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Em relações de longo prazo, é mais determinante beijar muito do que transar muito, principalmente em relações de longo prazo. 


O conselho não é meu e sim de um estudo da Universidade de Oxford que, em 2013, entrevistou 900 pessoas sobre a importância do beijo em relacionamentos curtos e longos. 

Entre as conclusões dos pesquisadores, está a de que o beijo é mais decisivo do que o sexo no início do relacionamento e uma demonstração de afeto e conexão necessária em diferentes momentos a dois, não apenas nas preliminares entre quatro paredes.

Li num artigo a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler, diretora da Associação Mundial de Saúde Sexual, respondendo à pergunta que não quer calar:

– Se o beijo é tão importante assim, por que muitas vezes acaba sendo totalmente esquecido no dia a dia?

Ela explica que o beijo é um termômetro do romance, da relação afetiva, da intimidade do casal. Tudo pode iniciar com o beijo: paquera, romance, namoro, sexo. O beijo é entrada do portal erótico e afetivo do relacionamento.
Por dedução simples, daria para afirmar que os casais param de se beijar para evitar uma relação afetiva e sexual ou porque estão mais distantes e há um desgaste da intimidade?

A especialista diz que sim, pois “para um beijo acontecer, é necessário um tempo, uma troca; em resumo: conjugalidade.

 Relações de longa duração em que as pessoas não cuidam da vida a dois acabam tendo uma falta muito grande de intimidade. O beijo, então, é uma coisa que não se cogita. Como duas pessoas distantes que não estão íntimas vão se beijar?
Isso é comum? 

(Se eu fosse jovem perguntaria!)

No livro The Normal Bar, a empreendedora de bem-estar Chrisanna Northrup e os sociólogos Pepper Schwartz e James Witte buscam mostrar o que as pessoas consideram importante para serem felizes no relacionamento. 


Ao perguntar para casais o quanto eles se beijam “apaixonadamente”, aqueles beijos com direito à língua e envolvimento entre os corpos, 56% responderam que muito raramente ou nunca. Para se ter uma ideia de como o beijo vai escasseando, este percentual ficou em apenas 21% de quem estava no primeiro ano de relacionamento, passando a 61% entre casais que estavam juntos há 10 anos.

Outra descoberta do livro é que companheiros com mais demonstrações públicas de afeto são mais felizes. Isso inclui pequenos gestos do cotidiano como andar de mãos dadas, ter apelidos carinhosos, falar “Eu te amo”, trocar abraços… e, claro, beijar, mesmo que seja só um selinho.


Como conseguir manter tudo isso não é exatamente um segredo, porém, não significa que seja fácil. Depende de um esforço mútuo do casal em cultivar intimidade, proximidade e sintonia sexual. Em outros termos, manter o casal vivo.

“A gente tem que ser muito criativo. Hoje em dia, não temos mais tempo hoje para estar juntos e se beijando o tempo todo, mesmo que isto seja uma coisa muito importante para o casal”, diz a psicóloga e terapeuta sexual Bárbara Ahlert Schneider. “Os casais que conseguem manter o beijo também alimentam outras coisas além dele, como aproximação, interesse mútuo e respeito um pelo outro.”


Quem quer retomar os beijos apaixonados e retomar a intimidade a dois para além da hora do sexo, precisa trabalhar no relacionamento como um todo. O beijo é uma troca muito grande, tão íntimo quanto a relação sexual, então, esse casal vai ter que encontrar um momento de prazer. Eles precisam descobrir o que faz bem para eles como casal. 

O que move cada um vai ser diferente, mas é importante encontrar o que faz bem para o relacionamento: viajar, sair para jantar, namorar em casa… Tudo depende. O importante é investir na intimidade como um todo.

(fotos: Pixabay)


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