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Provavelmente você deve ter visto alguém das suas redes sociais comentar sobre a série mais importante de 2017: The Handmaid’s Tale.

A série é uma adaptação do livro “O Conto da Aia” de Margaret Atwood, que está disponível pelo canal de streaming Hulu (infelizmente ainda não disponível no Brasil)*, já teve uma adaptação para o cinema em 1990, A Decadência de uma espécie, o livro foi escrito em 1985.

A história é contada pela ótica da aia Offred (que significa “De Fred” o comandante e seu dono no momento). A poluição e os desastres ambientais chegaram a níveis altíssimos o que causou uma queda da natalidade absurda em todo mundo e na república de Gilead, antigamente conhecida por Estados Unidos, se tornou sociedade totalitária baseado em fundamentalismo religioso cristão.

Nessa nova ordem mundial, todas as mulheres perderam os seus direitos civis, não podem trabalhar, ter o seu próprio dinheiro, ler, escrever, as poucas mulheres férteis são tratadas como propriedade do Estado, não que as inférteis tenham uma vida melhor, as pobres se tornam empregadas, prostitutas ou estão nas minas de lixo radioativo o que faz que sua vida seja abreviada, as ricas são esposas dos comandantes e só podem cuidar do jardim, mandar nos empregados e fazer atividades manuais, sem poder expressar seus desejos e opiniões.

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(Atenção Tema Estupro) Este mundo cruel Offred, interpretada por Elisabeth Moss (Mad Men) é reconvertida numa aia, a sua única função é gerar filhos para a sobrevivência da espécie,  elas são enviadas para as casas dos comandantes, os homens poderosos de Gilead onde as Aias são estupradas mensalmente em cerimônias “religiosas” pelo comandante (Joseph Fines) e com a presença de sua esposa (Yvonne Strahovski) e se engravidar, após o desmame do bebê, a aia é enviada para outra família, e o martírio continua. Diferentemente da maioria das séries que usa o estupro como recurso narrativo em séries e filmes, o estupro que aparece na série é brutal, sem fetiche, assustador.

Antes de ter sido sequestrada, June (o real nome de Offred) era uma mulher comum, trabalhava numa editora, era casada, tinha uma filha e sua fertilidade que é de interesse para o Estado o que desperta raiva e inveja entre as outras mulheres inférteis.

O livro é atemporal mas é impossível não traçar um paralelo com a situação que vivemos hoje, a cada episódio parece que ele nos mostra uma pista sobre o que pode acontecer conosco continuarmos com essa apatia em relação ao sistema político, social e ambiental.

The Handmaid's Tale -- "Late" Episode 103 -- Offred visits Janine’s baby with Serena Joy and remembers the early days of the revolution before Gilead. Ofglen faces a difficult challenge. Ofglen (Alexis Bledel), shown. (Photo by: George Kraychyk/Hulu)

A série é apesar de ser considerada uma “distopia”, pois mesmo sendo uma ficção o que vemos são as mais variadas violências contras as mulheres, de culpabilizar as mulheres diante um estupro, mutilações, negação do prazer, vontade própria, humilhação, perda de autonomia, e desejo.

Vivemos hoje num mundo as mulheres ainda são assassinadas por seus companheiros por considerá-las como propriedades, ou somos violentadas por estarmos num lugar errado na hora errada, quando a gente prefere se calar pois tem medo das represálias, ou quando vemos a sociedade aplaudir a ascensão de candidatos, machistas, racistas, misóginos e preconceituosos, é impossível não ouvir o que Offred fala no terceiro episódio como uma terrível profecia:

Quando aniquilaram o Congresso, não acordamos. Quando culparam terroristas e suspenderam a Constituição, também não acordamos. Disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente. Você seria fervido numa banheira de aquecimento gradual antes que percebesse”. Offred

Num momento em que os direitos das mulheres são constantemente ameaçados pela crise política, religiosa e econômica essa série torna-se um alerta do que pode estar por vir se continuarmos calados.

*A série está disponível em vários sites com legenda em português.

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Christina Santos

Christina Santos, química, com especialidade em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos, adora gatos e pipoca e tem grande interesse em meio ambiente, e sustentabilidade corporativa.

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