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“Não deixo meus filhos assistirem ‘BBB’, ‘A Fazenda’ e novela”
João Gordo, jurado do “Idolos Kids”

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Confesso que eu também tinha aquela visão pejorativa dele, embora já tenha aprendido que o caráter não se mede por aí. Foi muito bom ouvir no vídeo João Gordo, entrevistado por ser jurado do programa de TV Ídolos Kids (que eu acho uma exposição infantil muito controversa, mas deixa para lá este viés), falando sobre família e criticando programas de TV que estimulam a erotização infantil nas músicas e atrações televisivas.

“Eu acho uma merda. Ainda mais essa cultura nova popular de erotização da música. Não sei como os pais deixam as crianças cantarem esse tipo de música, como sertanejo universitário que vem com letras cheias de “vem aqui, que eu faço aquilo”, com coreografias também sexuais”.

Sinceramente, não queria estar no lugar dele, ter que desclassificar crianças, encarar “mães e pais de misses” que forçam os filhos a sonhar coisas que eram suas… mas me fez bem saber que tem gente que está lá, nos bastidores, e questiona parte desta cultura.

Posto abaixo algumas das perguntas e respostas que estão também no vídeo. Tirem suas conclusões.

Qual é a repercussão do programa nas ruas? Tem algum caso engraçado ou diferente que já aconteceu nos bastidores?
João – Na fase que as crianças vão cantar com banda, a fase pós estúdio colorido, fica mais difícil para elas serem desclassificadas. E como o camarim é junto lá no teatro que a gente grava o programa, chega no final e as crianças desclassificadas estão ali chorando. E a gente encontra com elas, a Kelly Key (outra jurada do Ídolos Kids) é mãezona e normalmente vai lá consolar eles, e eu fujo né, para não ver crianças chorando. E um dia eu dei de cara com um moleque, que até era bom, era sambista de Ilhabela – litoral de São Paulo -, e ele veio chorar no meu ombo, apoiou a cabecinha e ficou chorando. Deixou até ranho na minha camiseta, foi foda. Daí eu falei: ‘não fica assim não, a vida é assim mesmo, você tem o maior talento’. A gente tenta consolar do jeio que dá, mas não é fácil.

Você passou a ver a cultura popular de alguma forma diferente depois de entrar para o Ídolos?
João – Eu odeio a cultura popular brasileira, eu acho uma merda. Ainda mais essa cultura nova de erotização da música. Não sei como os pais deixam as crianças cantarem esse tipo de som, tipo sertanejo universitário que vem com umas letras ‘vem aqui que eu faço aquilo’, com coreografias também sexuais. Muita criança tenta entrar para a atração e vai na audição com uma música dessas. Eu fico indignado. Eu não deixo meus filhos assistirem Big Brother, A Fazenda, novela, onde aprendem tudo essa erotização infantil. Quando a criança vai lá cantar este tipo de música, eu falo pra cantar outra coisa.

Como é a sua relação com seus filhos?
João – É relação de pai. Eu sou paizão, eu ponho eles para dormir todo dia, eu que acordo, eu que levo na escola. Eu sou um pai ultrapresente, vi meus filhos crescerem, e isso não acontece com muito pai por aí não. Pra você ser um pai presente, você tem que ter caráter, porque tem muito pai que põe o filho no mundo e vai embora, some. Pai que trabalha demais e daí chega no fim de semana e ao invés de ficar com os filhos, vai jogar bola. Eu sou um pai presente e meus filhos sabem disso.

Seus filhos têm vontade de seguir carreira artística?
João – Já estão, não tem como mudar isso mais. Eles já sentiram o gostinho, não tem como mudar isso. Eu não forço nada, não vou querer que eles estudem pra ser médico, advogado, porque isso aí não dá futuro pra ninguém. Então, se eles quiserem seguir música, por exemplo, têm todo o meu apoio. Meu filho tem sete anos e tem uma bateria, já está estudando em uma escola de bateria. Minha filha está aprendendo violão. Eles aprendem inglês, aprendem computação, tudo o que vai se usar na vida. Isso aí a gente usa na vida, agora matemática, português, química, isso não se usa. Lógico que eles estão estudando e eu vou fazer eles estudarem, mas isso aí não se usa.

Durante as audições da primeira temporada, exibiram um momento e que você acalmava um garoto que estava muito nervoso na hora de cantar. Você mesmo se surpreendeu com esse lado mais fraternal ou sempre foi assim?
João – Não, porque eu sou uma excelente pessoa, modéstia à parte. Eu sou uma pessoa bem querida no meio. As pessoas acham que eu sou um cafajeste, um monstro, que eu sou um drogado, que eu sou prostituído. Não sou nada disso, sou muito mais homem que um monte de coxinha por aí, que se esconde atrás de Jesus. Aí, no raio-x o cara é um filho da puta, o cara não é um pai presente, o cara trai a mulher, tem amante, é ladrão, sem-vergonha, mentiroso, safado e tudo em nome de Jesus. Eu estou aqui, corretíssimo, em nome de ninguém.

Muda alguma coisa o fato de julgar um reality com participantes crianças? Seria diferente se fosse com adultos?
João – Muda, com certeza. Adulto a gente esculacha, e a gente não pode esculachar criança. A gente tem que fazer um comentário construtivo, mostrar outras coisas que a criança gosta de fazer e mostra que ela pode seguir outro caminho.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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