Gravuras Poty no Museu Oscar Niemeyer

poty lazzarotto

Meu marido (mezzo catarinense, mezzo paulista) diz que Poty Lazzarotto (um Bicho do Paraná) só pintava araucárias, pinhões e cenas curitibanas… talvez seja verdade, mas Degas não é conhecido por suas bailarinas, Rembrant por seus auto retratos, Di Cavalcanti por suas mulatas, Klimt por suas lindas ruivas e Gaugin por cenas da Polinésia?

Eu sou fã deste meu conterrâneo, conhecido no Brasil e no exterior pela execução de grandes murais e painéis, mas que tinha também uma produção excepcional de gravuras. Poty Lazzarotto (1924-1998) deixou sob os cuidados da Fundação Cultural de Curitiba uma seleção de 97 dessas obras a partir de hoje (até 22/11) estão em exibição no Museu Oscar Niemeyer (rua Mal. Hermes, 999, Curitiba, PR).

Li hoje um relato sobre ele e nem vou tentar escrever o meu, copio e colo abaixo:

O Vagão do Armistício, um restaurante frequentado por políticos e intelectuais, instalado no quintal da casa da família Lazzarotto, no bairro Capanema, foi um marco decisivo para a bem sucedida trajetória do artista. Foi lá que o interventor Manoel Ribas conheceu o talento do jovem Poty, que ganhou uma bolsa de estudos. Na Escola Nacional de Belas Artes, Poty recebeu sua primeira premiação, a Medalha de Bronze em Pintura no Salão Nacional, em 1942. Logo despertou o interesse pela gravura e não parou mais.

Ele ilustrou contos e crônicas. Entre 1946 e 1948 fez ilustrações para a revista paranaense Joaquim, editada por Dalton Trevisan, para jornais e publicações paulistas, cariocas e para obras de escritores consagrados, como Guimarães Rosa, Dinah Silveira de Queiroz, Jorge Amado, Euclides da Cunha e José de Alencar. Como bolsista do governo francês, na École de Beaux Arts, de Paris, estudou litografia e viajou pela França, Espanha e Itália, absorvendo influências europeias.

De volta ao Brasil, já consagrado como um dos pioneiros da gravura brasileira, Poty organizou um curso de gravura em São Paulo, Salvador e Recife, realizando um grande trabalho de divulgação e aperfeiçoamento dessa técnica. E foi com a gravura que o curitibano participou das três primeiras Bienais de Arte Moderna de São Paulo, de 1951 a 1955.

A partir de 1950, ele começou a se especializar na execução de murais, utilizando temáticas universais, como o registro de fatos cívicos, nacionais, acontecimentos da vida política, econômica, social e do cotidiano das cidades. Poty criou um verdadeiro arquivo visual da história e da evolução tecnológica do homem, afirma a crítica de arte Nilza Procopiak. São de sua autoria inúmeros painéis e murais em edifícios públicos e particulares do país e até na França, onde ele executou, em madeira gravada, o mural para a Casa do Brasil.

Por sorte eu vivi numa cidade cujos espaços públicos foram privilegiados pelas obras deixadas por Poty, como o Monumento Comemorativo ao 1o. Centenário da Emancipação Política de Estado do Paraná, São Francisco e Paraná,  Assembleia e Símbolos do Paraná, o Trabalho Humano e a Evolução Tecnológica  e Desenvolvimento de Curitiba. Não sei se vou para Curitiba em tempo, mas se você estiver na cidade, visite por mim! 🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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