Half – Metade
  • Meiku – Make – Maquiagem
  • Meeru – E-mail – Mensagem
  • Gifuto kaado – Gift Card – Cartão-Presente
  • Shiruba – Silver – Prata
  • Gooruden – Golden – Dourado
  • Kuriimu – Cream – Creme
  • Kondensu miruku – Condensed milk – Leite Condensado
  • Hambagaa – Hambuger – Hambúrguer
  • Aisu – Ice – Gelo
  • Tiketto – Ticket – Bilhete
  • Depato – Department – Shopping
  • Konbini – Convenience – Loja de Conveniência
  • Donmai – Don’t mind – Não me importo
  • Gibuappu – Give up – Desistir
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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