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A série que se passa no sul dos EUA é uma versão de dramalhão familiar no estilo Dallas centrada no império de uma família negra que tem um grande “negócio” religioso.

O enredo é envolvente, pois aborda um assunto delicadíssimo, que inclusive acontece aqui no Brasil: o uso da fé alheia para ganhar dinheiro e histórias de corrupção e pecado dentro da igreja evangélica.

A produtora da série é Oprah, que faz uma ponta interpretando a tia da protagonista – pra quem não sabe, ela é ótima atriz e foi indicada ao Oscar por A Cor Púrpura.

Sabem que ela tem um canal de TV, né? A emissora OWN (Oprah Winfrey Network), voltada para o público feminino e com um viés de empoderamento étnico, estreou no dia 1º de janeiro de 2012 em aproximadamente 80 milhões de casas, substituindo o antigo Discovery Health Channel, e que inclusive já anunciou a renovação da série Greenleaf para a terceira temporada.

🙂

E sobre a série, Sam?

Vamos lá!

Os pais da família Greenleaf, James (Keith David) e Lady Mae (Lynn Whitfield), comandam uma das maiores igrejas evangélicas na cidade de Memphis. Todos os filhos trabalham na igreja e obedecem ao pai, o “bispo”, com quem moram numa mansão, ampliando os espaços de opressão familiar.

Os atores veteranos e vencedores de Emmy como melhores em suas categorias por outros trabalhos garantem a qualidade.

Mas a série tem mais: cenários bonitos, alguns exuberantes (como a mansão da família), outros apenas impressionantes (como o templo). E os espaços físicos, da escola particular exclusiva para jovens negros ao abrigo de moradores de rua e à salinha da pastora “bom filho à casa torna”, vão dando noção do caminho do roteiro e das histórias escondidas!

Sexo fora do casamento, homoafetividade, abuso sexual são apenas alguns dos tópicos tratados sem dó pela série. Mas há mais do que a discussão do certo e do errado, há uma lado humano que convence, afinal, é um novelão.

[SPOILERS]
Mas com a morte misteriosa de uma das filhas do casal, a primogênita e ex-pastora Grace (Merle Dandridge) volta para casa, após 20 anos afastada da família, a fim de investigar a verdadeira causa da morte da sua irmã. E acaba descobrindo que sua irmã foi vítima de estupro por um integrante da família.

E como a base doutrinária da igreja é apresentada é a Teologia da Prosperidade, que incentiva os fiéis a buscarem a riqueza na Terra, as circunstâncias levam o pastor James a deslizes e o colocam em situação delicada quando surge uma ameaça de investigação do uso dos dízimos e ofertas. Isso resulta em uma intrincada trama entre políticos e pastores, transformando a série numa espécie de narrativa de casos reais que surgem no noticiário.

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Preciso contar: a atriz Merle Dandridge, a pastora Grace, é filha de um soldado americano nascido em Memphis. Para ficar mais interessante a sua origem, ela nasceu em Okinawa e a mãe é de lá, mas não é japonesa, é descendente de coreanos! O resultado é indicutivelmente bonito e exótico.

🙂

Enfim, recomendo para quem vive em comunidades religiosas (como eu) e também para quem discute a fé porque a história em si é boa e os problemas apresentados não são realmente ligados à fé e sim ao velho jeito humano de ser.

(Foto de La Citta Vita no Flickr Creative Commons)

(Foto de La Citta Vita no Flickr Creative Commons)

Ah, e sobre a cidade… uma das três cidades mais importantes da música norte-americana, juntamente com Nova Orleães e Nashville, Memphis costuma ser lembrada por ser a casa de Elvis Presley entre 1948 e 1977. A mansão Graceland, patrimônio da família Presley hoje transformada em museu, continua sendo um dos pontos de interesse mais visitados do estado atraindo cerca de 600 mil pessoas por ano.

A cidade tem muito mais história e bons entendedores relacionam o universo da série ao passado e ao presente da cidade mais populosa do Tennessee.

Danny Glover, o Fórum TransAfrica e uma visão do racismo capitalista

No auge da economia sulista baseada no cultivo de algodão, empenhando-se na prática do mercado escravo, Memphis vendeu e forneceu escravos para quase todas as regiões do sul dos Estados Unidos até o fim da guerra civil americana.

De acordo com o censo de 2005-2007, os negros são a etnia predominante de Memphis, sendo cerca de 62,4% da população, seguidos pelos brancos (31,9%), índios (0,2%), asiáticos (1,6%), latinos e/ou hispânicos (4,6%) e indíviduos de outras etnias que representam 2,7% da população.

(Será que eles receberam refugiados? Assunto para pesquisar!)

I have a dream

 

Mas, sobretudo, durante a década de 1960, a cidade de Memphis foi a porta dos manifestações dos direitos civis dos negros e trabalhadores. Em Memphis foi assassinado o mais proeminente líder da luta contra o racismo norte-americano, Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968.

Entenderam por que a série tem um sentido imenso?

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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