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Um dos destaques da minha segunda-feira foi o texto de Ronaldo Lemos na Folha de S. Paulo sobre os influenciadores digitais. Por ironia ou coincidência, li-o pouco antes de entrar na sessão de #internetofilme.

E tem muito de um no outro.

Ronaldo Lemos diz:

“A ascensão de um influenciador funda-se na sua disponibilidade: o desejo dos fãs de interagir com ele, de serem notados, reconhecidos. É uma via de mão dupla: os fãs não querem apenas assistir, mas interagir. Isso torna a fama contemporânea na internet altamente instável. Muitos influenciadores são na verdade apaziguadores da solidão alheia. Atuam como elos na multibilionária indústria da carência criada pela internet. Indústria essa que decorre do grande número de pessoas querendo falar e do diminuto grupo de pessoas disposto a ouvir. O influenciador ocupa esse lugar utópico entre a fala e a escuta. É celebridade justamente por aparentar ser “gente como a gente”, capaz de ouvir e compreender o outro.”

O que o filme com 25 youtubers brasileiros nos mostra é que essa visão é uma utopia de fãs – e um engodo de marqueteiros. Não há condições verdadeiras para a troca, já que a “desproporcionalidade é grande demais”.

Na trama, que mostra 8 situações vividas por personagens (inspirados nos youtubers que interpretam praticamente a si mesmos, num exercício de humildade que agrada aos fãs, que querem mesmo ver seus ídolos sendo eles mesmos), a relação de interdependência entre fãs e influenciadores é a verdadeira estrela, numa relação passional, com risco de frustração e decepção, amor que vira ódio e até descobertas do significado dos relacionamentos.

Os personagens do filme vivem uma dependência dos likes, dos views, da opinião alheia apócrifa, da posição no ranking dos mais populares, queridos, importantes e, como deixa claro o empresário da história, os mais valiosos. E esse valor, como o ranking e os likes, muda com uma rapidez que faz apostar na Bolsa de Valores parecer uma coisa estável.

Não há vida pessoal, há um show que precisa continuar infinitamente, custe o que custar.

Há um desespero quando seu lugar muda de valor, como acontece na vida do personagem de Rafinha Bastos, que assinou o roteiro e admitiu que seu personagem é praticamente ele mesmo com outro nome.

Até na Vovó Palmirinha, que explica porque foi numa premiação (ela diz, “ganhei mil reais para vir aqui”), a gente se vê.

E eu digo a gente porque eu sou uma jornalista que viveu dez anos sendo redatora/entrevistadora e os outros dez anos de profissão sendo creator/influencer. Fui a cara e o exemplo de muitas ações de marcas internacionais como mãe e ganhei dinheiro com minha imagem.

“Meu perfil diz muito de mim: mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente. Jornalista (do tempo do diploma), trabalhei em redações de revistas e jornais em Curitiba e Toquio, até 2000, quando passei a ser correspondente de revistas no Brasil. Em 2005 criei o blog www.avidaquer.com.br, no ar até hoje, para contar dos passeios culturais com as crianças em São Paulo e a convivência nas novas mídias mudou minha carreira. Sou mãe de dois meninos geeks, @enzobuzz (#aos11) e @giorgio_bros (#aos9), que editam o www.verparacrescer.com.br. Tenho uma produtora para novas mídias, em sociedade com meu marido Guilherme, o @gnsbrasil. Tive bandinha no colegial (era baixista) e meu hobby é costurar, especialmente coisas para casa – faço uns bicos em blogs de decoração e casa. Sou cicloativista e no último aniversário ganhei uma bicicleta dobrável para usar na cidade, como fazia quando morava em Toquio. Desde os oito anos (sério) sou voluntária em ações sociais na Cruz Vermelha, Interact Club, Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, Aleitamento Materno, SaferNet e Todos para educação”.

Quando engravidei da minha caçula, em 2012, percebi quanta coisa eu não queria viver em público e, a cada vez que dizia não a alguma proposta (muitos books de grávida/bebê e até um programa de TV que queria acompanhar o dia do meu parto), eu fui recuando e revendo meus conceitos.

Não deixei de ser criadora de conteúdo, mas tento me distanciar do papel de influenciadora. E decidi que quero ser dona do meu futuro e ter o direito de guardar parte do meu passado para mim.

Como relembrou Mauro Segura, em ótimo texto surgiu na minha timeline nesta semana, o termo “influenciador digital” virou moda e está em todos os lugares.

Está na capa da revista Exame em circulação nas bancas (edição 1132 de 03/2017). Foi tema de uma longa matéria no Fantástico (da TV Globo) recente de 26/2/2017. As marcas já entenderam a oportunidade e estão se aproximando desses influenciadores como uma tática importante para complementar seus planos de marketing. No entanto, conectar uma marca a uma personalidade digital merece algumas análises.
(…)
Quando a empresa contrata um influenciador digital, ela leva o pacote completo: o passado, o presente e o futuro desse influenciador. Leva o ser humano todo. A partir daí, tudo importa. O que a pessoa fez no passado, as histórias desconhecidas, as notas de matemática, a família complicada e as paixões escondidas. Apesar da enorme dificuldade de se obter esse histórico, tudo isso é possível de ser pesquisado, investigado e descoberto de alguma forma. Mas o real problema não é o passado, o problema é o futuro. Quando uma marca contrata um influenciador digital, ela leva também o futuro da pessoa… e o futuro, todos nós sabemos, a Deus pertence.

Enfim, como disse para alguns influenciadores e creators nesta semana, considero este filme valioso para quem atua na área. E, de quebra, você poderá agradar aos “teens e tweens” da sua família, descobrindo o que tanto eles curtem no youtube diariamente.

Eu ri bastante, é muita besteira reunida em 1h30! E o roteiro, escondido sob a necessidade de dar espaço para as webcelebridades, faz uma crítica interessante à necessidade de agradar a todos e a manter o personagem.
Impossível não pensar naquele episódio de Black Mirror. E mais impossível ainda é não se ver num espelho em algum momento. 

Filme “sessão da tarde”, que só não vai ficar um clássico do horário porque tem muito palavrão e as referências sexuais são mesmo acima de 14, como a censura do filme.

Ri bastante, é muita besteira reunida em 1h30! E o roteiro, escondido sob a necessidade de dar espaço para as webcelebridades, faz uma crítica interessante à necessidade de agradar a todos e a manter o personagem. Impossível não pensar naquele episódio de Black Mirror. E mais impossível ainda é não se ver num espelho em algum momento. Filme "sessão da tarde", que só não vai ficar um clássico do horário porque tem muito palavrão e as referências sexuais são mesmo acima de 14, como a censura do filme.

Você conhece todos estes youtubers?

Sobre o filme:

Dirigido por Filippo Capuzzi Lapietra, o filme conta com famosos youtubers em seu elenco, como Cellbit, Poladoful, Gusta Stockler, T3ddy, Júlio Cocielo, Felipe Castanhari, Rafinha Bastos, Paulinho Serra, Desce a Letra, Mauro Nakada, Igão Underground, Polly Marinho, Pathy do Reis, Thaynara OG, Gabi Lopes, Maurício Meirelles, Micheli Machado, Vovó Palmirinha, Victor Meyniel, Mr. Catra,  PC Siqueira, Bryan Ruffo, Muca Muriçoca, gORDOx, Não Salvo, Inutilismo, Nyvi Estephan.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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