Hepatite C, um mal silencioso que pode ser vencido pela informação

Você sabia que o vírus da hepatite C foi descoberto só em 1989 e que os exames para detectar o vírus foram disponibilizados nos países ricos a partir de 1991, e no Brasil, em 1993?

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Em épocas de festividades e possíveis escapadas da rotina, como o carnaval, é comum vermos campanhas pelo uso da camisinha que relacionam as práticas seguras à Aids. Mas esta não é a única doença contagiosa que devemos combater com informação e conhecimento.

A hepatite C atinge mais de 3 milhões de brasileiros e já mata mais do que a Aids e é considerada uma pandemia e descrita pela Organização Mundial da Saúde como “o mal silencioso”. Segundo dados da OMS, já são 150 milhões de infectados no mundo e 350 mil pessoas morrem de complicações da doença – principalmente cirrose e câncer hepático – todos os anos. No Brasil, entre 2000 e 2010, ocorreram 14,9 mil mortes.

“Cerca de 3 milhões de brasileiros têm hepatite C, que demora para apresentar os primeiros sintomas. Ao ignorar que possui o vírus, paciente contribui para disseminá-lo.”

Por que é um mal silencioso?

Segundo li, a doença demora até 30 anos para manifestar seus primeiros sintomas e ataca o organismo sem que se tome conhecimento de sua presença. Este tempo de hibernação permite que a pessoa contaminada passe o vírus adiante, ajudando a engrossar as estatísticas.

Como diagnosticar?

Um exame de sangue detecta anticorpos produzidos contra o vírus, mas a prática ainda não é disseminada no Brasil. Raros são os médicos que pedem este exame (ou o de Aids) para seus pacientes no check-up anual, assim como ainda é incomum que o brasileiro faça esta visita preventiva e bateria de exames sem estar doente.

Já conheci pessoas que detectaram a doença ao saber de uma gravidez e, felizmente, com acompanhamento correto, tiveram bebês saudáveis e puderam também cuidar do quadro de hepatite após saberem do diagnóstico.

Quem está mais sujeito à doença?

Para piorar o cenário, poucas pessoas conhecem sua forma de contágio e complicações, e associam-na, erroneamente, a grupos de risco. O que aumenta as chances de contágio são comportamentos de risco.

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Situações arriscadas são o contato com sangue contaminado em seringas, objetos cortantes, cachimbos, alicates e espátulas de unha, instrumentos utilizados nas tatuagens e para colocação de piercings, além de transfusões de sangue e hemodiálise que não seguem protocolos de segurança. Em até 7% dos casos, o contágio pode se dar por meio de relações sexuais inseguras e também durante o parto, de mãe para filho, além da amamentação.

E as vacinas, protegem mesmo?

Infelizmente não há vacina para a hepatite C, apenas para as do tipo A e B, mas muitos pensam que uma vez vacinado para uma, automaticamente se protege das outras. Daí o valor do teste, que é gratuito. Vale lembrar que se a hepatite C é detectada precocemente, as chances de cura vão de 50% a 80%. E a boa notícia é que os índices podem melhorar com a oferta de medicamentos mais eficazes pelo SUS.

Como eu nunca tinha ouvido falar disso tudo?

Eu me fiz esta pergunta quando li pela primeira vez sobre o tema, na época da primeira gravidez, quando eu fiz o teste. Felizmente sempre estive livre desta enfermidade, mas por conhecer o drama de quem sofre com a hepatite aprendi que informação pode salvar vidas.

A verdade é que é tudo muito novo. Imaginem que o vírus da hepatite C foi descoberto só em 1989 e que os exames para detectar o vírus foram disponibilizados nos países ricos a partir de 1991, e no Brasil, em 1993!

Como tratar e se curar?

O tratamento é feito com remédios para zerar a carga viral no organismo. Se não houver evolução para uma cirrose, a chance de cura varia de 50% a 80%.

A partir deste ano, duas novas drogas estarão à disposição no SUS para reforçar o tratamento de quem tem hepatite C. Os antivirais boceprevir e telaprevir foram aprovados em 2011 e permitem uma chance de cura de até 80%, principalmente se o diagnóstico é feito precocemente. Atualmente, o tratamento consiste em uma injeção de interferon e comprimidos de ribaverina. Eles não deixarão de ser usados, mas agora serão ministrados em conjunto com o boceprevir ou o telepravir, numa espécie de coquetel. Para os próximos 3 a 5 anos é esperada ainda uma nova leva de medicamentos, que permitirão terapias sem o uso do interferon, que gera efeitos colaterais severos, como anemia, dor de cabeça, perda de cabelo e vômito.

E o diagnóstico precoce é o grande aliado! Hoje, até 40% dos pacientes em estágio mais avançado não podem ser medicados porque não suportam os efeitos. Portanto, quanto mais cedo detectar a doença e iniciar o tratamento, maiores as chances de cura.

Informe-se e compartilhe este conhecimento, muitas famílias podem ter suas vidas alteradas para o bem graças à sua atitude.

🙂

Mais informações:
– Associação Brasileira de Portadores de Hepatite: hepatite.org.br
– Página do Ministério da Saúde

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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