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(mojzagrebinfo / Pixabay)

Há alguns dias, duas conversas no grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook geraram certa controvérsia:

O primeiro trazia dados de uma uma pesquisa desenvolvida pela Texas A&M International University confirma que a publicidade influencia sim nas escolhas alimentares das crianças, mas a intervenção dos pais é determinante no cardápio.

“A pesquisa foi realizada com 75 crianças com idade entre 3 e 5 anos, que foram divididas em dois grupos para assistir desenhos animados com diferentes publicidades. O primeiro grupo viu um comercial de batatas fritas e o segundo, um com pedaços de maçã. Após assistirem aos desenhos, cada criança recebia dois cupons: um com batatas fritas e outro com maçãs.  Entre as crianças que viram o anúncio das batatas, 71% escolheram o cupom referente a esse alimento. Porém, esse número desceu para 55% quando os pais sugeriram a escolha das maçãs. O mesmo comportamento foi verificado no outro grupo. Entre os 46% que escolheram as batatas, 33% toparam mudar com o conselho dos pais.”

Qual a controvérsia?

Lucy, doutora pela Universidad Complutense de Madrid (UCM) e parte do Instituto Noa, ao compartilhar o link, escreveu:

“Sempre digo: televisão não traz nada de bom para as crianças. Precisamos cuidar do que nossos filhos assistem! Adorei esta notícia!”

E eu questionei, antes de ler, porque creio que tudo tem um lado bom e um ruim, a exposição desmedida e desassistida é que faz a TV ser nociva, às crianças e também aos adultos.

Gerou um papo bom, Lucy me respondeu:

“Alguns programas são muito bons. Mas muitos pais e outros adultos “esquecem” a criança na frente dessa babá tecnológica, ou de um tablet, celular, e não fazem a menor ideia do conteúdo que a criança acessa. E é nessas horas que as empresas se aproveitam para estimular o consumo de produtos que não promovem uma alimentação saudável.”

E gente, a verdade é que quando a gente achava que a TV era o pior para uma criança, surgiu o smartphone e os pais agora têm a “babá” youtube o tempo todo para “distrair” as crianças. É desesperador ver quantas famílias passeiam, almoçam e até na praia e piscina deixam as crianças pequenas no youtube sem supervisão!

O outro link, admito com certa vergonha, foi meu. O título era pesado – 11 Alimentos Que Matam Os Seus Filhos E Você Não Sabe – e como ponderou minha prima Débora lá no grupo, embora tenha lógica e até fundamentação, não tinha explicação científica em nada. Eu escrevi:

Que alivio ver uma lista assim e ter segurança de que meus filhos já não comem (pelo menos em casa) os itens!

E me justifico: fui exposta a praticamente tudo isso aí na infância e olha, luto muito contra alergias até hoje. Boa parte veio sim de exposição precoce a alimentos superindustrializados. Hoje eu me sinto orgulhosa de ter conseguido criar uma alimentação caseira livre disso tudo, especialmente porque, por 5 anos, eu trabalhei com industria de bebidas e olha, eu achava mesmo que dar suco de caixinha não era o fim do mundo!

(shame on me, I know)

 

Me sinto feliz porque mudei algo em mim que foi uma “herança familiar”. E talvez eu mude a “maldição familiar”, o que a gente leva como hábito porque se tornou natural em casa. 

Vejam só:

Um estudo mais local, da USP, mostra que o hábito alimentar infantil segue exemplo familiar.

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” expressa bem os achados de um estudo da USP em Ribeirão Preto sobre hábitos alimentares e estado nutricional de crianças e seus familiares. Apesar da preocupação com a alimentação das crianças, a maioria dos responsáveis participantes da pesquisa também apresentava dieta inadequada ou precisando de modificação.

Ao analisar rotinas, atitudes, crenças e algumas doenças ligadas à obesidade, especialistas do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, entre eles a nutricionista Gabriela Pap da Silva que trabalhou sob orientação da professora Telma Maria Braga Costa e do professor Sebastião de Sousa Almeida, do Departamento de Psicologia da FFCLRP, para obtenção de seu título de mestre em Psicobiologia, observaram que a influência de pais ou responsáveis sobre o comportamento alimentar dos filhos é maior que imaginam. E não apenas pelo que dizem às crianças, mas, principalmente, pelo que eles próprios consomem.

rawpixel / Pixabay

Vejam dados levantados na tese de mestrado em Psicobiologia da nutricionista Gabriela Pap da Silva:

  • o estudo envolveu 164 crianças de seis a dez anos e seus familiares ou principais responsáveis pela nutrição, todos residentes na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo
  • dentre os resultados, verificou que a maior parte das crianças que apresentaram excesso de peso (56) possuía responsável também com excesso de peso (46)
  • mais da metade das crianças (51,8%) tinha dieta “inadequada” e outros 47%, dieta com “necessidade de modificação”
  • seus responsáveis também tinham valores altos de dieta “inadequada” (30,5%) e de “necessidade de modificação” da dieta (67,1%)

skeeze / Pixabay

A obesidade infantil é uma doença de causas multifatoriais, com destaque para hábitos de vida e alimentares, que podem sofrer influência de seus cuidadores.

Dados nacionais:

  • entre 1989 e 2009, o Brasil registrou aumento de 300% no número de crianças de cinco a nove anos de idade que estavam acima do peso; e ainda “grande prevalência de dislipidemia” entre elas

No grupo de Ribeirão Preto, algumas doenças alcançaram números expressivos entre os familiares próximos das crianças:

  • 46,3% de diabetes mellitus
  • 62,8% de hipertensão arterial
  • 31,1% de dislipidemias

A Organização Mundial da Saúde estima que essa população infantil obesa deva chegar a 75 milhões até 2025. Como problema de saúde pública, a preocupação se deve ao risco alto dessas crianças desenvolverem problemas de adultos como diabete, hipertensão e doenças cardiovasculares.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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