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No filme Cine Holliúdy, o personagem Isaías que é cego, foi a inauguração do cinema da cidade. Ele não conseguia entender a trama do filme, e o tempo todo perguntava para a criança ao seu lado o que estava acontecendo. Não preciso nem dizer que isso não deu muito certo. No dia-a-dia, imagino que não deve ser muito diferente

cine-holliudy cego Isaias e garoto

Mas e se pudesse ser diferente? 

No Brasil, segundo dados do Censo IBGE de 2010, 18,6% da população brasileira possui algum grau de deficiência visual, sendo que 3,46% com deficiência visual severa, que encontram-se excluídos da experiência audiovisual e cênica.  É muita gente! E pensando em proporcionar a este grupo uma nova experiência de ir ao cinema,  o Cinépolis e agência Mirum idealizaram o “Cinemagine”.

Com apoio do Instituto Paranaense de Cegos, uma exibição especial com crianças deficientes visuais foi realizada na sala 4DX do Shopping Pátio Batel, em Curitiba. O resultado, segundo o idealizador do projeto, Fernando Christo, não poderia ter sido mais especial: “A minha surpresa, ao perceber a emoção que todos estavam sentindo, foi ter a impressão de que aquele parecia ser o uso mais adequado para a sala, e não o que a gente está acostumado a ter com a experiência visual”.

No dia 25 de abril, às 11h, acontecerá uma nova sessão “Cinemagine” aberta ao público nas salas 4DX da rede Cinépolis em Curitiba, São Paulo, Salvador, São Bernardo do Campo e Fortaleza. A entrada é gratuita.

cinemagine - sessão especial

Claro que eu achei a iniciativa muito legal e espero que ganhe escala.  Assim como a oferta de audiodescrição em cinemas, teatros e programas de televisão. Sim, é um grande desafio, mas já há algumas iniciativas bacanas como a que foi anunciada essa semana pelo Netflix.

Netflix lança descrição em áudio para deficientes visuais.

Segundo pude conferir no post do Meio Bit, a Netflix vai incluir descrição em áudio em algumas de suas séries, abrindo um novo horizonte para cegos e pessoas com algum tipo de deficiência visual. A descrição em áudio narra tudo o que está acontecendo na tela, incluindo as expressões faciais dos atores, figurino e cenários. Por enquanto, a descrição em áudio só está disponível em inglês, mas já existe a previsão para tradução em outras línguas no futuro.

E a série escolhida para iniciar a oferta desta importante tecnologia, não poderia ser mais representativo, a série Demolidor da Marvel, que tem como personagem principal Matt Murdock, que ficou cego ainda na infância, e que adulto, combate o crime nas ruas de Nova York. A Netflix promete incluir o recurso nas séries House of Cards, Orange is the New Black, Marco Polo e Unbreakable Kimmy Schmidt nas próximas semanas.

demolidor -marvel na Netflix

Imagino que logo, pelo menos no cinema nacional, devemos ver uma maior oferta de produções acessíveis, já que em dezembro de 2014, a ANCINE – Agência Nacional do Cinema, publicou uma norma estabelecendo que projetos financiados com recursos públicos geridos pela Agência, devem contemplar legendagem descritiva, audiodescrição e LIBRAS.

Sabe quem agradece? Os 23,7% da população que população brasileira que apresenta algum tipo de deficiência visual ou auditiva.

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alinekelly

Aline Kelly, do blog Inspiração Sustentável, mãe de 2 meninas e um adolescente, gosta de filmes nacionais, de ação, espionagem e musicais, além de ser louca por séries da qual é incapaz de acompanhar pelo horário rígido da TV. Enquanto as meninas vêem pela vigésima vez Monster High ou algum dos filmes da Disney com a Selena Gomes, Demi Lovato ou Bridgit Mendler, o adolescente vê Super Natural e todos juntos algum dos filmes dos Vingadores, Transformes ou Homem Aranha. Vê na Netflix uma opção de entretenimento com a flexibilidade e a variedade que atende toda a família.

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