Internação involuntária: está certo ou errado investir nisso?

6722065

A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a nova regulamentação para a internação involuntária. Com a regra, o procedimento passa a ser realizado com base em laudo médico, podendo ser solicitado por algum familiar ou autoridade na área de saúde ou assistência social. Os deputados aprovaram também o aumento da pena mínima de cinco para oito anos de cadeia para os traficantes e chefes de organizações criminosas. Foram reservados 3% dos postos de trabalho em obras públicas para usuários de drogas em tratamento.

Mas ainda não é definitivo, falta um posicionamento do Senado brasileiro sobre a “Lei das Drogas”. E os senadores já se posicionam. Cristóvão Buarque afirmou que a internação involuntária deve ser considerada para usuários de crack – “É uma droga suicida. E o suicídio é uma liberdade que o Estado não dá” – e reforçou a necessidade de que qualquer política antidrogas inclua, paralelamente, uma política educacional para crianças em tempo integral. Alvaro Dias segue a linha de vários colegas senadores, reforçando a necessidade de estabelecer limites de rigor entre usuário e traficante – “O Estado tem o dever de oferecer possibilidades de tratamento. O rigor absoluto contra o usuário é impraticável”.

Esse tipo de internação só deve ser feita quando não houver possibilidade de outro tratamento. A internação involuntária pode ser aplicada nos casos em que a droga desencadeia problemas sérios de saúde tais como surtos psicóticos no dependente, a ponto de ameaçar a vida de quem está ao redor. Especialistas afirmam que “a duração apropriada do tratamento para um indivíduo depende de seus problemas e necessidades. Pesquisas indicam melhora significativa sendo alcançada num período de 90 dias a dois anos de intervenção terapêutica (que vai de internação até tratamento ambulatorial).

abr020413mcsp-024
Terão eles razão?

Fico aqui a pensar: como devemos agir para proteger os cidadãos sem arriscar que os direitos individuais sejam ameaçados?

Nunca fiz uso de drogas, mas tive parentes com problemas de adicção (prefiro esta expressão de “escravidão” ao “vício”) e sei como podem afetar todo mundo. Mas fico pensando se não teríamos muitos casos como o do filme O Bicho de Sete Cabeças, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno, Canto dos Malditos – o filme está disponível em versão integral no youtube.

Qual sua opinião? Devemos tratar os dependentes a todo e qualquer custo? Como atuar de forma humanitária e realmente cuidar de nossos cidadãos?

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook