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Estive ontem num debate interessantíssimo, tanto pelo tema – os aspectos educacionais, sociais e legais do uso consciente da internet – quanto pela escolha do local – uma lan house bem popular no centro de São Paulo (em frente ao metrô Marechal Dedoro, logo abaixo do Minhocão). No debate, que reuniu o apresentador Marcelo Tas; Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática – DRCI/RJ; Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do CDI (Comitê para a Democratização da Informática) e Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil, e Tatiana Weinheber, gerente de Comunicação Corporativa da GVT, lançavam o “Guia para o Uso Responsável da Internet”. Iniciativa mantida desde 2008, esta terceira edição, que teve o conteúdo organizado pela Mingau Digital Produções, está separada em três áreas, reproduzindo a realidade vivenciada pelas famílias interativas. Crianças, Pais e Professores são atendidos nos guias que podem ser acessados através do endereço internetresponsavel.com.br. Segundo Elisa Araújo (do blog Crianças e Mídia), da Mingau Digital

“A idéia é que o material seja compartilhado em escolas, famílias, telecentros e lan houses. A versão impressa, com tiragem de 50 mil exemplares, alcançará 1,4 mil lan houses de todo o Brasil por meio da ABCID (Associação Brasileira dos Centros de Inclusão Digital), 475 CDIs Comunidades de 15 estados e o Distrito Federal, seis mil colaboradores da GVT além de laboratórios de informática apoiados pela empresa na região Sul e Nordeste. A SaferNet Brasil, que apóia a iniciativa, passará a utilizar o guia como complemento em suas oficinas sobre navegação segura. Secretarias municipais e estaduais de educação também vão receber exemplares do Guia. Licenciado pelo Criative Commons do Brasil, o material pode ser reproduzido livremente desde que os autores sejam citados. Escolas e instituições que tiverem interesse em fazer isso ou saber mais informações devem entrar em contato pelo email para educando@gvt.com.br. Alem disso, as três versões do Guia impresso estão disponíveis em pdf para download no site.”

Estive lá – na companhia de @cybelemeyer (parceira no Mãe com filhos e editora do Educa Já) e de @vanerodrigues (do EducaRede) – e gostei do que vi e ouvi, a começar por uma crítica do formador de opinião de várias infâncias @marcelotas (Professor Tibúrcio, Plantão do Tas, CQC) à hashtag indicada pelos organizadores do evento – #webdobem. Não há web do bem ou do mal, há um espaço incrivelmente democrático no qual precisamos interagir com base não em ferramentas tecnológicas, mas no nosso bom senso e na capacidade que temos de nos relacionar de forma positiva com pessoas e conteúdos. [Veja a íntegra do debate no vídeo abaixo] Por conta disso, quando um pai ou um professor diz ter receio da internet e das redes sociais porque as crianças e adolescentes sabem muito mais, estou com a delegada Helen Sardenberg: o adulto responsável que fica ao lado do menor pode compartilhar com ele sua experiência de vida. E desta troca pode sair o caminho do meio entre o “medo” que adultos sentem dos espaços virtuais e a impetuosidade que os muito jovens demonstram frente às telas. Segundo Helen, 95% dos crimes que acontecem no mundo virtual já existem – e eles estão cobertos pela lei -, portanto vale lembrar que nada mudou no que chamamos de crime contra honra, pedofilia, etc, continuam valendo nossas regras de conduta ética e a nossa capacidade de julgar as situações como certas ou erradas. E igualmente vale, mesmo no novo ambiente, o virtual, os ensinamentos que podemos passar para nossas crianças e adolescentes sobre o que é bom ou ruim para a vida deles. E, quanto ao receio das novas ferramentas, bem frisou Rodrigo Nejm, “a mesma arma que a polícia usa para nos defender o bandido usa para nos intimidar”. A questão me parece ser menos de demonizar a internet e suas ferramentas e mais de estimular a proliferação de ambientes de uso responsável da internet.

[Matéria do Jornal Nacional de ontem sobre o tema – dica da @rogeriathompson e da @blogdati]

Este, aliás, foi o verdadeiro foco do debate, no qual a CDI  (Comitê para a Democratização da Informática) relembrou vários cases e demonstrou o valor das lan houses em todo Brasil para a democratização do acesso à informação. Ao invés de proibir as lan houses, Rodrigo Baggio da CDI indica que a sociedade transforme estes espaços em locais de educação e formação. Ele contou que a CDI Lan tem um projeto com o Sebrae par formalização dos microempreendimentos que são as lan houses, de forma a trazê-los para a legalidade e criar nestes espaços ambientes de multinegócios, além de um espaço no qual os afiliados estão dentro de uma comunidade e aceitam partilhar (cobrar?) com seus clientes regras de conduta positivas para toda sociedade. [O CDI lan pode ser conhecido aqui] E este papo, longo, ainda vai ser muito replicado em outros posts. Se você ficou curioso, visite o endereço internetresponsavel.com.br ou conheça o Guia para o Uso Responsável da Internet.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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