Como serão os lares em 2020? Nada de Jetsons, a tendência é nos reapropriarmos de tradições com alta tecnologia

Na semana passada, para fechar com chave de ouro a temporada Casa Cor 2010, participamos, Gui e eu, de um encontro sui generis promovido pela Brastemp no seu espaço BGourmet. Em Home Future Home – Um encontro para decorar tendências pudemos conversar (não debater tampouco apenas ouvir) com vários profisssionais interessados no futuro dos lares brasileiros o que será das nossas casas nos próximos 10 anos, sem perder de vista uma avaliação – com críticas e tendências – do que tem acontecido em termos de mudanças nos lares nos últimos 10 anos. Há exatos dez anos eu montava uma segunda casa no Brasil. Casei no começo de 1996 já com um lar montadinho, uma verdadeira casinha de bonecas com tudo que eu achava que as pessoas deveriam ter: quarto cheio de frufru, home office que servia de quarto de hóspedes com sofá cama, uma sala de jantar e estar arrumadinha para as visitas, sem falar na (mini) cozinha de revista. Dois anos depois fomos para o Japão, vendi algumas coisas, empacotei os presentes de casamento e deixei guardado o que cabia nos meus sogros e nos meus pais.  Aprendi horrores na experiência no oriente e, na volta, quando compramos apartamento e recomeçamos a montar a casa para a chegada do Enzo, embora tenhamos separado os cômodos com o mesmo conceito curitibano, nada mais era como antes no ano 2000. Mil perguntas me enchiam a cabeça:

  • Para quê separar tanto os ambientes se a gente queria usar tudo junto ao mesmo tempo? (Vamos “loftar”, já dizia meu interior irreverente)
  • Por quê tantos móveis se eu quero é espaço?
  • Para quê sofá bonito para visita se eu quero é deitar para ver TV na sala?

Hoje, finalmente, no terceiro lar que temos depois de casados, Gui e eu estamos conseguindo permitir que nossa personalidade prevaleça, que os reais valores que temos em comum estejam à frente das decisões, independente do que os modismos dizem e do que os comerciais demonstram. Estas são tendências, dentre outras das minhas perguntas do ano 2000, segundo percebi na dinâmica de grupo que fizemos no fórum Home Future Home. Quando eu queria um sofá para deitar e relaxar na sala ainda não tinha tanto sofá-com-chaise-longue para vender por aí, tampouco apartamentos com paredes moduláveis (e não derrubáveis) para se ajustar às necessidades reais dos moradores. Ambos são tendências que se firmaram nos anos 2000, mudando o mercado imobiliário, mudando os cenários, refletindo melhor os anseios das pessoas. Famílias ou indivíduos, nos anos 2010 buscamos uma personalização dos lares, queremos que eles reflitam exatamente quem somos no nosso interior (ou, quem sabe, o que queremos ser), não mais só a “categoria” (ou classe social) à qual queremos mostrar que pertencemos. Por isso quem (como Gui e eu) gosta de cozinhar com os amigos e aproveitar a “slow food” no aconchego da cozinha, pode ter uma mesa para recebê-los lá sem se sentir inferiorizado porque não tem sala de jantar para visitas. E quem gosta de tudo aberto adota aberturas, como tantos amigos estão fazendo com satisfação em suas casas e apartamentos. Os mais ricos podem ter uma cozinha gourmet de verdade, mais que uma varandinha, para ter um canto seu, de prazer e lazer, que não será dividido com a empregada doméstica. Cada um na sua, felizes, realizados, respeitando individualidades, necessidades, espaços. No encontro, o gerente de design da Brastemp, Mario Fioretti, lembrou que, além das mudanças no mercado imobiliário, o jeito como as pessoas moram hoje já dá sinais de mudanças que estão para acontecer, trazendo consigo esta customização dos espaços e uma nova visão sobre a sustentabilidade (que, aliás, foi mote da Casa Cor e é um grande diferencial em projetos arquitetônicos inovadores no momento). A ele se juntaram, cada um como “anfitrião” de uma das mesas do encontro, os arquitetos Marta Sá, Selma de Sá, Bya Barros, Antonio Ferreira Jr., Mario Celso Bernardes, Maristela Gorayeb, Camila Catelan e o trio Guto Requena, Mauricio Arruda e Tatiana Sakurai.

Ao final todos reunimos os pensamentos soltos, numa conclusão positiva sobre as tendências dos lares brasileiros. Uma delas estava comigo, na figura dos meus filhos que precisaram me acompanhar ao evento e ficaram desenhando, vendo TV no celular e usando o computador na cozinha contígua ao fórum: os filhos passam a ter um espaço de decisão sobre as casas, não só nos seus espaços, mas como usuários do lar inteiro, tanto por conta das mudanças econômicas e sociais das famílias, quanto por um fenômeno de alteração do modelo familiar, que passa a ter os indivíduos sob o mesmo teto mais como iguais desde que a figura do pai-mantenedor-sabe-tudo deixou de existir para dar espaço ao casal como parceiro e aos filhos como “companheiros de jornada”. Foi uma honra poder pensar sobre estes caminhos com um grupo de alto nível como o que se formou e será um prazer que pretendo degustar, no melhor estilo “slow food”, de todas as impressões dos participantes que a rede me permitir, a começar pela do Gui, que prometeu postar no Conversas de Cozinha o que rolou nas suas mesas (pois é, ficamos separados, forçados a pensar separado!). E você, meu leitor, quais as tendências que vê nos lares nos próximos 10 anos? Seremos Jetsons ou nos voltaremos às cozinhas rústicas? Melhor ainda, seremos capazes de mesclar ambos com graça e utilidade? 😉 [update em 21/07/2010] O post rendeu um novo papo no blog @avoqueria: Jetsons ou a volta da casa da vovó? [/update]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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