“Já tem pão” – Carmópolis de Minas e o caminho para Inhotim

Se eu contar que escolhemos passar a primeira noite das miniférias em Minas Gerais numa cidadezinha que já foi chamada de Japão, vai parecer proposital.

Mas juro que foi só depois de decidir pernoitar aqui por conta da proximidade do acesso ao entroncamento viário que leva a Brumadinho, município onde fica o museu Inhotim, é que descobri a curiosidade.

 

Foi realmente curioso passar um dia aqui. Chegamos no final do dia, a tempo de ver o belo entardecer nas colinas da região e entender porque a cidade que em 1862 (quando foi criada a freguesia pela Lei Provincial n. 1144 de 24 de setembro) se chamava povoado de Japão mudou o nome para algo que homenageia Monte Carmelo, por sua topografia montanhosa.

É verdade, o novo nome – de 27 de dezembro de 1948 quando foi elevada à categoria de cidade – presta também homenagem religiosa: a “cidade (pólis) do Carmo” homenageia sua padroeira Nossa Senhora do Carmo.

Para o antigo nome, contam-se duas versões: teria provindo de um passáro homônimo da região ou da expressão “já há pão” pronunciada pelos bandeirantes ao serem acolhidos pelos habitantes locais quando de sua povoação.

“Os primitivos habitantes da região foram os índios Carijós, Goianazes e Cataguás. Por volta de 1700, a região recebeu os primeiros brancos, bandeirantes paulistas e portugueses a caminho do sertão goiano. Prosseguindo em sua aventura, teriam estes brancos deixado alguns remanescentes cuidando da lavoura, para se garantirem de suprimento durante o regresso.”

Acho o nome religioso perfeito para a cidade que, como muitas do Brasil Colônia, cresceu no entorno da igreja. Hoje visitamos duas construções e foi bonito ver o respeito pelo entorno, pelo significado do local e a preservação das duas, calmas e limpas – uma delas inclusive em plena atividade numa sexta-feira de de carnaval.

Saímos do hotel à noitinha pensando em caminhar para mostrar a vida inteirana para os meninos e Manu e foi uma bela surpresa chegar à Praça da Matriz e ser recebido com muitas árvores de Jasmim dos Poetas floridos e certamente plantados para receber os visitantes numa experiência sensorial.

São pequenos detalhes assim que nos encantam e convencem a fazer o “sacrifício” de viajar de carro mesmo quando há voos comerciais entre as duas cidades e aproveitar para parar com calma onde é quantas vezes quisermos, descobrindo pequenos prazeres que só o olhar tranquilo de quem ama o interior conserva.

🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.