Um “gol sustentável” na Copa das Confederações

Gestão de lixo dos estádios é luxo da Copa das Confederações

Neste sábado, 15/06, teremos o primeiro jogo da Copa das Confedereções. Não é uma “copa do mundo”, mas é um grande evento esportivo e, como todo mundo lembra, é uma chance de torcermos e acompanharmos as chances reais que a Seleção de Felipão terá em 2014 – afinal, como o Brasil é a sede da próxima Copa, ficamos sem aquele “esquenta” das eliminatórias e com aquela dúvida sobre o entrosamento da equipe.

Mas quando a Copa é no quintal da gente temos outras preocupações além de reunir a turma para torcer e, com sorte, festejar. 

Além da estrutura – todas as obras relativas à preparação das cidades sedes – teremos que arcar com o que “sobrar”. Há um ano, durante a Rio+20, acompanhamos um primeiro papo sobre o tema e contamos no post Implementação da Coleta Seletiva nas cidades-sede da Copa do Mundo. Na ocasião Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, André Vilhena, diretor-executivo do CEMPRE (Compromisso Empresarial com a Reciclagem) e a liderança do Movimento Nacional dos Catadores discutiam como administrar de modo sustentável o lixo sólido produzido durante as partidas.

Aquele papo e parceria realmente caminharam. Coisa boa é poder contar quando as coisas funcionam no Brasil, não é mesmo? Eu adoro.

Então vejam só: desde a Copa da Alemanha (em 2006) os programas de meio ambiente da Copa do Mundo têm a gestão de resíduos e a reciclagem como uma das seis áreas de atuação, juntamente com água, energia, transporte, compras sustentáveis e mudanças climáticas. O Brasil terá a chance de testar este modelo e fazer história na Copa das Confederações, evento no qual ainda não se implantou este cuidado com o meio ambiente. E o volume de coleta é grandioso: a estimativa é coletar cerca de oito toneladas de resíduos recicláveis por jogo.

No infográfico abaixo, do jornal O Globo, fica fácil entender como vai funcionar:

residuos-solidos-estadios

A proposta para a execução no Brasil tem relação com o evento que citei e, mais ainda, com a ONG Doe Seu Lixo, da qual falo com muito carinho deste que fiz uma imersão em suas instalações e fui inspirada ao vivo e a cores por suas lideranças, boa parte delas (para meu orgulho), feita de mulheres, mães, cidadãs e chefes de família que descobriram no cooperativismo uma forma de dignificar seu trabalho e o de muitas colegas.

Acompanho desde 2011 a parceria da Doe Seu Lixo com a Coca-Cola Brasil, que dá suporte para o desenvolvimento de 300 cooperativas de catadores e estima que até 2014 apoiarão 500 cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos no Brasil. Estes grupos têm valor imenso para nossas cidades: sem coleta seletiva, três mil lixões no Brasil concentram grande parte do material reciclável e 80% da reciclagem são feitos em coletas nesses lixões, num trabalho inseguro e insalubre. As cooperativas respondem por apenas 20% da reciclagem no Brasil.

Leia também: Histórias de pessoas que ajudaram a fazer do mundo um lugar melhor e Viva Positivamente, hub de blogs focados em sustentabilidade e bem estar

#semanaotimismo - fotos de @andersoncosta

Esperamos que esta experiência ajude o Brasil a se preparar para a gestão de resíduos para a reciclagem no ano que vem, pois a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê mudanças importantes neste cenário, como a coleta seletiva obrigatória até 2014, o fechamento de todos os lixões e a indústria sendo responsável pelo apoio às cooperativas. Hoje, 98% das latas de alumínio e 56% das garrafas PET no Brasil são recicladas e o consórcio da Coca e dos cooperados quer alavancar a reciclagem de PET ao patamar de 90% até 2020 e para isso garante a compra da resina de PET disponível no mercado. Entenda: enquanto os catadores de lixões clandestinos têm renda mensal que varia de R$ 200 a R$ 500 (menos de um salário-mínimo), os de cooperativas recebem de R$ 400 a R$ 1.500, podem crescer e se sentem valorizados, como podem saber em documentários como este, do NatGeo.

Vamos conferir se funciona mesmo? Quem estiver nos estádios nestes jogos da Copa das Confedereções pode ser “fiscal” e verificar se a teoria se transforma em prática com sucesso. Segundo li, cada estádio contará com 1.400 coletores de 180 litros nas cores verde (resídios sólidos) e cinza (orgânicos), que pretendem ser mais do que a imagem de uma Copa bonita e limpa, mas parte do legado que estes eventos esportivos podem deixar, contribuindo para a qualidade de vida da população.

faça sua coca cola virar assento no maracanã

E tem outra experiência sustentável envolvendo reciclagem e futebol: garrafas de plástico doadas no ano passado foram reutilizadas nos forros de 6.773 assentos no novo Estádio do Maracanã, o palco para a partida final da Copa do Mundo 2014. Eu doei a minha, de um suco, numa das reuniões que tive no Rio no final do ano, e espero poder estar no Maraca para sentar lá feliz por ter feito uma pequeníssima parte!

🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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