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histórias de sucesso são na verdade uma vida de feitos. O que a gente conta tem que ser a ponta do iceberg que que continuamos fazendo - e olha, no presente, não no passado.

É exatamente isso: histórias de sucesso são na verdade uma vida de feitos. O que a gente conta tem que ser a ponta do iceberg que que continuamos fazendo – e olha, no presente, não no passado.

Conversando com uma amiga que é coach, fiquei feliz ao notar que mesmo sendo amigas íntimas, sempre temos novidades profissionais uma para a outra.

Passamos muito mais tempo fazendo do que falando.

A vida realmente produtiva e realizada é assim, concordam?

Outro ponto que esteve em alta na minha semana foi a “necessidade” de inspiramos jovens para serem empreendedores.

Será que devemos mesmo forçar a barra para todo mundo ser empreendedor?

Não creio.

Criar uma cultura empreendedora é diferente de encurralar os jovens e não aceitar que eles escolham coisas diferentes.
Mesmo os jovens, como meus filhos, que estão na fase de Ensino Médio e por isso bombardeados (apedrejados?) por cobranças sobre carreira, quando o único assunto das pessoas ao redor é sobre o que querem fazer da vida, não precisam ser forçados a empreender.

Uma coisa é ter comportamento empreendedor e ser o cara que tem ideias diferentes, traz um novo olhar, está sempre pronto para arregaçar as mangas e fazer, improvisa sempre que precisa, tem jogo de cintura, vê além e tantas outras qualidades boas.

Outra coisa é forçar que todo mundo sonhe em ter um negócio próprio como se esse fosse o melhor caminho e, por tanto, o que todos devem ter.

Criar uma cultura empreendedora é diferente de encurralar os jovens e não aceitar que eles escolham coisas diferentes.
Criar uma cultura empreendedora é diferente de encurralar os jovens e não aceitar que eles escolham coisas diferentes. 

Ao agir assim, ao invés de estimularmos neles o desejo de fazer mais da vida, estamos empurrando-os ao abismo da infelicidade.

Por que?

Ora, sempre que temos uma “única escolha” não há escolha.

Vejam o exemplo da minha família.

Eu e meu marido somos filhos de funcionários públicos. Diga-se de passagem, no geral, pessoas felizes e satisfeitas com a vida de horário regular, férias remuneradas, salário que sobe conforme seus méritos (cursos, tempo de casa, etc). Meu pai sempre sonhou que eu fosse bancaria como ele e garanto, não teve dia mais feliz na vida dele comigo do que aquele em que eu passei no concurso do banco estatal onde ele fez carreira. Mas não era a minha praia. Nem a do meu marido, que, embora tenha estado na iniciativa privada por anos, valorizado e não tão mal remunerado pelo trabalho que fazia na gestão de contratos, sempre quis empreender.

Há quase uma década somos donos de nossa própria empresa. Não e fácil, mas nos faz feliz de verdade. Nascemos para isso.

Nossos filhos, que poderiam seguir nosso exemplo e até criar novos negócios conosco (pois trabalhamos com mídias digitais e agora temos uma startup de tecnologia para ciência) parecem ter outros sonhos. O mais velho está escrevendo um livro – que na verdade é uma saga, com muitos volumes. O do meio já quis ser professsor, agora fala em seguir carreira militar na aeronáutica e tem talento para engenharia. Enfim, nada parecido com a gente, tampouco com o que o senso comum entende como empreender, né?

Então, gente, vamos parar de focar em incentivar os jovens a se inspirarem em outros, buscarem sucesso rápido de youtubers ou coaches, e começar a olhar cada um com seu potencial para realizar os sonhos que têm e que precisam ser pessoais e vir do coração para terem sentido. Menos falas inspiracionais e mais ações que ensinem pelo exemplo que o mundo é mais do que contar do sucesso, é viver a vida fazendo o que amamos, acreditamos e que faz o bem para nós e para a sociedade.


“Falar é tranquilo, né? Colocar na descrição do perfil, escrever no currículo. O Word aceita tudo. Mas e na prática, como é que funciona? A prática é o grande filtro que seleciona quem está tentando, quem está fazendo e quem “dizque” faz.” 
@caioblumer 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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