Implementação da Coleta Seletiva nas cidades-sede da Copa do Mundo (por @zeoffline)

Na semana da Rio+20 um debate fora da programação dita oficial trouxe um tema de grande interesse de quem se interessa pela sustentabilidade prática e cotidiana das cidades: “Implementação da Coleta Seletiva nas cidades-sede da Copa do Mundo“.

É bonito contar que o Rio de Janeiro se tornou patrimônio da humanidade e que a construção dos estádios para a Copa do Mundo está a todo vapor (ou não!), mas precisamos pensar além destas fachadas bonitas e imaginar como reagiremos ao impacto ambiental destes grandes eventos e que legado eles deixarão para nossas cidades.

José Luiz Brandão (@zeoffline), colaborador do @avidaquer, acompanhou por streaming o debate que aconteceu no Parque dos Atletas,  no qual  estiveram Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, André Vilhena, diretor-executivo do CEMPRE (Compromisso Empresarial com a Reciclagem) e a liderança do Movimento Nacional dos Catadores.

Apesar do empenho do Brasil em implantar de forma eficaz a reciclagem, apenas 8% dos municípios possuem algum tipo de coleta seletiva, sendo que somente 2% do lixo urbano no país inteiro é separado nas residências. Esses e outros dados foram citados logo no início do painel como pivô do debate. Esse foi o objetivo da discussão: como transformar uma realidade tão complexa em uma questão positiva para o sistema inteiro de reciclagem, desde o processo de coleta seletiva até o seu destino final.

A redução de resíduos sólidos foi um dos temas abordados no painel. O plano, a ser implemetado pelo Ministério do Meio Ambiente ainda esse ano, precisa do completo envolvimento da sociedade, complemento vital para as organizações de classe que também apoiam o plano. O papel dos catadores de lixo na linha de produção da reciclagem também foi ressaltado como essencial para que a coleta seletiva, visto que o resultado influi diretamente na arrecadação deles.

Alexandra Vianna, uma das convidadas para o debate, é catadora de lixo há dezoito anos e hoje dirige uma das cooperativas de materiais reciclados no aterro metropolitano de Gramacho, recentemente fechado. Ela é uma das cinco figuras femininas presentes no Conselho de Liderança do Jardim Gramacho. Segundo ela, é preciso uma estruturação das cooperativas, a fim de melhorar a capacitação profissional e, assim, aproveitar melhor os recursos fornecidos pelas empresas apoiadoras e conquistar a parceria com o poder público.

Como o Governo planeja este processo?

“O Governo Federal participará do fórum porque irá coordenar e assinar os acordos setoriais. Os governos estaduais também terão representação porque, além de poderem fazer termos de compromisso locais, serão obrigados a acompanhar a fiscalização desses acordos setoriais nos estados. Já a participação dos governos municipais será fundamental, pois, especificamente no caso das embalagens, a expectativa é que a logística reversa seja harmonizada com a coleta seletiva e o fórum será a oportunidade de diálogo dos municípios com o setor produtivo para definir a modelagem, que, depois de decidida, deverá ser implementada pelos municípios e apoiada pelos empresários.”

O nosso papel é o de acompanhar, opinar e cobrar que as decisões sejam adequadas e sigam as necessidades de cada micro região, atendendo adequadamente à relação de verdadeira sustentabilidade entre o crescimento da demanda e as condições ambientais locais.

Estamos de olho!

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook