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juliana alves como mulher maravilha

Um update do consulado americano no Rio me fez descobrir o que estava por trás das fotos da linda Juliana Alves como Mulher Maravilha.

É o Projeto Identidade, uma exposição fotográfica que apresenta ícones populares (originalmente brancos) representados por pessoas negras. Os idealizadores, Noemia Oliveira e Orlando Caldeira, contam que o projeto “nasceu da ânsia de propor uma reflexão sobre os valores estéticos impostos na sociedade brasileira, utilizando para isto a força da imagem”. O trabalho, que tem fotos de Guilherme Silva, pretende viabilizar o reconhecimento da figura negra como possibilidade potente do belo, além de “suscitar uma ponderação sobre os danos que a “invisibilidade” do negro pode trazer para a formação de uma sociedade democrática: uma sociedade que se respeite, que se assuma e se represente em diversidade”.

paquita negra

Os questionamentos dos idealizadores passam pela minha cabeça há tempos e já foram tema de muitas reflexões aqui no blog, desde os recentes apoios aos movimentos para afrobetizar a escola e os professores, destaques para celebridades que militam e a presença em encontros étnicos, como o papo com Joe Beasley.

Como reconhecer como bonito, como positivo, aquilo que não vemos na TV, no cinema (e nem nos livros de história, a bem da verdade) como tal? Que ainda enxergamos como o periférico, o exótico, a exceção?

Vale ressaltar: mais da metade da população brasileira se declara preta ou parda e ainda assim ainda é difícil encontrar referências negras associadas a uma imagem positiva, um personagem negro numa telenovela que ocupe um alto cargo, uma princesa negra.

princesa negraf

Entre os modelos clicados estão algumas personalidades conhecidas da mídia, como a atriz Juliana Alves e o modelo Taiguara Nazareth e também anônimos, como os frequentadores do Baile Charme do Viaduto de Madureira (evento da cultura negra no subúrbio do Rio de Janeiro e que se tornou bastante conhecido e frequentado por diversas classes) e Cleidilson, garoto que ficou conhecido por ter pintado os personagens da Turma da Mônica com a pele negra como sua, justificando sua atitude (numa prova de escola), dizendo não se reconhecer neles.

cleidison garoto que pintou a turma de monica com pele negra

E tem que ser por aí, em tudo a gente tem que ter o direito de se ver ou de não querer ver o que não nos representa.

Se não tem mais personagens iguais a nós (eu adorava o Pelézinho porque ele tinha a Neusinha e eu me via na japonesinha), vale pedir pro autor, cartunista, cineasta, para todo mundo que puder. E se o cara não atender aos nossos pedidos, vale mudar de gibi, desenho, filme, jogo, favorito. Ou não, né?

Liberdade, livre-arbítrio e direito de opinião, sempre.

E sabem o que me chamou atenção no update? Gente comentando que não acha legal copiar esteriótipos de enlatados americanos para criar representatividade étnica.

Cadê essas pessoas para reforçar o espaço de atores negros em produções nacionais? Nós (japas) fazemos festa com qualquer aparição (até as ridículas) de orientais na mídia. E tem que ser assim mesmo, eu acho. A gente tem que se ver e gostar muito de se ver representado em tudo.

trollbrain-lanterna-verde-john-stewart

E sobre os heróis, na hora eu pensei no Lanterna Verde do desenho animado (muito melhor do que o Ryan Reinolds do longa do cinema) e na minha favorita Tempestade que praticamente comanda os X-Men.

Storm_Xmen-dOFP

E é controverso, eu sei, mas quem manda nos Marvel Agents of S.H.I.EL.D.? Nick Fury.

the-avengers-nick-fury-limited-edition-collectible-figurine-13

Para completar, o novo Tocha do Quarteto Fantástico é negro 😉


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