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Essa é uma pergunta que eu me fazia desde que conheci o estúdio da Mariana Caltabiano e vi a produção de Brasil Animado. E tem sido uma pergunta frequente aqui em casa porque meus filhos eram crianças na época e sonhar com a ideia de trabalhar com animação infantil era uma das coisas mais legais do mundo.

Agora que os dois estão no Ensino Médio e praticamente escolhendo suas carreiras – pelo menos a primeira, pois creio que nossa época não tem mais uma só profissão! – a animação, a dublagem, o design de games e outras carreiras “divertidas” voltaram com tudo!

No final de semana passado, pude entender melhor como pensam e como agem os caras que fazem isso no Brasil e conseguem ter sucesso, nua só emplacando suas produções em “canais globalizados”, mas ganhando de produções americanas.

Estive numa pré-estreia e na coletiva de imprensa do filme Historietas Assombradas e foi lá que, ouvindo o diretor Victor-Hugo Borges, entendi que caminho é esse que meus filhos tanto querem trilhar.


Com formação em artes plásticas, ele se envolveu “acidentalmente” com animação ha 18 anos atrás e desde então ganhou mais de 100 prêmios nacionais e internacionais.

(Sim, o caminho da animação é muito mais comum do que o da formação em cinema)

O diretor e animador possui no currículo vários curtas de animação que foram exibidos mundo afora, como “Icarus” e “O Menino Que Plantava Invernos”. Seus filmes tiveram retrospectivas no Festival de Santa Maria da Feira (Portugal) em 2007, e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), em 2008. Em 2011 lançou seu primeiro livro (Historietas Assombradas) pela editora LeYa.

“Historietas…” foi o programa infantil mais assistido na TV paga entre abril e julho de 2013 e vencedor do prêmio APCA de melhor série infanto-juvenil de 2013, tendo 40 episódios e um longa metragem já produzidos.  E passa também na TV Cultura, de segunda a sexta, às 19h30.

Meus filhos mais velhos já tinham visto a série, a caçula (4 anos) nunca tinha visto, mas não teve medo no cinema. No entanto, o que vi no youtube me mostrou que a história ficou mais suave no longa!

Mas a ideia ainda é ótima: monstrinhos que poderiam ser eu e você crianças, a busca da origem e do sentido da vida, aventuras inconsequentes que podiam dar errado, mas no fim dão certo, a certeza de que a família é muito mais do que laços de consanguinidade – embora a gente procure se ver neles – e uma boa turma, no estilo Friends e todas as outras melhores amizades que não tem nada a ver, mas estão sempre lá quando precisamos!

É como contou para nós o diretor Victor-Hugo Borges:

“Construir uma “historieta” num formato longa era um sonho de nossa equipe, visto que assim temos a chance de expandir o universo estabelecido pela série na TV. Também, tivemos a possibilidade de detalhar melhor a história prévia de personagens cujo formato curto de TV não permite. Com o longa exploramos o passado de Pepe e de sua “raça”. Como a Vó o encontrou e os motivos dela ter o acolhido. É um “filme família” cujo tópico principal é família, mesmo que seja uma família bem esquisita (risos).”

No longa, Pepe é um garoto de 12 anos que mora com a avó bruxa. Ao descobrir que é adotado e que seus pais verdadeiros estão vivos, ele resolve procurá-los. Mas essa busca pelos pais vai chamar a atenção de Edmundo, o vilão dessa história toda. Por ser biomecânico, ele precisa de usar a energia de Pepe para conquistar a imortalidade para sua espécie.

Historietas Assombradas – O Filme

Fui na pré-estreia com a turminha do Mãe com filhos e agradou tanto Clara e Julia, de 11 e 12 anos, que já acompanham a série (as duas temporadas exibidas na TV a cabo), Dani, de 6 anos que conheceu a história com a mãe há pouco e Manu, 4 anos, que nunca tinha assistido. Os adultos que gostam de animação adoraram!

https://www.instagram.com/p/BayspH0AXGD/?taken-by=maecomfilhos

O filme chega aos cinemas nesta quinta, 02/11/2017, e compensa o passeio.

No mesmo dia, estreia o game  “Historietas Assombradas – A Maldição de Skullheart”, desenvolvido pela Pocket Trap e teve supervisão do próprio Victor-Hugo, trazendo vários elementos do filme, como cenários e personagens, mas sem dar spoilers da produção. O jogador terá que ajudar Pepe a escapar de armadilhas e combater os inimigos comandados pelo vilão mascarado, que quer capturá-lo a todo custo. O jogo é gratuito e poderá ser baixado nas plataformas iOS (iPhone, iPad através da App Store) e Android (disponível no Google Play).

 

E de brinde, no dia, conheci o simpático Charles Emmanuel, dublador de 10 dos 10 desenhos da infância dos meus filhos.

Aposto que você já ouviu a voz dele, pois dublou Rony Weasley em Harry Potter, Ben Tennyson no Ben 10, Rigby em Apenas um Show e Tenma de Pégaso em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. Atualmente ele está dublando Ash Ketchum,o protagonista do anime Pokémon XYZ.

 

Ele tem um canal no youtube, o Dubladiando, no qual conta muita coisa sobre a profissão.

https://www.instagram.com/p/BazJkSmA4ni/?taken-by=samegui

Não dá para pensar no Pepe, protagonista do Historietas, sem o Charles Emmanuel porque ele é o personagem e eu vou explicar porquê:

A gente sempre imagina que o cara faz a substituição da voz do personagem em outro idioma, né?

E esse é mesmo um caminho, tanto que o termo “dublagem” vem do francês “doublage” (substituir a voz).

Mas, quando se trata de animação, as boas produções têm primeiro a interpretação do ator (com a voz) e depois a equipe de animação faz as cenas em cima disso.

E o dublador é mesmo um ator!

Na legislação brasileira, dubladores precisam do registro profissional de ator para trabalharem com dublagem!

  • Até 18 anos de idade (em São Paulo – no Rio de Janeiro é até 16 anos), o registro profissional para dubladores fica condicionado à autorização dos pais ou responsáveis legais, como também a um alvará autorizando o trabalho do menor, expedido pelo Juizado da Infância e da Juventude.
  • Para se trabalhar com dublagem, se faz necessário o Registro Profissional de Ator (também conhecido como DRT), o qual, é expedido pela Delegacia Regional do Trabalho. Mas pode ser requerido pelo SATED regional (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões), que emite um documento de capacitação profissional, o qual é acatado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para o registro no MTE, são necessários diploma ou certificados de conclusão de curso (técnico ou superior) reconhecido pelo MEC, ou o atestado de capacitação do sindicato.
  • A Lei 6533/78 é a lei que rege a atividade de atores e atrizes em território brasileiro.
  • A Lei 9610/98 é a que define Direitos Autorais e Conexos de atores e dubladores, em território nacional.

 

Curiosidade: desde 11 de novembro de 2009 os créditos para os dubladores no Brasil são obrigatórios por lei, Lei nº 12.091.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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