A pobreza é sexista!

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A revista Glamour hoje lançou a lista anual de Mulheres do Ano, entre os indicados está o cantor a ativista de direitos humanos, Bono Vox.

A tradicional lista da revista apresenta anualmente um lista de mulheres que buscam trazer algum impacto em questões sociais, políticas, econômicas e culturais ao redor do mundo. E obviamente a escolha de um homem está causando polêmica.

Antes de criticar a nomeação, é bom recordar a atual campanha da ONE.org, a ONG que ele dirige – A pobreza é sexista.

Nesta campanha, a ONE.org busca conscientizar e incentivar a sociedade civil a se unir, bem como os governos e o setor privado a fazerem investimentos estratégicos rumo à erradicação da pobreza extrema e estender as mãos às meninas e mulheres atingidas pelas mazelas associadas à pobreza, em especial a falta de acesso à educação e à saúde.

Em muitos países, nascer pobre e mulher representa uma sentença de injustiças e opressão – e em muitos casos até mesmo uma sentença de morte.

Estamos em 2016 e 500 milhões de mulheres ainda não são capazes de ler, 62 milhões de meninas não podem frequentar a escola e 155 países continuam tendo leis discriminatórias entre homens e mulheres.

Aqui estão 10 pontos retirados do relatório A pobreza é sexista

1. As meninas representam 74% de todas as novas infecções por HIV na África entre os adolescentes;

2. No ritmo atual do progresso, as mulheres da África Subsaariana terão que esperar mais de 160 anos para ter as mesmas chances que as mulheres de países ricos tem para que seus bebês nasçam vivos;

3. Na África Subsaariana, as mulheres e meninas gastam 40 bilhões de horas por ano a coleta de água, o equivalente a de um ano de toda a força de trabalho da França;

4. De todas as mortes maternas, 99% ocorrem em países em desenvolvimento;

5. Em muitos países da África Subsaariana, mais de metade das mulheres tem acesso a saúde;

6. A nível mundial, 120 milhões de meninas são estupradas ou assediadas sexualmente até 20 anos de idade;

7. Na África subsaariana, 45% das mulheres tem menos acesso à internet do que os homens;

8. Se um adicional de 600 milhões de mulheres e meninas ganharam acesso à Internet nos próximos três anos, o PIB de 144 países em desenvolvimento poderiam ser impulsionado por até US $ 13 a 18 bilhões;

9. 98% dos bebês natimortos são de países de baixa e média renda;

10. 500 milhões de mulheres ainda não são capazes de ler essa lista.

Mas aí fica uma questão, nas redes sociais a gente vê muitas definições sobre o feminismo, e entre elas que um homem jamais poderia ser considerado feminista, uma vez que ele não sabe o que passa uma mulher, no máximo ele pode ser chamada de ‘simpatizante da causa feminina’.

Mas excluir o homem não o excluirá das responsabilidades e da luta pela igualdade dos gêneros? Bono respondeu à notícia dizendo que a batalha apenas começou. “Nós somos largamente responsáveis pelos problemas, então devemos estar envolvidos nas soluções”, afirmou.

Depois de dados tão assustadores, acredito que a menor das polêmicas deveria ser um homem receber um prêmio que prestigia as mulheres!

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Christina Santos

Christina Santos, química, com especialidade em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos, adora gatos e pipoca e tem grande interesse em meio ambiente, e sustentabilidade corporativa.