Quantas horas-extras você faz por mês? Se usa smartphone estima-se em 30 horas por mês

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Neste final de semana estive com meu pai e meu sogro e, como brinquei ao tuitar uma foto, não fugi da tecnologia nem estando com eles. Aos 70 anos, ambos estão usando smartphones e contavam com minha “consultoria” de filha e nora para ajudar a tirar proveito das ferramentas de seus aparelhos.

O que os dois, já aposentados e com algum tempo livre, gostariam de fazer com seus aparelhos móveis conectados à internet, é justamente o que nós, os filhos que estão na casa dos 30/40 anos, deveriam reduzir no cotidiano doméstico.

Quando meu pai e meu sogro, ambos nascidos em 1942 e parte da geração que viveu a “informatização” das grandes empresas e governos no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980 no Brasil, trabalhavam, as horas-extras eram contadas pelo tempo na empresa. No máximo, forçando um pouco (e no caso de empresas que tinham esta noção de direitos trabalhistas), faziam parte das viagens e almoços/jantares de representação. Levava-se trabalho para casa, sim, lembro das pilhas de processos de minha mãe, advogada, no escritório dela em casa, assim como meu marido se lembra das provas sendo corrigidas ou reproduzidas no mimeógrafo por sua mãe, que atuou como professora por 40 anos.

Eles separavam muito mais o trabalho da casa do que nós fazemos hoje!

Sabem por quê?

Quase todos os trabalhadores que possuem dispositivos móveis respondem a chamadas ou e-mails em períodos fora do expediente de trabalho, quando estão em casa ou em encontros sociais.

Não encontrei dados brasileiros, mas li que uma pesquisa encomendada pela Good Technology que ouviu mil trabalhadores norte-americanos apontou que uma média de 7 horas por semana são gastas atendendo ligações e respondendo e-mails em dispositivos móveis fora do horário regular de trabalho. Isso significaria cerca de 30 horas a mais por mês, ou 360 horas extras por ano em chamadas e e-mails.

E por que as pessoas trabalham assim, fora de hora e “de graça”?

Quase metade dos entrevistados disse sentir que não possuem outra escolha que não fazer horas extras nos dispositivos móveis para que possam atender à demanda de clientes. Metade dos entrevistados também disse que realiza esse tipo de serviço na cama.

Quanto a ser “de graça”, bom, vale lembrar que “There ain’t no such thing as a free lunch“, ou seja, nada sai de graça no mundo corporativo. Nem o trabalho extra por dispositivos móveis porque, afinal, se estamos numa empresa com esta flexibilidade, certamente que temos outros benefícios – e se não temos, vale a pena rever os acordos!

Conversando com quem acaba trabalhando mais horas por conta do acesso às ferramentas de trabalho nos smartphones ou tablets, percebo que, como eu, muitos gostam de poder terminar um trabalho quando e onde quiserem, incluindo quando estão em trânsito, aguardando alguma coisa ou participando de um evento social (creio que dos chatos, né?).

Mas é bom tomar cuidado com alguns excessos desnecessários que podem causar prejuízos à saúde física e emocional: 25% dos entrevistados disse que a sobrecarga de trabalho causou uma discussão ocasional com o parceiro e 40%, admitiam que checam os e-mails depois de 22 horas. Além disso, 57% dos entrevistados disseram ver mensagens do trabalho em passeios familiares e 38% enquanto jantam, à mesa. Prefiro nem comentar que muitos admitiram responder e-mails de trabalho na cama!

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Admito, já cometi estas “gafes” também, mas estou formulando, interiormente, um “guia de etiqueta para conciliar vida pessoal e trabalho móvel” e neste estão fora os e-mails depois das 22h e antes das 8h (e nos finais de semana também!), as coisas de trabalho em meio a passeios familiares e qualquer coisa de trabalho na cama, a não ser que eu esteja “de cama” por dias por recomendação medica!

E você, querido leitor, como tem administrado vida pessoal e mobilidade?
E como a empresa na qual você trabalha organiza isso com os colaboradores?
Conte nos comentários, vamos começar a construir um perfil brasileiro!

P.S. Como empresária eu tenho me observado muito e tentado algumas estrategias com os colaboradores… uma delas é salvar as mensagens que penso em enviar para eles no rascunho e depois enviar em horário comercial. Acaba enchendo as caixas de e-mail, mas pelo menos não vai fora de hora. Nem sempre consigo, mas tento mandar e dizer: “leia só de manhã” ou “abra só na segunda-feira”. Evito ligar fora de hora (mesmo!) ou mandar SMS que trate de trabalho e, felizmente, nos acostumamos a sair do trabalho às 18h e deixar o que ficou sem fazer para o próximo dia útil – o que tem funcionado super bem porque nos “força” a ter muito foco no horário comercial!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.