bem estar / mãe

Hoje Enzo chegou em casa muito animado. Já vi que foi um dia especial. Logo no almoço descobri a razão:- Mamãe, hoje teve ditado de números grandes e pequenos e o maior número foi o meu. Todo a turma me aplaudiu, foi super legal!

Este é meu filho que completa 7 anos no dia 12 de maio. Não faz gols, mas ganha aplausos na aula de matemática, fala de astronomia, desde os três anos quer ser paleontólogo e geólogo – e sabe o que estas profissões fazem. Ele parece aquele menino da propaganda “mãe, quero brócolis, peraí mãe, só mais um probleminha de matemática antes de eu brincar”. E é.

Enzo fez tudo meio adiantado em termos intelectuais, mas seu desenvolvimento físico e emocional sempre foi normal. Aliás, como só tínhamos ele e foi a primeira criança nas duas famílias, nunca achamos ele muito diferente até entrar na escola. A primeira característica da inteligência dele que notamos foi a boa memória, ainda bebê. Podíamos passar um tempo sem ver a pessoa, mas ele sabia se era familiar ou não. Logo ele aprendeu os nomes e cumprimentava: “oi Fulano”. Sem tia, sem tio, só o nome, de igual para igual. É assim até hoje. Sabe os nomes completos dos coleguinhas de maternal e jardim que deixou em Curitiba em 2004 e os daqui, colegas dele ou amigos da família. Com a mesma facilidade ele assimila dados científicos dos animais que lhe interessam (agora são escorpiões e aranhas, depois de muitos dinossauros e felinos), sabe os kanjis de vários nomes e começa a brincar de fazer rimas com palavras em inglês.

Estas características nos levaram a fazer um teste psicólogico quando ele completou seis anos. Não só de QI, queríamos saber se era necessário fazer algo mais para ele, se precisava mudar de classe para se integrar, se precisava de aulas-extra, enfim, se a gente estava agindo certo. Os pais sempre estão se questionando, é uma característica da nossa geração. Até então não tínhamos feito nada a sério para o Enzo além de dar brinquedos e jogos, ler livros e ver filmes.

A avaliação confirmou nossa suspeita e diagnóstico: inteligência superior à média, emocional condizente com a idade biológica. Mantivemos ele na mesma classe e estamos contando com o apoio da escola para ele não ficar “de saco cheio” das tarefas quando as achar fáceis. Ele faz contas de cabeça, mas estamos ensinando a “armar” a conta do lado para mostrar para a professora como fez. E aumentamos as linhas das redações e interpretações de texto, porque ele sempre tem mais e mais para escrever.

Cores primárias e secundárias, letras, números, tudo foi assim com ele, assim que começou a falar sabia-os sem esforço e antes de dois anos falava com concordância nominal e verbal. A leitura foi natural, mas não forçamos a escrita, porque minha sogra, que é pedagoga, nos orientara a não pressionar por habilidades motoras, que dependem de amadurecimento físico e não só intelectual. Além do mais, Enzo é sinistro e os canhoteiros tem uma habilidade motora “diferente”.

Diferente é o que temos tentado evitar que ele pareça. Nesta semana ele veio me perguntar o que significa NERD. Expliquei. Na hora ele me olhou e disse: – Mas então eu sou NERD? Não respondi, mas ele entendeu.

Com sete anos começa oficialmente a segunda infância dele. Tenho medo desta fase porque trará esta idéia de ser “atleta” ou “nerd”, “legal” ou “esquisito”, porque os grupinhos se dividem. E as diferenças vão aparecer, se reforçar, assim como os interesses. Ano passado um colega que tinha ciúme do Enzo falou: – Já que você é um gênio da ciência, porque não inventa uma poção para fazer você sumir? Isso dói. Dói nele e mais ainda nos pais. Será que ele vai ser aceito?

Muitos pais que desconfiam que seus filhos são mais inteligentes que o normal e já ouvi falar que alguns desejam isto, certos de que será uma garantia de um futuro bem sucedido. Desde que começamos a avaliar o Enzo tenho lido e conversado muito com pessoas envolvidas, inclusive descobri o Mensa, associação que integra pessoas de QI elevado e que faz os testes para adultos. Concluí que o que pesa mesmo no sucesso de um ser humano é afeto e incentivo bem dosados, uma vida feliz que lhe dê as raízes para construir a árvore a vida com firmeza. Muitos gênios não se transformam em nada porque não conseguem sair de seu mundo e interagir de forma saudável com o mundo real. É preciso ter com quem interagir e ter um círculo de amigos que nos ajudem verdadeiramente a crescer.

Lembrei de um fato da formatura de pré do Enzo, há 6 meses. Os avós trouxeram dois presentes “geniais”: meus pais deram um telescópio, meus sogros um microscópio. Assim que saiu do palco, ainda de beca, ele os abriu e foi correndo mostrar para uma amiga, que ao ver falou: – Ai Enzo, você já era inteligente, agora é que você vai saber tudo mesmo!

Uma frase tão espontânea, mas que nos deu a noção de que ele está sendo compreendido. E que diluiu o colega que queria poção para ele desaparecer. Que ele seja aceito e mais que tudo, amado, é o que espero. Quem deseja sucesso maior?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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