Guerra Fria e os 25 anos do fim da URSS

O “Aliás” é uma das minhas publicações favoritas na atualidade no Brasil. Um caderno sucinto, de apenas 4 paginas, mas que traz análises sobre questões que realmente farão diferença na sociedade ou gerarão notícias.

Jornalismo deveria ser isso sempre, mas, a cada dia, é mais fofoca e notícia velha.


Neste domingo, recomendo a entrevista de Lucia Guimarães com o acadêmico britânico Mark Galeotti. Autor de mais de 10 títulos sobre Rússia, segurança e crime transnacional, afirma que Putin se sente traído por perder a influência na Ucrânia e aproveitará qualquer desculpa para usar seu poderio bélico. 

Mas, para ele, o paralelo não é a Guerra Fria: 

“Temos de pensar na Rússia do século 19, um país que demanda respeito e ignora pressões. Podemos esperar demonstrações de força”. 

Vivemos o momento mais perigoso de tensão entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria. Enquanto os russos acusam Estados Unidos e União Europeia de enganar e marginalizar seu país, os norte-americanos os denunciam por tentar interferir em suas eleições presidenciais e por crimes de guerra na Síria. 


Eu lembro da Perestroika. Era adolescente, mas já engajada, e li o livro escrito por Mikhail Gorbachev. Dois anos depois, assisti pela TV e acompanhei por jornais e revistas a dissolução da União Soviética. 

A Glasnost (transparência, em russo) e a Perestroika (reestruturação, em russo) foram medidas políticas e econômicas adotadas na ex-União Soviética, em meados da década de 1980, durante o governo de Mikhail Gorbachev. Tinham como principais objetivos modernizar e abrir a economia soviética, além de garantir maior abertura política. Estas medidas foram as principais responsáveis pelo fim da União Soviética e do seu sistema político econômico (socialismo), que vigorava desde a Revolução Russa de 1917. Foram também de fundamental importância para o fim da Guerra Fria.

Neste ano, em dezembro, essa mudança do mundo faz seu 25º aniversário. E há duas semanas, o próprio Gorbachev, último presidente da URSS, alertou: “o mundo chegou ao momento mais perigoso de tensão entre a Rússia e os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria”.

Se o assunto também te interessa, veja alguns trechos que pesquei no texto Potências em luta: a pior crise entre Rússia e Ocidente desde a Guerra Fria. 

Eu lembro da Perestroika. Era adolescente, mas já engajada, e li o livro escrito por Mikhail Gorbachev. Dois anos depois, assisti pela TV e acompanhei por jornais e revistas a dissolução da União Soviética. Neste ano, em dezembro, essa mudança do mundo faz seu 25º aniversário. E há duas semanas, o próprio Gorbachev, último presidente da URSS, alertou:
Putin é visto, não como estrategista, mas como um oportunista tático?

Sim, Putin é um oportunista eficaz. Por ser um líder autoritário, pode se mover rápido e a invasão da Crimeia é bom exemplo. Dois meses antes, não havia suspeita de que estariam prontos para invadir. Quando o regime de Kiev caiu, em fevereiro de 2014, decidiram que era preciso agir para que a Ucrânia não “fosse roubada” pelo Ocidente, afinal, tinham suas bases navais lá, mas viram também uma boa oportunidade. Os habitantes da Crimeia eram insatisfeitos, preferiam ser russos do que ucranianos e, para Putin, a Ucrânia não era um país, era uma colcha de retalhos.

Como este oportunismo se revela no ataque na Síria que começou há um ano?

A operação começou com um objetivo e se tornou algo diferente. Quando Putin primeiro enviou sua força aérea, pegou todos de surpresa – de novo, tática impecável. Ele queria fortalecer Assad para impedir o colapso do regime. Mas, o mais importante, a meu ver, foi a motivação geopolítica dirigida aos Estados Unidos. Naquele momento, em setembro de 2015, os norte-americanos faziam um esforço consistente para isolar a Rússia diplomaticamente. Foi a maneira de Putin dizer a Obama, você não pode me excluir. E funcionou. Mas, depois de conseguir o objetivo diplomático, Putin anunciou uma retirada. Só que a retirada não aconteceu, foi um revezamento de forças e uma escalada do engajamento. Vejo dois motivos aí: Putin temeu correr o risco da queda do regime Assad, mas acho também que a missão mudou, passou a ser uma demonstração de que a Rússia tem um papel no Oriente Médio. De certa forma, a Rússia é um destes animais que estufa o peito para fazer os outros bichos recuarem. Veja, a Rússia é um país fraco, sua economia é relativamente pobre, seu exército muito menos formidável do que imaginamos. Quanto mais ela impressiona, especialmente na Europa, mais os países ficam amedrontados.

Mas a Rússia não tem dinheiro para reconstruir a Síria, o que vai fazer se ocupar Alepo, uma cidade devastada?

A Rússia pode demonstrar que consegue explodir coisas, o que, numa guerra, é um atributo útil. Se eles tomarem Alepo, acho que Damasco poderá forçar alguns grupos rebeldes a negociar. Para os russos, a paz vem com poder de fogo superior. Não acho que vai dar certo, mas, de acordo com as fontes com quem converso, parece ser o plano. Os russos vão esperar que o Ocidente faça a faxina na Síria porque é o destino dos refugiados. Sem tornar a Síria habitável, não é possível deter a onda de refugiados. O calculo dos russos é, nós ganhamos a guerra e deixamos a Europa se encarregar da paz.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.