UNESCO e USP promovem evento para alfabetização em mídia e informação para jovens

Super oportunidade: Oficinas de Inovação na Agenda Jovem!

Parte da “Semana AMI Global”, o evento é uma iniciativa do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento em parceria com Dentsu Aegis Network, integrando as ações da ECA-USP na Global MIL Week da UNESCO, e acontece em São Paulo no dias 02 a 05 de novembro de 2016, na EBAC – Escola Britânica De Artes Criativas e na USP.

A participação gera crédito em CLICKS, a moeda digital da UNESCO. Essas moedas criativas são créditos digitais que os participantes da campanha MIL CLICKS ganham ao curtir, compartilhar, postar, comentar, analisar, criar ou recriar conteúdos digitais voltados à alfabetização midiática e informacional.

Pausa para relembrar o que é a UNESCO 😉

Estabelecida no Brasil desde 1964 e no mundo desde 1946 (lembram-se que a ONU surgiu depois da Segunda Guerra Mundial?), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura busca auxiliar a formulação e operacionalização de políticas públicas que estejam em sintonia com as estratégias acordadas entre os Estados Membros.

A ideia é linda na teoria: contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações.

Na prática, a UNESCO promove a livre circulação de ideias por meios audiovisuais, fomenta a liberdade de imprensa e a independência, o pluralismo e a diversidade dos meios de informação, através do Programa Internacional para a Promoção da Comunicação. Seu principal objetivo é reduzir o analfabetismo no mundo. Para isso a UNESCO financia a formação de professores, uma de suas atividades mais antigas, é a criação de escolas em regiões de refugiados.

No Brasil, a atuação da UNESCO ocorre prioritariamente por intermédio de projetos governamentais de cooperação técnica, mas ocorre também em parceria com outros setores da sociedade civil, na medida em que seus propósitos venham a contribuir para as políticas públicas de desenvolvimento humano.

Viram como tem tudo a ver com o tema acima?

Então notem como cabe na programação que indico a seguir:

Fiquei encantada com as 10 oficinas, todas em inglês, mas com tradução consecutiva. Mesmo que você não consiga participar do evento, é uma super chance de saber destes projetos e de se inspirar para melhorar o mundo à sua volta – ou até mesmo aquele que fica longe!

Workshop 1: Interaction between music and technology, por Davide Sorti (assunto super interessante, vejam este artigo: Explains the interaction between music and technology in a new website. E esse vídeo: Music x Technology: Interactive Artist Portraits.

E também este TEDx, no qual Matan Berkowitz apresenta um case de inovação nesta área, demonstrando seu potencial no cotidiano de pessoas com necessidades especiais.

Workshop 2: Thinking about new and innovative tools to promote Media and Information Literacy, por Kerim Bouzita, UNESCO MIL Toolkit for youth (Net-Med Youth Project).

Esse assunto não é popular no Brasil, mas há anos impacta projetos por aí, como este:

Desde 2003, o Office of Communications (Ofcom), órgão regulador da mídia britânica, vem liderando a implementação de uma política pública de media literacy. A migração para a TV digital foi um dos fatores que motivou tal iniciativa, principalmente porque, com a profusão de canais, o Estado iria perder a capacidade de regulamentação que vinha praticando desde o surgimento da TV.

Não há uma definição única de media literacy, mas vale esta que a explica como  “a habilidade de acessar, compreender e criar comunicações em uma variedade de contextos”. O foco é a mídia eletrônica, pois media literacy é a habilidade para ler e escrever informação audiovisual ao invés de texto. No nível mais simples, media literacy é a habilidade para usar uma variedade de mídias e ser capaz de compreender a informação recebida.

E aqui entra um ponto que faz este evento importante para todos os públicos e que é o que nos iguala neste século XXI: a necessidade de sermos todos “alfabetizados” nas mídias digitais, tornando-nos pessoas letradas em mídias.

A declaração abaixo parecerá antiquada, mas mostra como nestas duas décadas nós mudamos em termos e uso de tecnologia!

Pessoas letradas em mídia deveriam ter habilidades para, por exemplo, usar um guia eletrônico para encontrar um programa que desejam assistir. Elas deveriam saber dizer se concordam ou não com o ponto de vista do produtor – e não apenas dizer se gostaram ou não gostaram do programa. Elas também deveriam saber reconhecer em que medida o produtor está tentando influenciá-las de alguma forma, e deveriam saber interagir com o programa, usando os recursos de interatividade da TV ou do telefone. E elas deveria saber responder ao programa escrevendo ou mandando e-mails para o radiodifusor responsável, manifestando seus próprios pontos de vista sobre o tema do programa. As pessoas deveriam também ser capazes de usar as tecnologias de comunicação para criar seus próprios conteúdos em áudio e vídeo. Pessoas letradas em mídia deveriam ser capazes de usar a internet para encontrar informações e aceitar que, algumas vezes, o que elas encontram pode representar um ponto de vista particular ao invés de uma afirmação objetiva sobre um fato. Elas deveriam ser capazes de controlar o que elas e seus filhos assistem e evitar que sejam ofendidas com certos conteúdos. Elas também deveriam ser confiantes o suficiente para saber comprar e pagar bens e serviços online, para criar seus próprios websites e para contribuir em discussões de chats.

E aqui entra uma explicação para o Workshop 3: You and Your Information, por Albert Boekhorst, IASL & IFLA, que conversa com o Workshop 8, Microcontos com José Santos (Museu da Pessoa) e Carlos Seabra (Clube de Autores).

O restante da programação se explica sem precisar da minha ajuda direta.

Entendi que o Workshop 4, Communication and media for youth community engagement, Enderson Araújo (Mídia Periférica), conversa com o Workshop 5, Opportunities and Challenges for Distribution of Youth-Produced Media, Malu Campos Viana Bastista (TAL TV & Jordi Torrent, Plural+). São também complementares do Workshop 7, Imprensa, Juventude e Violência: Ferramentas de Alfabetização e Cidadania,com Daniela Osvald Ramos (Dept. de Jornalismo, ECA-USP e Núcleo de Estudos da Violência – NEV-USP e Jessica Tarasoff (FDTE-Poli/USP), bem como com o Workshop 9, Sala de Imprensa – Cobertura Colaborativa, com Tony Marlon e Gilson Schwartz (Portal da Juventude) e com Workshop 10, Cyber Youth Activism, com Hanna Braga Franco and Luiz Felipe Fiúza, Jovem de Expressã0.

games-for-change-brasil

Creio que a piece de resistance é o Workshop 6, Cidade do Conhecimento (Think/Program/Play) com os líderes de projetos Jonas Worcman, Karen Worcman (Museum of the Person), Marcelo de Vasconcellos (Fiocruz, Rio de Janeiro), Juan Mansilla (University of Paris), Kata Murániy (University of Pecz), Mauro Munhoz (FLIP, Literaty Festival of Parati), Nanci Folena (LiEU Edugamification Lab, Secretary of Education, São Bernardo do Campo), Flavia Jungerman (Faculty of Medicine, USP), Marcia Moura (LIGAÇÃO, Literature, Games and Arts Festival for the Youth, Taubaté), Susanna Pollack (Games for Change, em participação remota).

Fica aqui o convite para acompanharem este último, que conheço desde o Social Good Brasil de 2012. Games for Change (literalmente “Jogos pela Mudança”, também conhecido como G4C) é um movimento e uma ONG dedicada à utilização de jogos eletrônicos para o desenvolvimento social. O objetivo da organização é promover a educação, a diversidade cultural e a inovação em diversas áreas do conhecimento, entre elas osdireitos humanos, saúde, meio ambiente e infância.

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.