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Para inspirar a semana!
🙂

Descobri esta história numa entrevista e identifiquei nela personagens que eu conheci e que gostaria que tivessem tido esta mesma força de vontade e fé. O nome não me era novo, eu tinha salvado na agenda de interesses da Campus Party 2013 o painel no qual ele seria um dos debatedores na área de tecnologias do bem, trazendo jovens que fazem bom uso da inovação tecnológica e com Eduardo Lyra estariam Tiago Messias, oriundo da Casa do Zezinho, e Tony Marlon, do Instituto Escola de Notícias, moderados por Luis Guggenberger, Gerente da área de Inovação Social & Voluntariado da Fundação Telefônica.

O tema na Campus Party era “Jovens Transformadores: mudando o mundo através da tecnologia“, mas promover um ambiente de formação e debate sobre os usos, necessidades e desafios da Internet é fundamental para a troca de experiências entre os participantes e também para motivar os demais a se arriscarem na rede.

Usar a mídia social (blogs, Facebook, Twitter, YouTube, Google+) para tratar dos temas mais relevantes da atualidade, estabelecendo um canal aberto para debater e aprender é um dever de todos.

E divulgar histórias de superação que inspirem outros é um alento para o cotidiano. Veja abaixo a de Eduardo:

“Filho único, Lyra nasceu numa favela de Guarulhos (SP). A mãe é diarista. O pai se viciou, um tio foi morto num bar, e um primo, assassinado por traficantes. Aos 3 anos, uma chuva levou tudo que havia dentro do barraco. Mas ele sempre sonhou alto. Hoje, aos 25 anos, morador de Poá (SP), este jornalista e escritor já lançou dois livros, integra o Global Shapers, desdobramento do Fórum Econômico Mundial que seleciona jovens líderes com potencial de mudar o mundo, e [por estes dias] fará palestra (…) no maior evento de empreendedorismo do planeta, o Global Entrepreneurship Congress. (…) Entre seus mentores está o escritor Fernando Morais.”

O texto do jornal O Globo começava com esta apresentação e trazia a seguir uma entrevista que faço questão de reproduzir:

Sim. Vim da favela, nasci na extrema pobreza e meu pai era usuário de drogas. A sociedade não me via como um futuro escritor e empreendedor social e sim um futuro bandido. Diziam que era melhor não tentar, que poderia me machucar, que viveria frustrado. Mas decidi correr todos os riscos e viver todas as emoções: alegria, paixão, amor, raiva, frustração e essas coisas todas que você só experimenta quando sai de casa e vai viver a vida com todas as possibilidades que ela te apresenta. Quebrei com as estatísticas e deixei os matemáticos com a boca no chão. Sou um erro de cálculo. Quando você vê que dá, pensa: Contaram uma porrada de mentira para mim até hoje. É possível, sim.

Como foi cursar a faculdade de Jornalismo?

No primeiro dia de aula, um professor pediu um texto para a turma. Fui o primeiro a entregar. Ele leu e disse: Vou te dar um conselho: desista de ideia de ser jornalista porque você escreve muito mal. Fiquei arrasado, quis largar o curso, mas minha mãe falou: Ele é burro, um jumento, você tem um imenso potencial. Essas palavras me fizeram renascer. Se eu perder tudo que tenho, mas continuar com ela e com meu pai, me refaço num curto espaço de tempo. Meu pai está livre das drogas e corre de oito a dez quilômetros por dia. O sonho dele era ser jornalista.

Como é seu livro Jovens falcões?

Reúne histórias de 14 jovens brasileiros que saíram do nada. Vendi quase tudo que tinha, notebook, tênis e objetos pessoais, e percorri cinco estados para entrevistar gente como o jogador Lucas, a empreendedora Bel Pesce, o violinista Rodrigo Monteiro e o cientista Ricardo Ferreira. Lancei de forma independente. Sabia se procurasse editoras iriam dizer: Quem é esse moleque aí? Como não tenho muita paciência para esperar, precisava fazer algo para chamar a atenção. Batia de porta em porta na favela: Meu nome é Eduardo Lyra e vou te dar três razões para comprar meu livro. É inspirador, pode mudar sua vida e prova que você pode ser aquilo que quer. Além disso, custa apenas R$ 9,99 e a renda é dividida com a comunidade. Vendi cinco mil assim, com a ajuda de apoiadores, e fui procurado por várias editoras. A Novo Século relançou, e agora ele é vendido no Brasil todo, com prefácio do Marcelo Tas e contracapa de Nizan Guanaes.

Você tem um projeto chamado Gerando Falcões. Como é?

É um desdobramento do livro. Começou ano passado, sem apoio e recurso. Percorri escolas públicas e falei para 25 mil jovens. No início, os alunos lançam olhares de descrédito. Acham que estou indo dar lição de moral. Mas mudam ao ouvir minha história e de outros jovens que tinham como realidade mais próxima o crime e que transformaram suas vidas e de suas comunidades. O jovem da periferia tem talento de sobra, mas morre sem utilizá-lo. Faltam referências, quem diga olho no olho: Você pode. Todo ser humano tem algo de extraordinário, que faz dele único na vida. Mas não quero dar presente, quero dar horizonte. Dar presente bota o jovem na zona de conforto. Este ano, vamos expandir. Além das palestras haverá teatro, hip hop e dança de rua, para atingir entre 30 mil e 50 mil jovens. O lançamento será terça, numa escola na cidade de Poá, com a presença da coordenadora de Políticas para a Juventude do Estado de São Paulo, Janaína Lima, e a subsecretária estadual de Educação, Rosania Morales Morroni. Também haverá um trabalho para identificar o principal problema da escola, que será solucionado pelos alunos. Atualmente, quem tenta mudar a educação é que não está mais vivendo o dia a dia dela. Quem pode mudar é quem está recebendo a educação, ou seja, o estudante.

O que você recomenda a um jovem da periferia?

Não importa de onde você vem e sim para aonde quer ir. Descubra sua vocação, arrisque, não tenha medo de errar. Se seus amigos não acreditarem no seu sonho, troque de amigos. Tenha determinação, paixão, entusiasmo, persistência, força de vontade, ousadia, arrojo, teimosia e humildade para recomeçar quantas vezes for preciso. Fazendo isso tenho certeza de que na próxima edição de Jovens falcões vou procurá-lo para dar entrevista e inspirar milhões.

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Saiba mais sobre o livro Jovens falcões no site de Eduardo Lyra e na fanpage do projeto.

Leia também:
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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