Quem diria que coisas simples assim, conselhos de vó, seriam tema de política pública? 

Tenho isso informada de algumas iniciativas de incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas pelo Governo Federal, em especial do Ministério da Saúde, que adotou metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país.

Durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, realizado em março, o Brasil assumiu alguns compromissos: 
  • deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional;
  • reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019;
  • ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Quem diria que coisas simples assim, conselhos de vó, seriam tema de política pública? 

Deveriam ser há muito tempo, aprender a comer bem e ter uma vida saudável deveria fazer parte do currículo escolar em todas as séries.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), o Ministério também conseguiu retirar mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados em quatro anos.
Oficialmente, o Brasil também incentiva a prática de atividades físicas por meio do Programa Academia da Saúde com mais 3.800 polos habilitados. Na prática, bem, quem tem dinheiro (sobrando) faz academia ou frequenta um clube, né? 
Criado em 2011, a iniciativa se inspirou na experiência da Academia da Cidade, implantada no Recife desde 2002 e que tem servido de referência para a criação de políticas de promoção da saúde no Brasil e no exterior. Hoje funciona em 2,9 mil municípios, em todos os Estados brasileiros.
O Programa Academia da Saúde tem como um de seus pontos centrais a implantação de polos dotados de infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados, o que potencializa a realização de ações variadas de promoção da saúde, como: práticas corporais e atividades físicas, promoção da alimentação saudável, mobilização da comunidade, práticas artísticas e culturais, gestão participativa, entre outras preconizadas pelo Programa. É, portanto, mais um espaço do SUS de referência e de vivência nos territórios que compõem as redes de atenção à saúde.
Os polos do programa são compostos por dois espaços: área coberta e área descoberta.A área coberta de apoio, também chamada de edificação de apoio, tem sua funcionalidade referente à proteção ao clima (sol e chuva) e à realização de atividades simultâneas e coletivas.

A área descoberta é um espaço que deve ter uma parte livre, para atividades coletivas sem uso de aparelhos, e outra facultativa a ser preenchida por equipamentos de exercício físico de alvenaria, conforme anexo 1 da Portaria nº 1.707/2016. A disposição dos equipamentos previstos nesta Portaria deve ser organizada de maneira a garantir a circulação de várias pessoas ao mesmo tempo e a realização do exercício nas várias amplitudes. Esses equipamentos facultativos são: barra horizontal tripla, barra paralela, bancos, prancha abdominal, barra marinheiro, espaldar e a barra fixa de apoio.

Uma pergunta que eu não me canso de fazer aqui no @avidaquer e que nem todo mundo entende é:
Está funcionando? Alguém está acompanhando?
Bom, neste caso, descobri que tem pesquisa científica na área.

Professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade de Toronto (Canadá)  estão desenvolvendo um estudo para avaliar o custo-eficácia do programa Academia da SaúdeA ideia de estudar o custo-efetividade da Academia da Saúde partiu do professor Flávio da Guarda, da UFPE. Doutor em Saúde Pública pela Fiocruz, ele observa que em países como Inglaterra, Austrália, Estados Unidos, Canadá existem pesquisas que avaliam o custo e a efetividade de medicamentos, procedimentos médicos e atividade física. Mas no Brasil nenhum relacionado a programas de atividade física. Daí o ineditismo do trabalho.
Flávio da Guarda realizou o estudo com o professor-doutor Peter Coyte, do Instituto de Políticas de Saúde, Gestão e Avaliação, da Universidade de Toronto, e foi convidado por ele a passar seis semanas como docente-visitante no Canadá. Coyte é um dos maiores especialistas em avaliação econômica do mundo. 

Na entrevista que li, Flávio da Guarda defende o programa:

“A avaliação desse tipo de programa é uma caixa de surpresas, mas temos expectativa de que ele se mostre positivo do ponto de vista custo-efetividade. Promover a saúde por meio de atividade física pode significar economia nos gastos, sobretudo no caso de doenças que surgem em consequência da inatividade física. Ao invés de pagar por internações hospitalares relacionadas à hipertensão, diabetes, derrames e infartos, o investimento em programas como a Academia da Saúde pode ser mais proveitoso, pois produz benefícios físicos, psicológicos e sociais.”

Para chegar a uma conclusão, os dois professores analisaram:

  • produção do programa (número de procedimentos realizados e pessoas atendidas);
  • evidências científicas (diminuição do risco de adoecimento e morte);
  • potenciais impactos sobre a melhoria da qualidade de vida, sintomas de depressão, interação social e aumento dos níveis de atividade física das pessoas.

“A ideia é tentar identificar se existe associação entre a participação das pessoas no programa e os custos dessa intervenção para depois comparar com o gasto com internações hospitalares e outros desfechos negativos para a saúde, assim como os potenciais impactos sobre a qualidade de vida da população. Na prática, vamos verificar se o investimento e efeitos do programa são maiores ou menores que os gastos e consequências da falta de atividade física.”

O resultado da pesquisa pode ser visto no site da University of Toronto, no artigo Evaluating Health Impacts of Brazil’s Physical Education Programs.
People participating in physical activity in Recife city
Essa linha de ações chega as universidades brasileiras, públicas ou privadas, que foram convidadas a desenvolver projetos com ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde.
Vejam só:
  • Ao todo, serão disponibilizados R$ 10 milhões para o desenvolvimento de pesquisa, extensão e formação de trabalhadores na atenção básica, nível de atenção com capacidade para resolver 80% dos problemas de saúde do brasileiro.
  • Serão selecionadas 27 Universidades.
  • O objetivo do Ministério é qualificar a assistência e o cuidado para a prevenção e controle da obesidade, que já afeta 18,9% da população adulta nas capitais brasileiras.
  • Os projetos deverão ter a duração de dois anos, contados a partir da data de assinatura da proposta, além de obedecer a requisitos técnicos descritos no Edital.
Como se definem os percentuais?
 
Os recursos para as Universidades foram determinados conforme análise de critérios socioeconômicos e geográficos, além da cobertura de equipes do Núcleo de Atenção à Saúde da Família na Atenção Básica (NASF-AB).
 
As instituições que atuam nos estados do Espírito Santo, Acre, Amapá, Alagoas, Roraima, Rondônia, Sergipe e o Distrito Federal, estão classificadas na faixa A, e receberão até R$ 250 mil. As que atuam no Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, estão classificadas na faixa “B” e receberão até R$ 350 mil. Já as da faixa “C”, que estão nos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná, terão disponível até R$ 500 mil.
 
A chamada pública “Enfrentamento e Controle da Obesidade no âmbito do SUS” está aberta no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), até o dia 16 de setembro de 2018.
Se sua universidade se envolver, conte para mim, tá?
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.